Apenas mais um

Leandro Quintanilha Santana

Sócrates, Einstein, Freud, Hitler e Marilyn Monroe são algumas das personalidades que, de formas bastante distintas, conseguiram se eternizar. Tiveram destaque histórico e emergiram do anonimato. Obter esse feito invejável, que nunca foi alcançado facilmente, tem se tornado, com o passar dos tempos, uma tarefa cada vez mais árdua. Que bela frase ainda não foi dita? Que máquina futurista ainda não foi inventada? E, como se não bastassem esses adversários do passado, tenho ainda que encarar a dura realidade de que vivo num planeta com quase 6 bilhões de habitantes. Como obter notoriedade com tanta concorrência assim?

É assustadora a idéia de que toda a minha existência pode não fazer diferença alguma para a humanidade. Se eu morresse agora, por exemplo, tudo continuaria funcionando da mesma maneira. As pessoas (com exceção as do meu círculo particular, eu espero...) continuariam seguindo suas vidas normalmente. A maioria esmagadora da população mundial nem tomaria conhecimento do fato. Daqui a não muito tempo, nenhum vestígio meu seria lembrado. Seria como se eu não tivesse existido. E é assim que muita gente cai no abismo sem fundo do esquecimento. Isso me assusta. A mediocridade me apavora.

Não sou gênio, nem psicopata, nem paranormal. Não tenho nenhum talento que seja surpreendente. Estou longe de ser um "deus grego", fisicamente falando. Parece que, de fato, a fama não é o meu destino. Mas, nesse caso, acho que prefiro não ser realista.

Gostaria de poder alterar alguma coisa. Melhorar o mundo. Porém, olho para os lados e não encontro algo realmente grande que possa fazer. Adoraria me tornar atemporal. Ser lembrado daqui a quinhentos anos. No entanto, enquanto escrevo isso, percebo o quanto sou fútil. Excessivamente vaidoso, talvez. E o pior é que isso me torna ainda mais uma pessoa comum.

Leandro Quintanilha Santana é estudante do 2o. ano de jornalismo da UFG.

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