Decadência da mulher brasileira

Júlio César de Paula

Sei que, como estudante de comunicação, devo assistir a qualquer tipo de programa televisivo, por pior que seja. Confesso ter uma enorme intransigência com relação ao "Domingão do Faustão". Não assisto ao programa, mas ouço dizer por aí sobre o tal "concurso" para a escolha do loura do Tchan, em substituição à vedete Carla Perez (se é que posso rotulá-la de vedete).

A audiência do programa é uma maravilha quando as loirinhas aparecem dançando a abundância dos quadris, dos bustos e dos traseiros. O que me deixa embevecido é que tem estudante de medicina, advogada, frentista, professora de educação física e uma legião de desempregadas concorrendo ao título. Isso é vestígio de que a crise financeira está feia e as mulheres estão largando profissões de futuro para se tornarem dançarinas da indecência e do povão com destino a uma debilidade mental, como ocorreu com a Carla Perez. A prova mais contundente foi quando o Jô Soares a entrevistou em seu programa e ela disse que seu prato preferido era de porcelana.

As mulheres provam ser submissas aos homens nessa profissão de dançarina. Elas não têm o poder de cantar ou de tocar instrumentos, a única função é mexer com o corpo para exortar o prazer carnal nos homens e ganhar alguns mil reaisinhos por show. A vencedora do concurso ainda é obrigada a tirar a roupa para a revista Playboy, o que vem engordar o caixa da campeã. Ou seja, são meros objetos do capitalismo.

Como diz o meu grande amigo e compositor Gabriel "o pensador" na música "A dança do desempregado", as mulheres, quando não tem trabalho, se submetem às sessões de orgias e prostituição para obterem algum trocado. E o que me deixa indignado é que os homens pegam o telefone para votar na loura do Tchan. Coisa que vai encher a barriga deles e eles vão ter alguma gratificação com isso. Esse é o Brasil de hoje. Ou melhor, foi o de ontem. E para o desespero de todos, esse é o Brasil do futuro. Só quero lembrar uma coisa: nem todas as dançarinas são assim. Não quero generalizar as mulheres que trabalham nesse setor.

Júlio César de Paula é estudante do 4o. ano de jornalismo da UFG.

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