Privatização da Telebrás: negócio bom ou ruim?

Carlos Eduardo Reche

Essa talvez seja a nossa grande pergunta. Na realidade, o projeto de privatização não é recente. Fala-se inclusive que, desde que foram criadas, as estatais já tinham mais ou menos data marcada para serem vendidas. Empresas, como no caso da Telebrás, fizeram parte de projetos de implementação criados pelos países de primeiro mundo com o objetivo de integrar os países subdesenvolvidos à realidade tecnológica mundial e criar mercados para os produtos dessa indústria.

A venda fragmentada do sistema Telebrás para diversas empresas, nacionais e principalmente estrangeiras, vai melhorar a qualidade dos serviços e agilizar a aquisição das linhas telefônicas, diminuindo a imensa fila de espera, conseqüência do pesado e ultrapassado sistema burocrático da administração governamental, que barrava o avanço de uma empresa com grande potencial de crescimento.

O governo brasileiro se livrou de um imenso abacaxi. Do jeito que iam as coisas, no futuro a tecnologia da Telebrás estaria ultrapassada: sem condições de atualizá-la, o governo acabaria desvalorizando-a e complicando ainda mais as coisas. Foi uma boa hora para a venda: a empresa está muito bem cotada, havia muitos interessados e o governo arrecadou um bom dinheiro com a venda (US$ 22, 075 bilhões!).

A afirmação de que as empresas estatais pertencem ao povo é, no mínimo, cínica e ingênua: aquilo que é do Estado não é necessariamente do seu povo. Se a Telebrás fosse do nosso povo existiria uma linha de telefone em cada lar brasileiro. E, ainda assim, essa afirmação seria um tanto duvidosa.

Carlos Eduardo Reche é estudante do 2o. ano de jornalismo da UFG.

Mande um e-mail para a direção do jornal.

Primeira - Anterior - Próxima - Última

© 1997 1998 1999 Jornal Integração Todos os direitos reservados
1