Forma x Conteúdo
Alenor Alves Jr.
- Neste final de milênio vive-se em um período de renovação tecnológica que promete uma mudança generalizada no suporte técnico na TV e telemática. Desde já, nós convivemos com a consolidação de novos adventos: DVD, WEB-TV, HDTV, Direct TV, e outros.
- Apesar de todo esse aparato moderno e sofisticado, a televisão convencional é, desde os anos 50 e 60, o sistema mais explorado. As razões de tal preponderância são muitas. Uma delas se deve ao fato de o acesso a essas novas mídias, sistemas necessitarem de poder de compra e capacidade de operação (no caso dos computadores).
- Outra razão que marca pontos a favor da TV é a displicência com que a mesma é assistida. O televisor cumpre uma função de um eletrodoméstico a mais na casa e, a mãe, a altas horas da noite diz: "Menino, apaga a TV e desliga essa luz!". A TV ilumina mas não traz calor, reciprocidade, sua relação com o público é unilateral.
- A telemática perde espaço para os rádios catódicos devido a necessidade de leitura e escrita que propicia o uso dessas redes de computadores.
- Insiste-se pois na passividade verificada no uso da TV (que é reconhecidamente o de consumo desenfreado de imagens sem a possibilidade de interação). Segundo Regis Debray: "A televisão é mais democrática que o rádio porque posso deleitar-me a olhar imagens sem decifrar o som..."
- A televisão moderna vai além das adaptações de sistemas tecnológicos e esse conceito de futurismo como corrida, encilhamento científico cai em desuso. O "novo" necessita aglutinar em si uma reestilização no tocante ao conteúdo que deveria ser apresentado, na estrutura e intenções dos programas da TV. Parafraseando Lobão, ficamos com nostalgia de modernidade, estamos saudosos daquele futuro "clean and cool" do futurólogo Arthur C. Clarke, aquelas antecipações ingênuas não citavam o caráter dominador e excludente da tecnologia. Aquele futuro do filme foi exposto como algo inovador e distante, a tecnologia naquele caso foi tratada como utensílio, catalisadora de desafios, conquistas.
- A tecnologia de nossos dias é cara, elitizada, o domínio sobre a mesma urge de uma corrida em busca de atualização (compras), e muitos ficam de fora deste clube restrito. Essa busca de novas tecnologias determina um maior valor do produto em si sobre sua utilidade.
Alenor Alves Jr. é estudante do 4o. ano de rádio e TV da UFG.
- Mande um e-mail para a direção do jornal.
Primeira -
Anterior -
Próxima -
Última
© 1997 1998 1999 Jornal Integração Todos os direitos reservados
|