Nossa língua "informatiquesa"
Claudio Haruo Yamamoto
- Há muito se discute acerca do uso (lê-se: mal-uso) da língua portuguesa na Internet, principalmente em serviços como e-mail ou bate-papo, utilizado por 95% dos que conectam a rede. O fato é que quase ninguém escreve devidamente, isto é, seguindo as normas gramaticais da nossa língua, o que significa, além de falta de cuidado com as normas gramaticais, um descaso com elas.
- É certo que muitas pessoas não tem conhecimento profundo da língua portuguesa, seja pela ausência de estudo, seja pela falta de um estudo mais detalhado, seja por esquecimento. Refiro-me ao esquecimento porque é extremamente complexa a língua corrente do Brasil e para que se fique por dentro de todas as normas que ela apresenta e de suas alterações, uma revisão ou reforço de tempos em tempos é necessário. Neste texto mesmo, pode-se contar vários erros do tipo.
- Um outro aspecto que deve ser ressaltado no que diz respeito ao desrespeito à nossa língua é o uso exagerado de palavras estrangeiras que, ao invés de enriquecer, degrada a qualidade dos textos, uma vez que não é feito de maneira dosada. Um exemplo disso é a língua inglesa, indiscutivelmente conhecida por grande parte das pessoas que acessam a grande rede mundial de informações, a Internet, ou World Wide Web em bom inglês, como preferir. É comum presenciar diálogos do tipo: "Ei, você fez o download do add-on no site X que pedi a você?" ou também "Você sabe para que serve este plug-in que aquela home-page recomenda para o browser?" Para alguém não habituado ao vocabulário que anda de boca em boca (ou melhor, de dedo em dedo) dos usuários da grande rede, a frase é simplesmente indecifrável.
- Além desse fato, a Internet pode ser considerada como uma fonte criadora de vocabulário já que, a cada dia, surgem novos termos, às vezes impenetráveis até para nós, usuários da Web. Eis alguns exemplos: "designossauros" é o termo que designa os desenhistas que se recusam a usar o computador; "bio-break" é um eufemismo utilizado quando você está on-line e deseja ir ao banheiro; "cybersitter" é o babysitter cibernético, jovem adolescente, nerd de primeira, ainda sem emprego, que ensina as crianças ricas dos Estados Unidos a "surfar" na rede.
- Então pergunta-se: O que se pode fazer a respeito dessa situação? A Internet é algo de tamanha dimensão que fica muito difícil de se fazer algo. Que tal começar convencendo o seu amigo que passa oito horas conectado a Internet que conversando em bom português a comunicação ficaria bem mais fácil e correta?
Claudio Haruo Yamamoto é acadêmico do 3o. ano de ciência da computação da UFG.
- Mande um e-mail para Claudio Haruo Yamamoto ou para a direção do jornal.
Primeira -
Anterior -
Próxima -
Última
© 1997 1998 1999 Jornal Integração Todos os direitos reservados
|