A esquerda paleolítica
Luiz Roberto Cupertino
- Certo dia, ao conversar com um amigo vereador, fui surpreendido por um canhão de baboseiras. Dizia meu nobre amigo, filiado ao PT, que achava muito interessante a teologia de Marx, que, na verdade, a interpretação moderna que ele fazia de Marx é a de uma teologia moralista que deve reger as diversas relações entre os homens e a terra, a fim de exterminar o trabalho alienado com essa incrível estupidez. Tenho pena dos verdadeiros marxistas, pois são poucos os marxistas que leram Marx.
- Por mais que se procure, é cada vez mais difícil encontrar na esquerdas pessoas preparadas para enfrentar a guerra ideológica da política e do poder. A maioria dos políticos parece não saber que o muro de Berlim desabou e o marxismo foi para o brejo com ele. Restou aos marxistas amar a doutrina filosófica de Karl Marx, assim como os foucaultianos amam a doutrina filosófica de Michel Foucault. Mas os políticos pseudo-marxistas sonham em implantar um sistema que desbancará o capitalismo malvado.
- É justo, o capitalismo massacra, mas a solução das esquerdas é do tempo da pedra lascada. Ficam pelos corredores criticando sem soluções e arrotando imbecilidades. Marx deixou há algum tempo de ser um líder das linhas de fuga. É apenas um pensador no oceano infinito dos grandes pensadores. É tanta utopia que o próprio Marx, pouco antes de sua morte e espantado com a força de sua teoria, disse: "Eu, Marx, não sou marxista."
- O que está acontecendo é que o mal de Athusser está invadindo os cérebros dos políticos de botequim. Durante muito tempo Althusser foi um dos marxistas mais respeitados do mundo. Havia pessoas que o seguiam em sua interpretação. Tudo estaria perfeito se o próprio Althusser não afirmasse, em uma obra auto-biográfica póstuma, que ele nunca havia lido Marx. Seus seguidores ficaram com cara de tacho. O duro é que os políticos marxistas que não leram Marx são caras-de-pau, não ficam nem vermelhos. Os partidos de esquerda devem criar algo, em vez de brincar com o brinquedo do neto. Vimos que a anarquia não deu certo nem na utópica Macondo de García Marquez, que o socialismo virou cinzas em um tempo historicamente curto. A saída, se existir, para substituir o capitalismo ainda não foi teorizada. Um político esquerdista disse há alguns dias na TV que o papel da esquerda é criticar. Engraçado, achava eu que o papel da esquerda fosse criticar e apontar novas soluções.
- Enquanto isso a "teologia marxista", se há piada mais indigesta, continua sendo duramente estudada na Câmara pela nova mesa hermenêutica dos laços vermelhos da intelectualidade. Que Marx perdoe os marxistas.
Luiz Roberto Cupertino é acadêmico do 5o. período de filosofia da UCG.
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