Imagem X Palavra

Daniela Soares

As representações, processo de substituição por meio de signos, permitem tornar presente o ausente.

Representações por meio de imagens (ícones) são mais eficientes que através do discurso. Isto porque a imagem remete ao objeto a que alude de forma direta, quando no discurso a palavra se coloca como intermediária no processo de comunicação. Não seria devaneio afirmar que o mundo é uma imagem, pois o mundo é para nós o que percebemos dele e não o seu ser em si. Dessa forma é importante considerar o poder da imagem, principalmente, em uma sociedade que tem como sustentáculo a comunicação. Pelo contrário, as representações por meio da palavra restringem o campo de interpretação do receptor, pois esta encerra significados restritos e específicos, dificultando a compreensão da mensagem, fazendo este se sentir distante daquilo a que ela se refere, pois é necessário um conhecimento terminológico anterior.

A humanidade sempre se valeu do poder da imagem, a religião é um exemplo perfeito. No cristianismo, especificamente, nota-se a condenação da imagem em detrimento da palavra. Basta nos atermos na frase bíblica: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1: 1-3), para percebemos a associação BOM/PALAVRA/DEUS/VERBO. Ora, não faz sentido banir algo que facilita a divulgação da "Boa Nova". Na verdade a imagem é bastante usada quando o objetivo é cumprir a missão de cristianizar os quatro cantos do mundo, mas é banida quando se faz canal aberto para o contato com fatores que condicionam o homem, os prazeres de forma especial, e o levam a fugir da "Ordem" e "coesão social". A imagem os torna visíveis, mas estes devem ser escondidos. A religião se presta então, à sua razão de ser: manter essa "Ordem" e "coesão". É necessário reprimir os impulsos para o prazer, antes que ele se concretize. "Escapa-se da Ordem pelos olhos, portanto, todo ouvidos para obedecer como se deve", constata Régis Debray em "Vida e morte da imagem".

O cristianismo talvez tenha sido um dos primeiros a perceber o poder da imagem e hoje alguns meios de comunicação a utilizam largamente. Resta a nós, jornalistas, artistas da palavra, tentar na medida do possível fazer a fusão dessas duas categorias, cultivando a metáfora e tentando transpor de um mundo para o outro, já que a objetividade na decifração do Real se mostrou uma categoria pobre do ponto de vista epistemológico.

Daniela Soares é acadêmica do 3o. ano de jornalismo da UFG.

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