Amor político
Giordano Maçaranduba
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Muitos filósofos orgânicos como Montaigne e Voltaire (há
quem não o considere) já incluíram o amor em seus
ensaios ou em seus dicionários. Eu, que sou um mero mortal, venho
jogar umas idéias que pretendem costurar uma concepção
minha que tem bases volúveis em vários pensadores. Acredito
ter costurado as bases com uma boa dose de necessário senso comum.
Cabe-me propor o caráter estritamente político do amor, concepção
que talvez cause algum incomodo (ou não).
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O amor é uma atividade política por excelência. Só
se define e se traduz pela ação, pelo planejamento da ação
e principalmente pelo sentimento da ação. O amor é
um sentimento político porque sempre se refere a algo externo, mesmo
se tratando do amor narcísico, porque esse se trata do amor à
própria imagem, que é portanto um objeto externo (Quanto
aos outros amores, não paira nenhuma dúvida de que universo,
pessoas, deuses, humanidade sejam objetos externos). Outra faceta que demonstra
o caráter político do amor é a sua interdependência
com a ação, pois o amor só se expressa pelo desejo
de alguma ação (ou pela ação), qual seja afagar
a amada, fazer amor ou simplesmente estar próximo ou pensar nela
ou em sua ideologia. Ainda outro fator demonstra o caráter político
do amor, pois é ele (todos os tipos dele) que agrega as pessoas.
É um sentimento eminentemente unitário.
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Assim como a política, então, o amor só é factível
entre mais de um objeto; palavra que aqui toma a desinência de pessoa,
coisa, sentimento, percepção, devaneio ou imagem, um sentido
amplo como é tomado em diversas ciências como a filosofia
e a psicologia; só existe enquanto relacionada à ação,
inexiste fora deste contexto; e a ação política é
o que agrega as pessoas, pois as pessoas se unem no agir, no pensar do
agir e no sentimento do agir tal qual no amor É, 'tá certo,
fui pleonástico, achei necessário!
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Desculpem-me se ofendi alguém. Tomara que alguma alma bondosa escreva
um texto e esse não saia.
Giordano Maçaranduba é estudante do 4o. ano de jornalismo
da UFG.
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Maçaranduba ou para a direção
do jornal.
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