A morte
Nazareth L. de Paula
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A maior tragédia do homem é a morte. Por mais que se tente,
por mais que o tempo passe, que os religiosos insistam na existência
de um paraíso e que os cientistas digam que é apenas a decomposição
do corpo, não é fácil enxergá-la com naturalidade.
Não só ultrapassa a razão como também a emoção,
é indescritível.
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É estranho demais, cruel demais, pensar que cedo ou tarde todos
morremos e que ninguém pode fugir dos golpes da malvada foice. Ainda
não encontramos meios de enganar a morte e querendo ou não
ela te força a ir embora, a dizer adeus. Quando tudo o que você
quer é ficar e sentir o mundo, ela vem e te leva.
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Morrer jovem, morrer velho - nunca se sabe, a morte não usa relógio
nem calendário. Pouco lhe importa se sua vítima tem sonhos,
desejos, se quer viver um grande amor ou se pretende conhecer cada canto
do planeta. O que nos espera? O tudo, o nada, Deus, fantasmas, um novo
corpo? Claro que a última hipótese seria a melhor, mas quem
nos garante? Como acreditar no que nunca vi? Como acreditar em uma possibilidade
sem provas? Como crer e ter fé? Este é o drama: não
poder acreditar.
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Talvez fosse melhor acreditar no paraíso. Talvez fosse melhor que
o homem nunca tivesse perdido sua ingenuidade. Será? Talvez (talvez
é uma ótima palavra, nunca se compromete, não é
bem nem mal).
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Sentir os primeiros sinais do fim, as primeiras rugas e cabelos brancos,
a flacidez da pele - não há nada mais cruel. Indescritível
a sensação, o desespero. Não cabe num texto, num filme
e nem mesmo em um livro. Pensar a morte da mãe, do amigo e saber
que um dia não mais os verá, não há nada mais
triste. Fotos não servem de consolo, apenas aumentam o sofrimento.
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Falar sobre a morte é difícil, e também cortante.
Muitos evitam tocar no assunto como numa tentativa de se enganar ou adiar
o pensamento. Sei que pensar demais nisto é tornar-se um morto vivo,
mas não serei hipócrita a ponto de dizer que não me
lembro que morrerei, que não temo este momento ou que algo melhor
me espera. Lá no fundo, no íntimo, todo mundo tem medo. A
tragédia do homem é a morte. Que se invente logo o elixir
da vida eterna. Seria fantástico decretar a morte da morte.
Nazareth L. de Paula é estudante do 3o. ano de jornalismo
da UFG.
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