Associação dos Amigos da Filosofia
Giordano Maçaranduba
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Caro Cupertino,
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Não há nenhum ideal de fazer filosofia. A vida já
é um ato filosófico, se é um ato bom ou ruim seria
preciso que tivéssemos condições de depois de findada
a nossa vida, pudéssemos avaliar se foi uma boa ação
ou não. No entanto, se o fizéssemos seria uma ação
e portanto não teríamos ainda parado de agir, não
seria um fim, de modo que, assim pensando, não haveria fim e portanto
seria impossível uma reflexão final.
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Lógico que o conhecimento da história da filosofia ou da
história das idéias ou mesmo da filosofia da história,
para citar um ótimo livro de HEGEL com certeza são imprescindíveis
a quem pretende ter um pensamento minimamente apurado, mas ficar preso
à análise de uma suposta influência de um filósofo
em outro muitas vezes permeados por uma outra filosofia é perda
de tempo quando é dado um valor excessivo a um assunto que é
importante, sim, mas que é quase a única coisa que é
publicada pela UFG. Prova disso é que a reação raivosa,
talvez até um pouco irracional, do professor Palácios foi
motivada por não menos que três livros seguidos tratando destas
questões de influências de uma filosofia em outra, de um método
em outro, de um estética em outra. Prova do reconhecimento da validade
da bronca é que o quinto livro a que o FCHF tinha direito, se não
me engano, não versava sobre influência de uma doutrina em
outra.
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Luiz Roberto, concordo plenamente com você que não há
uma verdadeira filosofia. Foi usado o termo verdadeira filosofia apenas
para designar a filosofia feita com autonomia, influenciada por qualquer
filósofo que seja. Esse não é um problema, pelo contrário.
Não há como pensar algo desvinculado do que já foi
pensado. Ninguém tem a ilusão de fazer filosofia original,
somos profundamente influenciados, a idéia de bem que temos hoje,
mesmo para os ateus, é profundamente influenciada pelos filósofos
cristãos, sobretudo o Bispo Agostinho e o Frei Tomás de Aquino,
isso para não chegar aos neoplatônicos, ou mesmo no grego
Paulo, apóstolo de Cristo.
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O projeto é simplesmente realizar discussões e troca de idéias
e experiências. Há a ambição de se construir
uma home-page para publicar os textos recebidos, já que o espaço
no INTEGRAÇÃO é pequeno. Há também a
ambição, menos complicada, mas ainda não realizada,
de haver reuniões com os integrantes para discutir as idéias.
Nos encontramos apenas casualmente e acabamos discutindo isoladamente uns
com os outros e nunca com um grupo maior. Na verdade estamos criando a
associação apenas com o objetivo de criar um espaço
para a discussão.
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Não há a menor dúvida de que a filosofia inunda a
vida de todos (quando dizíamos nós, queríamos nos
referir a todos sem exceção, não a associação)
e acredito que ninguém que publicou artigos pretendesse propor uma
doutrina original ou um método fantasticamente novo. Como pode-se
notar quando eu disse que a vida é um ato filosófico, eu
retirei a filosofia da academia e a propus a todos, não há
porque restringi-la a um micro-espaço. Não sei se temos a
mesma concepção de filosofia, mas creio que a filosofia é
bem mais ampla que um mero academicismo e que a grande filosofia é
feita na prática e que há grandes filósofos que nem
sequer tem idéia do que é fenomenologia, estética,
semiótica, ética ou nem tenha lido Kant, Marx, Platão,
Aristóteles, Adorno ou quem seja lhe bastará o acúmulo
de conhecimentos e doutrinas acumulados pela sociedade ocidental, pela
cultura e pela tradição oral que ainda é presente.
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Sinceramente, da parte que me toca, muito obrigado pela justa intervenção
que nos engrandeceu bastante.
Giordano Maçaranduba é estudante do 4o. ano de jornalismo
da UFG.
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Mande um e-mail para Giordano
Maçaranduba ou para a direção
do jornal.
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