Quem visita esta cidade sente de imediato o calor humano que a circunda, onde prevalecem traços de uma hospitalidade que chega a comover, enraizando rapidamente amizades e desencadeando sentidas saudades para quem parte. Quelimane é, de facto, uma cidade bonita de braços abertos à vida!
É a capital da Zambézia, núcleo urbano de grande importância social, económica e cultural, e que vai crescendo, agora menos em altura do que em comprimento, na certeza de uma expansão e modernização a que não se pode furtar.
Bons são os sinais que vêm do rio, cuja foz se abre para o Índico e para o Comércio do mundo, Dos "Bons Sinais" foi o nome que os Portugueses deram a este rio na sua demanda do caminho marítimo para a cobiçada Índia. Contam as velhas histórias que, quando os homens da armada de Vasco da Gama desembarcaram nas margens deste curso de água, ao descobrirem um grupo de camponeses cultivando a terra sob a direcção de alguém que trajava à maneira árabe, vendo aqui um bom sinal, logo perguntaram: Como se chama esta terra?. O homem vestido à árabe, não compreendendo a pergunta, e querendo continuar o trabalho, voltou-se para os camponeses ordenou-lhes: "Kulimane! Kulimane! (Cultivem! Cultivem!)". E, assim, deste equívoco nasceu também o nome da cidade de Quelimane. Histórias da História!
Deste lado é Inhassunge. Separa-nos de Quelimane este rio que vamos atravessar - pensam - esperando estes homens e mulheres da Zambézia, que trazem das suas machambas o arroz e o milho, o feijão e o abacaxi para comerciar. De Quelimane, que se ergue comercialmente apetitosa à frente destes camponeses, certamente trarão o que lhes faz falta no campo, seja sabão ou petróleo, seja açúcar ou vestuário. Inhassunge, defronte da capital da Zambézia, mais do que uma espécie de ilha-de-rios, é uma terra de esperança, de manjar diferente para a boca dos citadinos. Quelimane é, efectivamente, uma cidade onde mais visivelmente se faz sentir a proximidade do campo, o cheiro da copra e do arroz mesmo ali à mão-de-estar-e-semear. |