Tal como em tantas outras aldeias do país, estas crianças do Niassa também têm os seus jogos, as suas brincadeiras, cujo ensino-aprendizagem, que se processa de pai para filho, de mãe para filha, se perde nos caminhos ancestrais de cada etnia. Seja para testar a resistência física, seja para mostrar a destreza ou a capacidade de inteligência de cada um dos participantes, os jogos infantis são vários e todos eles interessantes e animados. Nestas crianças do Niassa, como em todas as outras suas iguais, energiza-se o dinamismo milenar que exercita os Homens para a vida, para o trabalho criativo, reprodutor de cultura.
Esta imagem de uma aldeia do distrito de Metangula, junto ao lago Niassa, é bem elucidativa de um dos muitos outros factores que contribuem para a organização-disposição-localização das casos numa aldeia nascente. Se por um lado, deseja-se uma casa com quintal grande para uma pequena machamba individual, pois as grandes estão normalmente afastadas e são tradicionalmente de carácter colectivo, também a paisagem que rodeia e que a vista pode alcançar quando se estende a esteira ou se põe o banco na varanda para descansar, é um factor que conta nesta disposição habitacional. Daqui compreendermos melhor esta aldeia espreguiçando-se em fila como querendo ter uma nesga de lago para cada olhar faminto de beleza.
Um dia os jovens desta Província - território agora subdesenvolvido e pouco povoado - vestirão seus fatos de alpinistas e escalarão estas montanhas decifrando-lhes os enigmas, afugentando os fantasmas; trajarão os seus uniformes de mergulhadores e revelarão os mistérios do fundo do lago, a espectacular visão do princípio das coisas. Um dia um teleférico levará turistas da montanha para o lago e vice-versa, um lago eternamente não poluído no testemunho de que pode haver desenvolvimento sem destruição da natureza. Nesse dia, esta montanha de pedra ainda aqui estará e será o retrato deste tempo em que escrevemos a palavra Niassa com letras abertas ao progresso. |