fotoEm qualquer aldeia do país são as crianças que, na sua pureza irrequieta, dão animação a estes lugares normalmente silenciosos, silêncio esse só cortado de longe em longe pelo chamamento de uma mãe ou pelo pau-de-pilão esfarelando o grão de milho para a farinha. A única grande excepção ruidosa é nos dias de festa quando o som dos tambores enche de vibrações esta atmosfera normalmente sossegada.

Tal como em tantas outras aldeias do país, estas crianças do Niassa também têm os seus jogos, as suas brincadeiras, cujo ensino-aprendizagem, que se processa de pai para filho, de mãe para filha, se perde nos caminhos ancestrais de cada etnia.

Seja para testar a resistência física, seja para mostrar a destreza ou a capacidade de inteligência de cada um dos participantes, os jogos infantis são vários e todos eles interessantes e animados.

Nestas crianças do Niassa, como em todas as outras suas iguais, energiza-se o dinamismo milenar que exercita os Homens para a vida, para o trabalho criativo, reprodutor de cultura.

  

fotoComo é que se organizam as aldeias humanas, estas pequenas localidades que depois se desenvolvem transformando-se em vilas e mais tarde em cidades?

Esta imagem de uma aldeia do distrito de Metangula, junto ao lago Niassa, é bem elucidativa de um dos muitos outros factores que contribuem para a organização-disposição-localização das casos numa aldeia nascente.

Se por um lado, deseja-se uma casa com quintal grande para uma pequena machamba individual, pois as grandes estão normalmente afastadas e são tradicionalmente de carácter colectivo, também a paisagem que rodeia e que a vista pode alcançar quando se estende a esteira ou se põe o banco na varanda para descansar, é um factor que conta nesta disposição habitacional.

Daqui compreendermos melhor esta aldeia espreguiçando-se em fila como querendo ter uma nesga de lago para cada olhar faminto de beleza.

 

fotoO Niassa são também estes contrastes naturais, estas montanhas erguendo-se majestosas e enigmáticas sobre os planaltos e vales luxuriantes.

Um dia os jovens desta Província - território agora subdesenvolvido e pouco povoado - vestirão seus fatos de alpinistas e escalarão estas montanhas decifrando-lhes os enigmas, afugentando os fantasmas; trajarão os seus uniformes de mergulhadores e revelarão os mistérios do fundo do lago, a espectacular visão do princípio das coisas.

Um dia um teleférico levará turistas da montanha para o lago e vice-versa, um lago eternamente não poluído no testemunho de que pode haver desenvolvimento sem destruição da natureza. Nesse dia, esta montanha de pedra ainda aqui estará e será o retrato deste tempo em que escrevemos a palavra Niassa com letras abertas ao progresso.

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