Crítica do Compositor Gilberto Mendes, publicada no jornal "A Tribuna", de Santos, dia 08/12/98
MÚSICA
Coral se apresentou na PinacotecaBel Canto confirma que algo novo ainda pode surgir
GILBERTO MENDES
Colaborador
Num momento em que as coisas andam esquisitas, em que a gente ouve falar que a Faculdade de Música vai mesmo acabar (será uma vergonha para Santos fechar sua única Faculdade de Música, que é uma das mais antigas do País!), foi uma alegria muito grande ouvir o grupo vocal Bel Canto, na Pinacoteca. Conhecer o trabalho consciencioso, competente, de Simone Schumacher, na organização e agora apresentação deste novo conjunto musical santista. Alguma coisa de sério e de idealista ainda respira na Cidade, alguma coisa nova ainda é feita a despeito dos apelos em contrário feitos pelas políticas culturais de hoje, principalmente no Brasil.
Vozes frescas, vozes jovens, abertas, soltas, fruto da grande percepção musical de Simone, que soube moldá-las para o canto erudito e o canto mais leve. Prepará-las para a compreensão e interpretação na justa medida das obras renascentistas cantadas, com destaque para os grandes Adriano Banchieri e Orazio Vecchi. E algumas obras mais populares, da chamada new age.
O coral começa sua carreira e, naturalmente, está em processo de formação e aperfeiçoamento. Mas já nasceu um coral, de fato, sabendo enfrentar aquelas dificuldades clássicas de todo coral, como poucas vozes masculinas, e aquelas outras, famosas, que todo coral tem. Simone sabe dominar esses problemas e tirar bom rendimento do material que tem à mão. É uma profissional nata. Sobretudo, o coral é muito afinado, a condição primeira para a aceitação de um grupo vocal. A gente sempre tem aquele medo, quando vai ouvir um coral novo, será que ele é afinado’?
Mas Simone jamais falharia, eu tinha certeza. Foi uma das minhas melhores alunas na Faculdade de Música, destacando-se pela sua inteligência, acuidade e fina percepção musical. Tocou piano várias vezes no Festival Música Nova, tinha interesse por todo o tipo de música. Lembro-me ainda dela, quase uma criança, cantando no saudoso Cucas, de Juan Serrano.
Agora, com as filhas mais crescidas, volta decididamente à música com sua elegante regência e presença cênica. Simpáticas também a direção teatral de Joacir de Carvalho Leite e a atuação de Maurício Ferraz. E também as presenças dos músicos convidados Maria Cecília Bandeira Ferreira, tocando espineta, e Elias Almeida, viola da gamba.
Maria Cecilia, outra grande musicista santista devotada à música a ponto de se dedicar, ultimamente com fervor, a tocar espineta (um tipo de cravo, menor e mais simples). Coisa rara! Maria Cecília, Simone, a Hedda o Zago, o Roberto Farias, hoje regente da Banda Sinfônica do Estado, todos foram meus alunos na Faculdade de Música de Santos. uma faculdade em processo de extinção, hélas!
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