Trabalho gentilmente cedido por Salomão José dos Santos Neto
ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE CIRURGIÕES DENTISTAS
ESCOLA DE APERFEIÇOAMENTO PROFISSIONAL
TERCEIRO MOLAR RETIDO : INDICAÇÕES E
BENEFÍCIOS DA SUA REMOÇÃO
SALOMÃO J. DOS SANTOS NETO
Monografia apresentada como requisito
para obtenção do título de especialista em cirurgia e
traumatologia buco-maxilo-facial.
Orientador:
Prof. Dr. João Gualberto de Cerqueira Luz
São Paulo
1996
Dedico este trabalho, com muito amor e
gratidão, à minha esposa Adriana ao meu filho Matheus e aos
meus pais.
AGRADECIMENTOS
Ao Professor Dr. João Gualberto de Cerqueira Luz, pessoa virtuosa, profissional exemplar, pela constante dedicação em nos proporcionar valiosos conhecimentos.
Aos Professores Dr. Carlos Alberto Miori e Dr. Oswaldo
Crivello Jr. pela amizade e pela solicitude com que sempre nos
auxiliaram n transcorrer de nosso curso de especialização.
SUMÁRIO
RESUMO
l. INTRODUÇÃO
2. PROPOSIÇÃO
3. REVISTA DA LITERATURA
4. DISCUSSÃO
5.CONCLUSÕES
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SUMMARY
RESUMO
Foi realizada revista da literatura científica sobre as
indicações e o benefícios da remoção dos terceiros molares
retidos e as complicações potenciais da retenção desses
dentes. Dentre as indicações para remoção do terceiros
molares retidos, a pericoronarite foi a mais freqüente, sendo
citada ainda outras justificativas, como: ortodôntica, dor,
presença de periodontopatias, cistos e tumores. As indicações
variaram sob influência d faixa etária, do tipo de retenção e
também do tipo de especialização d cirurgião dentista. A
remoção dos terceiros molares retidos pode ser benéfica aos
pacientes, especialmente em certas situações, como por exemplo
pacientes jovens, retenções mucosas parciais e quadros de
pericoronarite crônica. Esses benefícios se traduzem
principalmente na eliminação de uma condição patológica e na
melhora das condições da saúde bucal. Evidenciou-se, também,
que a retenção prolongada dos terceiros molares pode trazer
complicações locais e sistêmicas aos pacientes, em especial
periodontopatia na região distal do segundo molar.
1. INTRODUÇÃO
Dentes retidos são aqueles que chegada a época de sua erupção não a realizam, seja por razões mecânicas ou patológicas, mantendo ou na comunicação com a cavidade bucal (MARZOLA20,1988). Dentre todos c dentes retidos, os mais freqüentes são os terceiros molares.
A remoção destes dentes visa urna melhora na saúde bucal d
pacientes que apresentam sintomatologia ou patologias que
justificam tal procedimento. Em outros casos, a exodontia é
solicitada por razões ortodônticas ou protéticas. Entretanto,
há, também, situações particulares onde o exame clínico e
radiográfico do paciente deixa dúvidas quanto ao exato
diagnóstico e plano de tratamento a ser seguido, ficando o
cirurgião-dentista com a responsabilidade de decidir qual a
melhor opção entre a extração ou permanência dos terceiros
molares. Nesses casos, os critérios usados pai avaliação
baseiam-se em opiniões individuais de cada profissional as
quais, algumas vezes, têm pouco embasamento científico, havendo
possibilidade do paciente ser submetido à extrações
desnecessárias ou inoportunas.
Tendo em vista esses aspectos, resolvemos pesquisar este tema.
2. PROPOSIÇÃO
Esta monografia apresenta como principal objetivo, através da
revista da literatura cientifica, analisar as indicações e
benefícios da remoça dos terceiros molares retidos e suas
complicações potenciais.
3. REVISTA DA LITERATURA
BRUCE et al.4 (1980) após avaliarem sua casuística de paciente submetidos a extrações de terceiros molares concluíram que nos paciente abaixo de 25 anos de idade as principais razões para remoção dos terceiro molares foram: pericoronarite, solicitações ortodônticas e dor. Nos paciente entre 25 e 35 anos de idade as principais justificativas foram ainda pericoronarite e dor, porém, seguidas por problemas periodontais, cárie n segundo ou terceiro molar e solicitações protéticas. Já nos pacientes acima d 35 anos de idade, apesar de ainda prevalecer a pericoronarite como maior causa para extrações dos terceiros molares, os autores encontraram maior incidência de casos onde a dor, problemas periodontais, cárie, razões protéticas e desenvolvimento de cistos foram causas daquelas extrações. Os resultados mostraram ainda, aumento na morbidade nas cirurgias em pacientes idoso, sendo relacionadas com maior sintomatologia e complicações pós-operatórias BJSHARA; ANDREASEN2 (1983) afirmaram que a influência dos terceiros molares sobre o alinhamento da dentição anterior é controversa. Os autores aconselharam adiarmos as extrações dos terceiros molares em pacientes com maloclusão até que seja concluído um plano de tratamento ortodôntico. Citaram duas situações de especial atenção onde possivelmente são contra-indicadas as exodontias dos terceiros molares : quando o plano de tratamento ortodôntico pedir extrações de primeiro ou segundo molares, principalmente em pacientes classe II de Angle; quando houver agenesia 4 pré-molares ou os mesmos forem extraídos.
RICHARDSON et al.28 (1984) estudaram o padrão de erupção de terceiros molares inferiores em pacientes da raça negra e chegaram às seguintes conclusões: a retenção dos terceiros molares inferiores é um mecanismo multifatorial complexo; o estudo não comprovou a previsão precoce da retenção dos terceiros molares inferiores e a sua remoção, sendo que a decisão final para extração dos terceiros molares inferiores assintomáticos, que parecem estar retidos, deveria ser adiada até que o pacientes tenham cerca de 16 anos de idade.
GOLDBERG et al.10 (1985), baseados em dados clínicos radiográficos de pacientes submetidos à extração de terceiros molares inferiores retidos, pesquisaram a incidência de complicações associadas esses procedimentos e chegaram aos seguintes resultados: abscessos tardio aconteceram em 4,2% dos casos, principalmente em terceiros molares retido parcial ou totalmente em tecido ósseo; alveolites aconteceram em apenas 1% dos casos; alterações de sensibilidade dos nervos alveolar inferior e língua' aconteceram em 1,2% dos casos, somente em retenções ósseas parciais o totais; e apenas três pacientes apresentaram hemorragias (todas no pó' operatório).
OSBORN et al.22 (1985) estudaram algumas complicações relatadas em cirurgias de terceiros molares inferiores, revendo informações sobre dados pessoais, classificação das retenções, indicações para extrações problemas trans e pós-operatórios. Os autores chegaram às seguintes conclusões: alveolites, infecções secundárias, alterações sensitivas dos nervo alveolar inferior e lingual foram mais freqüentes onde houve necessidade maior remoção de tecido ósseo e maior trauma cirúrgico, ou 5ejc principalmente em retenções ósseas totais e parciais; a remoção dos terceiros molares retidos nos pacientes jovens adolescentes diminui a incidência de problemas trans e pós cirúrgicos quando comparada com a remoção dos terceiros molares retidos em adultos e idosos; as principais indicações para exodontias foram dentes não-funcionais e solicitações ortodônticas; a maior porcentagem das indicações não foi esclarecida; a presença de pericoronarite prévia esteve associada com aumento nos índices de alveolite.
BJORNLAND et al.3 (1987) avaliaram as cirurgias para extração de germes de terceiros molares. Os autores afirmaram que, sob o ponto de vista cirúrgico, em seus estudos, essas extrações são procedimentos viáveis, porém, tecnicamente difíceis. Entretanto, salientam que os critérios para as indicações dessas extrações devem ser melhor esclarecidos.
CHILES; CONSENTINO7 (1987) avaliaram os problemas potenciais das cirurgias dos terceiros molares retidos baseados em revista da literatura e concluíram que a incidência de complicações trans e pós-operatórias nas extrações destes dentes é menor quando são realizadas em pacientes jovens. Em pacientes idosos afirmaram que são comuns complicações cirúrgicas, como: processo de reparação prolongado, diminuição do nível ósseo na região da cirurgia, hemorragias, lesões do nervo alveolar inferior, fraturas de raízes e da placa óssea lingual.
LYSELL; ROHLIN (1988)19 descreveram as indicações para exodontias de terceiros molares inferiores em casuística própria. Concluíram que mais da metade dos terceiros molares extraídos não apresentavam sintomas; remoção profilática, pencoronante e solicitações ortodônticas foram as indicações mais comuns, com 27%, 25% e 14% de incidência respectivamente (Tabela); sintomas como dor, desconforto e a presença de edema acharam-se associados mais freqüentemente com terceiros molares parcialmente erupcionados; a incidência de processos patológicos como cistos tumores e reabsorções ósseas e radiculares na região do terceiro molar baixa - cerca de 3% cada - e aconteceram especialmente em pacientes idosos.
STANLEY et al.30 (1988) pesquisaram clínica e radiograficamente processos patológicos associados com a retenção de terceiros molares, em pacientes com média de idade de 47 anos. O período médio de retenção dos terceiros molares era de 27 anos. Foi concluído que não houve aumento na incidência de lesões com o avanço da idade. Os problemas mais encontrados foram: doença periodontal e menor altura da crista óssea alveolar à distal do segundo molar (4,48%), reabsorção do segundo molar (3,05%), alterações císticas (0,81%) e reabsorções internas nos terceiros molares (0,43%).
ELIASSON et al.9 (1989) estudaram radiograficamente
alterações patológicas relacionadas com terceiros molares
retidos em pacientes acima de 30 anos de idade. Concluíram que o
risco de alterações patológicas radiograficamente evidentes é
pequeno. Apenas 5,2% e 8% dos terceiros molares retidos,
maxilares e mandibulares, respectivamente, apresentavam alguma
alteração patológica como: espessamento do capuz pericoronario
reabsorção óssea alveolar e reabsorção do segundo molar
adjacente . O espessamento do capuz pericoronário foi mais
freqüente em terceiros molares
mandibulares. Os terceiros molares em posições horizontais ou
distoangulares apresentaram maior incidência de alterações
patológicas.
VON WOWERN; NIELSEN34 (1989) pesquisaram alterações clínicas e radiográficas em terceiros molares inferiores retidos assintomáticos por um período de 4 anos em 70 pacientes com média de idade de 20,3 anos. Foram realizadas consultas anuais. Ao término da pesquisa foram revelados os seguintes dados: não houve evidência de alterações patológicas como cistos, tumores e reabsorções de segundos molares adjacentes; 19% dos terceiros molares retidos erupcionaram após o período de 4 anos (dos quais a maioria deles apresentava retenção inicial somente em tecido mole). O risco de pericoronarite foi mais evidente nos dentes que permaneceram retidos.
ADBS et al.1 (1990) verificaram a relação dos terceiros molares inferiores com alterações no arco dentário mandibular avaliando indivíduos adultos jovens. Concluíram que o apinhamento dentário inferior não é devido a ação dos terceiros molares e que suas extrações para aliviar ou prevenir este problema não se justificam em pacientes nesta faixa etária.
KUGELBERG14 (1990) avaliou a reparação periodontal após as cirurgias dos terceiros molares retidos em dois grupos de pacientes de diferentes idades. Citou que esta reparação deve promover uma diminuição na profundidade das bolsas periodontais na região distal do segundo molar e que este processo é contínuo e de duração longa. Notou que nos pacientes até 25 anos de idade havia defeitos ósseos excedendo 4mm na região distal do segundo molar em 16,7% e 4,2% dos pacientes após dois e quatro anos respectivamente. Entre os pacientes acima de 25 anos de idade encontrou os mesmos defeitos ósseos em 40,7% e 44,4% dos pacientes após dois e quatro anos respectivamente. Afirmou que diversos fatores influenciam a reparação periodontal, tais como: condições orais locais (por exemplo: acúmulo de placa bacteriana, formação de bolsas, relação de posicionamento entre segundo e terceiro molar), imunidade do paciente e susceptibilidade individual às enfermidades periodontais.
RAJASUO et al.27 (1990) avaliaram a influência de extrações de terceiros molares parcialmente erupcionados sobre a microflora salivar de pacientes adultos jovens. Encontraram uma redução significante no número de bactérias na saliva desses pacientes, principalmente Streptococcus mutans e Lactobacilus após realizadas contagens dois e cinco meses da realização daquelas extrações. Os autores sugeriram que a região dos terceiros molares parcialmente erupcionados proporciona a formação de uni reservatório dessas bactérias em particular.
KUGELBERG et al.'5 (1991) avaliaram os efeitos da cirurgia para extrações de terceiros molares retidos sobre os tecidos periodontais nas adjacências dos segundos molares em pacientes adultos acima de 30 anos de idade e em adolescentes até 20 anos de idade. Após compararem variáveis clínicas e radiográficas tomadas no pré-operatório e um ano de pós-operatório concluíram: a reparação dos tecidos periodontais naquela região evoluía melhor quando as extrações são realizadas em pacientes jovens, principalmente quando os terceiros molares inferiores tinham acentuada angulação e proximidade com os segundos molares.
KUGELBERG et al.16 (1991) estudaram a influência de alguns
fatores anatômicos e fisiopatológicos sobre a reparação
periodontal após extrações de terceiros molares retidos. Foram
avaliados terceiros molares de indivíduos com média de idade de
27,2 anos . Dois anos após realizadas as extrações, avaliaram
variáveis clínicas e radiográficas dos casos e relacionaram os
seguintes fatores, em ordem de importância, com defeitos
intra-ósseos na região distal dos segundos molares: defeito
intra-ósseo no pré-operatório na região distal do segundo
molar; idade do paciente no ato da cirurgia; extensão da área
de contato entre segundo e terceiro molar;
reabsorção da raiz distal do segundo molar; bolsa periodontal
no primeiro molar adjacente; presença de folículo patológico
no terceiro molar.
WEISENFELD; KONDIS35 (1991) revendo a literatura sobre remoção profilática dos terceiros molares concluíram que urna avaliação final das chances de erupção normal dos terceiros molares deveria ser feita quando os mesmos apresentassem metade ou dois terços de rizogênese completa e que as extrações muito precoces são procedimentos complexos que aumentam o índice de complicações pós-operatórias. Como exemplo citam invasão do seio maxilar, lesões dos nervos alveolar inferior e lingual, grande destruição óssea e fistula buco- sinusal.
CARMICHAEL; Mc GOWANS (1992) pesquisaram a incidência de lesões nos nervos lingual e alveolar inferior nas exodontias de terceiros molares retidos, avaliando pacientes entre 16 e 30 anos de idade, chegando às seguintes conclusões: a incidência de alterações de sensibilidade no nervo lingual foi de 15% dos casos operados, avaliados seis a 24 horas de pós-operatório, regredindo à 0,6% após um ano. A incidência de alterações de sensibilidade no nervo alveolar inferior foi de 5,5% dos casos operados avaliados seis a 24 horas de pós operatório, regredindo à 0,9% após um ano à cirurgia. As cirurgias dos terceiros molares retidos totalmente intra-ósseos e também aqueles com posição horizontal foram responsáveis por maior incidência de lesões dos nervos citados.
INDRESANO et al.'1 (1992) revendo a casuística de um período
de seis anos sobre infecções dos espaços fasciais causadas por
complicações com os terceiros molares que exigiram
hospitalização, encontraram 31 casos relatados. Dos 31
pacientes identificados (média de idade de 31.8 anos ) 24
apresentavam alguma doença sistêmica ou fatores de riscos
(filmo, álcool, uso de drogas intra-venosas, hepatite, asma,
hipertensão, diabete e outras) (Tabela3). Os dentes mais
comurnente envolvidos foram os terceiros molares inferiores (29)
e a maior parte apresentava retenção óssea incompleta e
pericoronarite prévia.
PROBLEMAS MÉDICOS OU OUTROS FATORES DE RISCO EM PACIENTES
QUE DESENVOLVERAM INFECÇÕES EM ESPAÇOS FASCIAIS PROFUNDOS
ATRIBUIDOS AO TERCEIRO MOLAR
Comprometimento médico de Pacientes
Fumo
Abuso de álcool
Abuso de drogas intravenosas
Hepatite B
Asma
Hipertensão
Diabete
Infarto
Enfermidade vascular periférica
Trombose venosa profunda
Infecção tracto urinário
INDRESSANO et al.11 (1992)
Nota: alguns pacientes apresentaram mais de um problema médico ou fator de risco.
KNUTSSON et al.12 (1992) entrevistando cirurgiões buco-maxilo-faciais e cirurgiões dentistas clínicos gerais sobre a necessidade de extração de terceiros molares concluíram que é grande a variação de opinião entre eles. Estes profissionais examinaram 36 terceiros molares retidos assintomáticos, previamente selecionados. Os autores observaram que nenhum terceiro molar foi indicado para exodontia por todos os observadores, nos dois grupos; os cirurgiões buco-maxito-faciais foram unânimes em não extrair 11 molares; já os clínicos gerais foram unânimes em não extrair dois deles apenas.
MERCIER; PRECIOUS21 (1992) fizeram uma revisão da literatura científica sobre os riscos e benefícios da cirurgia dos terceiros molares. Concluíram que a extração foi a melhor estratégia a ser seguida quando não havia chances de erupção dos terceiros molares, principalmente se o paciente era jovem.
PETERSON25(1992), revendo a literatura científica sobre a justificativa para extrações de terceiros molares retidos, afirmou serem estes os procedimentos mais comuns na cirurgia oral e maxilo-facial e referiu-se á pericoronarite como sendo a principal indicação para essas extrações. Destacou ainda que essas extrações deveriam ser realizadas, se possível, em pacientes jovens, favorecendo assim a reparação periodontal da região operada. Resume afirmando que embora nem todos dentes retidos causem problemas significantes, cada um deles tem este potencial.
CHIAPASCO et al.6 (1993) avaliaram em sua casuística de
extrações de terceiros molares retidos mandibulares e
maxilares, em pacientes de 18 a 67 anos de idade, a incidência
de acidentes e complicações nessas extrações. Foram obtidos
os seguintes dados : as complicações trans-operatórias nos
terceiros molares inferiores aconteceram em 1,1% dos casos e
foram representadas por sangramento excessivo e danos às
restaurações dos segundos molares as complicações
pós-operatórias nos terceiros molares inferiores aconteceram em
4,3% dos casos e as principais foram abscessos tardios e
alveolites. Nos terceiros molares superiores as complicações
transoperatórias totalizaram 4,0% e foram representadas
principalmente por fraturas do osso alveolar e comunicação
buco-sinusal; já as complicações pós-operatórias ficaram em
torno de 1,2% sendo mais comum a alveolite. Foi concluído
também que nos pacientes acima de 25 anos de idade houve
DAWSON et al.8 (1993) descreveram um caso de um terceiro molar
maxilar retido deslocado para fossa infratemporal durante
tentativa de extração, em uma paciente de ~8 anos de idade, que
foi removido usando-se acesso intra-oral e acesso extra-oral.
LEUNG et al.'7 (1993) estudaram a microflora de capuzes
pericoronários em terceiros molares inferiores parcialmente
erupcionados. Foram examinados através da leitura em
microscópio e cultura para anaeróbios, as amostras obtidas da
região. A microflora encontrada consistiu de um complexo de
cocos gram-positivos e gram-negativos, filamentosos,
espiroquetas, bastonetes e bastonetes móveis, sendo muito mais
pronunciada nos pacientes com pericoronarite. Peprostreptococcus
micros e/ou anaerobius, Streptococcus anginosus, Actinomyces
viscosus, Propionibacterium acnes Bacreroides capiliosus,
Bacteroides gracilis, Capnocytophaga spp, Porphyromonas
gingivalis e Campylobacter rectus foram as principais espécies
mais evidentes nesses pacientes. Os autores afirmam que esta
microflora é similar àquela presente nas bolsas periodontais.
LYSSEL; ROHLIN19 (1993) pesquisaram as justificativas para extrações de terceiros molares retidos assintomáticos relacionando-as com os possíveis processos patológicos que envolvem estes dentes. Foram ouvidos cirurgiões dentistas clínicos gerais e cirurgiões buco-maxilo-faciais, os quais avaliaram 36 radiografias periapicais de terceiros molares inferiores assintomáticos. Foram indicados para extração 34,7 e 28,1 terceiros molares pelos clínicos gerais e cirurgiões buco-maxilo-faciais respectivamente. A correlação entre o número de molares propostos para extração e o índice de indicação foi alta: 0,70 para clínicos gerais e 0,93 para cirurgiões buco-maxilofaciais. A correlação entre o índice de indicação para extração e a probabilidade de desenvolvimento de patologias foi elevada: 0,58 e 0,85 para clínicos gerais e cirurgiões buco-maxito-faciais, respectivamente. Os possíveis processos patológicos que influenciaram nas decisões foram: formação de cistos em primeiro lugar, seguida por pericoronarite para os clínicos gerais; e pericoronarite em primeiro lugar seguida de cárie no segundo molar, para os cirurgiões buço-maxilo-faciais.
SANDS et al.29 (1993), revendo a literatura sobre a cirurgia dos terceiros molares, afirmaram que em relação aos terceiros molares sintomáticos ou patológicos não há dúvidas em extrai-los, porém é pouco clara qual a melhor conduta quando este dente acha-se assintomático. Encontraram ainda como maior causa para extrações as pericoronarites, principalmente em pacientes entre 20 e 29 anos de idade, logo em seguida problemas periodontais nas adjacências do segundo molar, reabsorção do segundo molar e desenvolvimento de cistos, todas essas últimas principalmente, em pacientes com mais de 30 anos de idade.
VENTA et al.33 (1993) pesquisaram a relação existente entre carcinomas de boca e terceiros molares. Encontraram cinco casos nos quais os sintomas agudos ou crônicos relacionados com a erupção dos terceiros molares mascararam e adiaram o diagnóstico precoce do carcinoma espino celular. Todos os pacientes (entre 32 a 69 anos de idade) apresentaram episódios prévios de dor, edema e linfoadenopatia na região por longo período de tempo, sendo o diagnóstico de carcinoma espino-celular confirmado somente após as extrações e exame histopatológico dos folículos dentários e mucosa adjacente. Os autores recomendaram atenção durante o exame clínico de terceiros molares retidos sintomáticos, principalmente se o paciente apresenta riscos adicionais de câncer bucal (fumo, álcool, drogas imunossupressoras e má higiene oral).
KOERNER'3 (1994) avaliou fatores relacionados à remoção dos
terceiros molares baseando-se na literatura específica. Dentre
outros aspectos estudados relacionou a morbidade dessas cirurgias
com a idade dos pacientes, ressaltando características especiais
das retenções dos terceiros molares nos pacientes jovens e
idosos (Tabela 4).
TABELA 4- DIFERENÇAS NOS TERCEIROS MOLARES E ESTRUTURAS DE
SUPORTE DE ACORDO COM A IDADE
Em pacientes com 16-18 anos de idade o dente e estruturas de suporte têm as seguintes características:
1. Coroa envolvida em folículo com cerca de 2 mm de espessura
2. O espaço do ligamento periodontal corri cerca de 0,25 mm de
espessura
3. Raízes não completamente desenvolvidas (usualmente metade a
três quartos formadas).
.raízes sem dilacerações
.nenhuma hipercementose
.geralmente, não há proximidade com o c~a1 mandibular ou risco
de parestesia do nervo alveolar inferior.
Em contraste, em um paciente idoso (35-40 anos de idade),as características são:
1 Espaço folicular ocupado com osso denso
2.Espaço de ligamento periodontal atrofiado e estreito
3.Osso adjacente usualmente é denso e mais friável que em
pessoas jovens.
KOERNER13 (1994)
PALMIERI24 (1994) avaliando prontuários e radiografias de pacientes que se submeteram a extrações de terceiros molares retidos, concluiu que: a faixa etária predominante foi de 15 a 19 anos de idade; as retenções mandibulares foram mais freqüentes que as maxilares; a maioria dos dentes inferiores era mésio-angular e situava-se entre a borda anterior do ramo da mandíbula e a face distal do segundo molar, tendo seu plano oclusal entre o colo anatômico e a superfície oclusal do segundo molar.
PIRTTINIEMI et al.26 (1994) estudaram as alterações que ocorrem nos arcos dentais de pacientes na terceira década de idade após serem realizadas todas extrações dos terceiros molares. Utilizaram registros estomatognáticos completos, incluindo a confecção de modelos em gesso no pré-operatório e um ano após as extrações. Os resultados do estudo mostraram que houve aumento no comprimento dos arcos dentais, mais evidente no arco mandibular e que essa alteração devia-se à movimentação dos segundos molares nos sentidos posterior e lateral, mantendo-se a região anterior dos arcos dentários praticamente sem variações dimensionais.
THURNWALD et al.32 (1994) avaliaram em pacientes adultos jovens as alterações ocorridas nos dentes inferiores após as extrações dos terceiros molares retidos. Foram confeccionados modelos em gesso um dia antes e 12 semanas após realizadas as extrações e medida a extensão do arco inferior usando pontos pré-determinados. Concluíram os autores que: houve aumento na extensão (comprimento) do arco inferior na região de molares, principalmente quando no pré-operatório os segundos molares tinham inclinações para lingual; quando as retenções eram bilaterais e mesio-angulares esse aumento foi mais pronunciado.
LOPES et al.'8 (1995) pesquisaram as indicações para a cirurgia, as queixas pós-operatórias e a satisfação dos pacientes que foram submetidos às extrações dos terceiros molares. Para coletar os dados da pesquisa enviaram questionários no pré e pós-operatório (imediato, um ano após a cirurgia e dois anos após a cirurgia) aos cirurgiões e aos pacientes. Concluíram que: a principal razão para extração foi a pencoronante, seguida de dor, cárie, razões ortodônticas, cistos e problemas periodontais; curiosamente mais da metade das extrações realizadas não tinham clinicamente indicações lógicas; as queixas pós-operatórias principais foram dor, edema, trismo e parestesia do lábio inferior ou língua e 99% dos pacientes mostraram-se satisfeitos com o tratamento recebido.
TEVEPAUGH; DADSON31 (1995) avaliaram os terceiros
molares inferiores como fatores de risco para fraturas de ângulo
da mandíbula. Casos de diversos tipos de fraturas na mandíbula
foram examinados através de
prontuários e radiografias panorâmicas. Dos pacientes que
apresentavam terceiros molares, 41% tinham fraturas de ângulo;
dos pacientes sem terceiros molares apenas 10,7% tinham fraturas
de ângulo. Através deste resultado concluíram que pacientes
que apresentam fraturas de mandíbula e terceiros molares estão
3,8 vezes mais susceptíveis a fraturas na região de ângulo de
mandíbula.
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