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MADAME DE STAËL

Página de Filosofia Contemporânea
escrita por Rubem Queiroz Cobra
(Site original: www.cobra.pages.nom.br)

II PARTE
(Para voltar ao início clique em Parte I)

Em abril de 1806 Madame de Staël arrisca-se a ir à França, enquanto Napoleão fazia a guerra da Prússia e da Polônia.. Auguste cursava preparatórios para entrar na Escola Politécnica, - onde Napoleão impedirá que ele se matricule -, e ela desejava acompanhar seus estudos. Para tal necessitava estar a pouca distancia de Paris, violado o limite fixado para seu afastamento da capital. Instalou-se sucessivamente em Auxerre e Rouen e por último, com a conivência do amigo Fouchet, ficou, de fins de novembro a abril de 1807, a apenas doze léguas de Paris, no castelo d’Acosta, próximo a Meulan, onde conclui o Corinne. Constant então lê para ela o seu Adolphe. Ela se vê retratada pejorativamente no romance, e lhe faz uma cena violenta.

Ao retornar ao país, no início de 1807, Napoleão se irrita ao saber que Madame de Staël está novamente próxima de Paris, e ela recebe ordem de partir. Receosa, em abril ela volta para Coppet após passar clandestinamente alguns dias em Paris. É publicado em Paris ao fim de abril ou início de maio, o romance Corinne, ou l’ltalie, que alcança grande sucesso. A personagem Corina, meio italiana, meio inglesa, guia um lorde escocês pela Itália. Leva-o a conhecer os lugares históricos mais sagrados da cidade, tanto da república romana quanto do cristianismo, e os esplendores do Renascimento. O romance está ambientado também nos campos e nas vilas italianas. O personagem Oswald é acusado de franqueza e irresolução, resultante do abalo de suas posições patriarcais por estar submetido a uma mulher inteligente a quem ama e obedece.

O povo lê com interesse as aventuras de de Corinne e lorde Oswald. Mas o livro também levanta comentários jocosos e Constant se sente visado por artigos de críticos que vêm nas duas personagens a própria autora e seu amante.

O grupo de Coppet, no qual liberais e monarquista se misturam, reúne Constant, Juliette Récamier e vários escritores românticos, franceses, alemães, e de outros paises, que vêm confraternizar e trabalhar, escrever, encenar peças e traduzirem suas obras. Recebeu uma visita de alguns meses do  Príncipe Augustus da Prússia. No outono ela escreve o drama Geneviève de Brabant. O preceptor Schlegel publica Comparaison entre la Phèdre d’Euripide et celle de Racine, obra que levanta polêmica na imprensa.

Em dezembro de 1807 viajou para passar um ano em Viena, na corte do Príncipe de Ligne. Enquanto está em Viena, Napoleão concede uma audiência, em Chambéry, a seu filho Auguste de Staël. Ele pede inutilmente ao imperador permissão para a mãe voltar a residir em Paris.

O inverno desse ano é brilhante e festivo para ela, em meio à sociedade vienense. Freqüenta o teatro e se liga ao Marechal de Campo Conde Maurice O’Donnell, de 27 anos, filho do Ministro das Finanças da Áustria, caso que termina ao fim do verão. Vê muito ao príncipe de Ligne e trabalha com ele em uma antologia de textos. O preceptor Schlegel. dá um curso de literatura dramática. Em 22 de maio ela deixa Viena. Por volta de 6 de julho já está em Coppet e começa a escrever o De l’Allemagne. ( filhilho do .

Recebe em Outubro e novembro a Voght, o filantropo, e Oehlenschläger e Zacharias Werner, dramaturgos. Ela encena sua peça La Sunamite. Em fins de novembro ela se instala em Genève. Em meiados de dezembro ela encena sua comédia La Signora Fantastici.

Em 1809, passa o inverno em Coppet. No início de fevereiro, publica com grande sucesso as Lettres et pensées du prince de Ligne. Instala-se de volta em Coppet no fim de abril, para passar o verão. É visitada por Charlotte de Hardenberg, que lhe revela seu casamento secreto com Benjamim Constant, ocorrido em junho do ano anterior, um golpe emocional para ela, mas concorda que o segredo seja mantido.

Em abril de 1810, tendo terminado os três volumes do De l'Alemagne, ela desejou supervisionar a impressão da obra, apesar de ter que violar o limite que lhe fora imposto de 40 léguas de Paris. Ela consegue instalar-se nas vizinhanças de Blois, no antigo castelo de Chaumont-sur-Loire, onde havia residido Catherine de Medicis. O proprietário, Monsieur Le Ray, amigo da família, achava-se em viagem aos Estados Unidos. Lá recebe numerosos amigos, inclusive Constant. Dá início à impressão do De l’Allemagne. Com esta nova obra, que ela havia começado a redigir em 1808 e termina em 1810, queria que os franceses aprendessem tudo sobre a Alemanha: aspectos físicos e culturais, e a sua história. É um estudo profundo dos hábitos alemães, sua literatura e arte, sua filosofia, moral, e religião, no qual ela revela aos seus contemporâneos a Alemanha do movimento Storm und Dran ocorrido de 1770 a 1780. Ela se interessa  pelo conde de Balk, mas a ligação terminará em outubro.

Com o retorno de viagem dos proprietários do castelo de Chaumont, Madame de Stael muda-se, em agosto, para uma casa de fazenda chamada Fosse, colocada à sua disposição por um generoso amigo. Morava na fazenda um soldado, que a serviu com grande prestimosidade. Sua grande amiga, Juliete Recamier, considerada uma das mais belas mulheres da França, veio visitá-la. Os camponeses e moradores da vila próxima vinham ver pelas janelas, curiosos, aquelas pessoas diferentes, que tocavam instrumentos, cantavam, declamavam. Certo dia, tendo ido ao precário teatro em Blois ver a representação da ópera Cinderella, os curiosos a seguiram pela rua, interessados em conhecer a nobre senhora exilada.

Nesse ambiente bucólico, ela termina, em setembro, de corrigir as provas do De l’Allemagne, encerrando 6 anos de trabalho. A obra é impressa, mas não chega a ser distribuída. Germaine fora visitar Mathieu de Montmorency, que possuia um castelo em meio à floresta, a cinco léguas de Blois. Na sua ausência, seus filhos e amigos na fazenda Fosse receberam a notícia de que os livros já impressos haviam sido confiscados na Editora e destruídos pela polícia. O filho Auguste foi avisá-la e ela, retornando a Fosse no dia seguinte, foi obrigada a entregar os manuscritos ao prefeito de Loir e Cher. Mas lhe passou apenas um rascunho, que ele aceitou, enquanto os originais haviam sido escondidos por Auguste. Sua indignação é grande, uma vez que a obra havia recebido aprovação da censura e permissão para ser impressa. Ela pensou em seguir para a Inglaterra, mas foi indiretamente impedida pelo Chefe de Polícia, que proibiu seu embarque por qualquer dos portos do Canal, onde navios americanos poderiam transportá-la para um porto inglês.

Como Corinne, ou De l'Italie, o romance Delphine, ou De l’Allemagne continha uma crítica implícita da política de Napoleão, e ele viu o perigo; considerou o livro anti-Francês. Porém, como os originais e muitos textos de prova escaparam à polícia, o livro pôde ser publicado na Inglaterra em 1813.

O Corinne pode ser considerado o resultado de seu passeio na Italia, assim como os frutos de sua visita à Alemanha estão contidos no De l’Allemagne. Em Delphine, ela se concentrou sobre a sociedade parisiense, seus salões, as dificuldades provocadas pela Revolução aos seus eventos intelectuais e festivos. Corinne, mulher de gênio, poetiza et artista, é ela também vítima de uma sociedade inglesa repressiva. A Inglaterra não é um bom modelo de liberdade social, tanto quanto é um modelo de política constitucionalista. E, como sempre, as mulheres são as primeiras vítimas. Mas a maior parte do romance se passa na Itália. 

Nos primeiros dias de outubro de 1810, ela parte para Coppet; estando a Suíça também sob o domínio de Napoleão, ela é permanente vigiada, e proibida de escrever e publicar qualquer coisa. Napoleão dá ordens, o Prefeito de Genebra se encarrega de cumprir.

Em maio de 1811, por prescrição médica, ela leva Albert, o filho mais novo, para banhos no balneário de Aix, na Savoia, a 20 léguas de Coppet. Ela comunicou ao prefeito essa ausência. Dez dias depois o prefeito enviou um emissário com uma ordem para ela retornar. Assim como fora proibida de embarcar em qualquer porto do canal da Mancha, agora estava proibida de alugar cavalos a qualquer postilhão, para assim impedi-la de deixar a França e viajar para a Inglaterra.

 Schlegel, que por oito anos fora preceptor dos filhos de Madame de Staël, recebe ordem de deixar Genebra e se afastar de Coppet. Seus filhos também foram proibidos de ir sem licença à França, uma punição por terem os dois rapazes tentado falar com Napoleão, em favor de sua mãe. O filho Auguste fica impedido de entrar para a Escola Politécnica.

Em novembro se instala em Genebra, para o inverno. Reencontra o jovem oficial "John" Rocca, de 23 anos, que fora ferido na guerra da Espanha e dispensado dos granadeiros, e que se apega a ele com paixão.

Em fins de fevereiro de 1811, Capelle substitui a Barante pai na prefeitura de Léman. A vigilância sobre ela redobra. O prefeito de Genebra comunica-lhe que não poderia se afastar de Coppet mais de duas léguas. Os amigos de Paris já não a visitavam, para não se indisporem com Napoleão. Ela se vê sem poder receber os amigos, cuidar convenientemente dos filhos, sem poder publicar suas idéias.  Por insistência do preceptor Schlegel, ela pensa em fugir.

No decorrer do ano, Madame de Staël começa a escrever o que seria mais tarde o livro Dix années d’exil; ao mesmo tempo escreve e publica o drama Sapho, les Réflexions sur le suicide, que lembra o personagem de Corina sobre o fundo trágico da mulher genial vítima do amor. Reúne, também,  elementos para um projeto a respeito de Ricardo Coração de Leão, em cuja vida é comumente buscada a origem das idéias liberais. Interessa-se também pela recem divulgada filosofia de Kant, que lhe parece capaz de nutrir a filosofia francesa.

Ela faz planos para fugir da Suíça. Deseja voltar à Inglaterra e examina o mapa da Europa procurando um itinerário que ficasse fora da jurisdição de Napoleão e não vê outra possibilidade senão passar pela Rússia, que já se achava na iminência de ser conquistada pelo Imperador, e de lá alcançar a Suécia, de onde poderia seguir para Londres. Havia o problema do passaporte: como requerer ao imperador Alexandre da Rússia sua entrada no país, sem que o embaixador francês naquele país tivesse notícia de sua viagem?

Um grande lenitivo foi Mathieu de Montmorency aceder em visitá-la. Apesar da proibição de deixar Coppet, ela foi recebê-lo em Orbd, e visita com ele vários pontos de interesse na Suíça, acompanhados do filho Auguste. Quando retornaram, o prefeito de Genebra censurou-a pela desobediência mas prometeu que não comunicaria o fato às autoridades em Paris.

Em 1811 casou secretamente com o oficial suíço, seu amante. Em abril do ano seguinte dá à luz secretamente em Coppet a Louis-Alphonse Rocca.

Os dias que o Senhor de Montmorency passou em Coppet custaram-lhe a perseguição do Imperador. O correio que levou a notícia de que ele estava em Coppet, voltou com a carta de seu banimento da França. Pouco depois o mesmo aconteceria a sua bela amiga Madame Recamier, que ao dirigir-se ao balneário de Aix na Saboia, pretendia deter-se em sua casa para uma visita. Apreensiva com essa notícia, ela enviou um mensageiro encontrar Madame Recamier no caminho para convencê-la a não passar por Coppet, mas a amiga insistiu e Madame de Stael chorou convulsivamente ao abraçá-la quando entrou no castelo. A amiga não escapou ao mesmo golpe que atingirá o Senhor de Montmorency: foi desterrada em razão de sua visita de poucas horas a Madame de Staël. Em agosto, o Senhor de Montmorency deixou Coppet, por insistência de sua família em distanciá-lo da baronesa.

A fuga. Dividida entre o desejo de escapar para a Inglaterra, os riscos da viagem e a possibilidade de nunca poder voltar a sua terra natal e seu circulo de amigos, ela perambulava pelo jardim do castelo imersa em pensamentos. Permanecer na Suiça, pais que estava subjugado pelo Imperador - como de resto quase toda a Europa -, era esperar que o círculo finalmente se fechasse inteiramente e ela terminasse presa ou fosse executada. E se perguntava o que seria de seus filhos se tal acontecesse. Por outro lado, tinha recursos suficientes para a viagem, por longa e dispendiosa que fosse, e também para viver em Londres. Começou a se preparar secretamente para fugir, antes que a última rota de fuga se fechasse. E essa rota exigia uma longa volta pelos confins da Europa.

Rezou uma hora diante do túmulo de seu pai e então sentiu-se convencida da necessidade de partir. Em 23 de maio de 1812, no meio da tarde, deixou o castelo com os filhos, sem levar nenhuma bagagem. Os criados de nada sabiam. Avisou que voltaria à hora do jantar. O filho mais novo permaneceria em Coppet. O filho mais velho e o oficial Roca levavam nos bolsos o dinheiro necessário para os primeiros dias de viagem. Viajaram toda a noite e no dia seguinte, até uma casa de fazenda depois de Berna, onde havia combinado de entrar o preceptor Schlegel, que havia se oferecido para acompanhá-la na fuga.

Depois de acompanhá-la no primeiro dia de viagem, seu amante Roca retornou a Genebra para concluir alguns negócios e voltar a encontrá-la mais à frente.. Também despediu-se do filho mais velho, que estava com a grave responsabilidade de obter do embaixador da Áustria, para os fugitivos, em Berna,  os vistos para a entrada naquele país e retornaria a Coppet. O filho mais novo, Albert, deixaria o castelo para juntar-se à mãe em Viena levando seus criados e a carruagem própria para longas viagens. Somente esta segunda movimentação foi notada pela polícia, mas Madame de Stël já se encontrava fora de seu alcance.

Em  Insbruck visita o túmulo do Imperador Maximiliano. Continuando, chega a Salzburg, capital do bispado de mesmo nome, onde recebe a aterrorizante notícia de que um agente do governo francês havia indagado por uma carruagem vinda de Insbruck na qual viajavam uma senhora e sua filha, e estava na estrada para interceptá-la. Madame de Staël aterrorizada, combinou com Schelegel – igualmente alarmado – que buscaria um esconderijo na cidade, e que ele continuaria com sua filha para a Áustria. Caso fossem alcançados pelo agente, diriam que ela já se encontrava na Áustria e que iam se juntar a ela. Ela esperaria em Salzburg mais alguns dias e depois iria para a Áustria disfarçada de camponesa. Quando iam por em prática o plano, apareceu seu amante Roca na estalagem: era ele o agente! Ele se fizera passar por emissário do governo francês afim de ser atendido com mais rapidez na troca de cavalos e, seguindo por outro caminho, conseguiu chegar antes dela à fronteira da Áustria e inteirar-se de que a a passagem estaria aberta para ela. Imensamente aliviada e feliz, saiu a passear com a filha e os amigos, para conhecer a cidade. Aguardou na Abadia de Molk o filho Albert que deveria juntar-se a ela trazendo outro carro, os criados e sua bagagem.

A Áustria, com sua moeda desvalorizada e os altos impostos determinados por Napoleão, não era o mesmo país feliz que ela visitara quatro anos antes. Ela chegou em Viena a 6 de Junho, e logo solicitou ao embaixador russo um passaporte para a Rússia. Não teve a mesma recepção que da vez anterior em que estivera em Viena, porque os príncipes estavam em uma conferência convocada por Napoleão, em Dresden.

Os primeiros dez dias em Viena passaram desanuviados e apesar da ausência dos soberanos, que estavam... achou-se em meio a uma sociedade cujo modo de vida correspondia ao seu próprio refinamento. Porém a situação mudou depois que o chefe de polícia recebeu instruções a seu respeito: passou a ser vigiada de perto. Era seguida por espiões em qualquer lugar que fosse. Constrangida com aquele acossamento ostensivo, decidiu prosseguir viagem, sem receber os passaportes russos. Relata que deixou um de seus companheiros na capital austríaca, incumbido de alcançá-la mais à frente com os passaportes, assim que os recebesse.

Deteve-se por alguns dias em Brunn, capital da Moravia, e passando por Lanzut, chegou à fronteira russa em Brody. Por toda a Polônia, em cada posto de troca, sua carruagem era assediada por judeus que ofereciam objetos, mendigos barbudos e por soldados ou funcionários que inspecionavam o veículo e os passaportes dos viajantes. Havia em todos os postos policiais o aviso de que seus passos deveriam ser cuidadosamente vigiados. A polícia austríaca enviou também a descrição de Rocca a todos os postos ao longo do caminho com ordem pois havia ordem de prisão para ele devido a ser um militar francês e estar protegendo uma inimiga do Imperador - , e se fosse preso seria recambiado à França e, por ser um oficial, lá seria executado por traição. Ele passou a viajar em separado, disfarçado e com um nome falso.

Madame de Satël ansiava por encontrar na Polônia, em Lanzut, o príncipe Henry Lubomirska e sua esposa, os quais ela havia hospedado em Genebra por vários prazerosos dias. No início de julho chegou ao principado. A visita seria rápida, porque Napoleão havia declarado guerra à Rússia e o avanço do seu exército poderia cortar-lhe o caminho para o Báltico. Essa visita foi traumática. Foi obrigada a admitir a companhia de um policial insolente e grosseiro, e sua irritação foi tão grande que teve um ataque de histeria, e seu filho e e o preceptor Schlegel, ajudados pelos criados tiveram que tirá-la da carruagem e sentá-la à beira da estrada até recuperar-se. Seus sobressaltos não terminaram aí, porque seu amante, o oficial Roca, que viajava em separado e incógnito -já havia se antecipado a ela e, sem saber que ela estava acompanhada de um policial, veio recebê-la junto com o príncipe à entrada do castelo; poderia ter sido preso, se ela não lhe fizesse sinais para afastar-se. Quando entendeu toda a situação o príncipe não apenas aceitou à mesa o repugnante espião, como também proporcionou meios a Rocca de escapar sem ser notado.

Madame de Stael passou uma noite no castelo. O policial tinha ordens inclusive de dormir no mesmo quarto que ela, pois não devia perde-la de vista por um instante sequer. Mas renunciou a esse dever, que com certeza seria impedido por todos de cumprir. Não deu mais nenhum trabalho, depois que a secretária do príncipe fez que os criados o deixassem bêbado.

Apesar de extremamente abalada emocionalmente, Madame de Staël continuou sua viagem, passando por Leopol (Lemberg ou, em Polonês, Lwow), capital da Galicia (a Polônia ocupada pela Áustria, atual Ucrânia), onde obteve permissão para cruzar a fronteira russa (para a então Rússia kievana). Estava livre da perseguição a partir daquele dia que era exatamente 14 de julho, aniversário da Revolução Francesa.

A primeira pessoa com quem pôde conversar na Rússia foi um francês que havia sido funcionário do Banco de seu pai. Agora tratada com consideração e respeito, teve o oferecimento de um médico para ser seu intérprete. Foi informada de que a estrada para  Petersburg estava interrompida pelo avanço do exército francês em território russo e que teria que ir a Moscou para de lá seguir para aquela cidade, ponto de passagem para a Suécia.Seriam mais 200 léguas de viagem, e ela já havia percorrido 1.500. Atravessou a parte russa da Polônia. Em Kiev o grupo visitou catacumbas semelhantes às romanas. O governador da província cumulou os visitantes de gentilezas.

No restante do percurso até Moscou o seu cocheiro russo apressou os cavalos; a rapidez da viagem foi facilitada pelas planuras. Nos dias consumidos nesse trecho, anotou uma infinidade de detalhes a respeito da topografia, da agricultura, dos costumes, do comércio. Planuras de areia, florestas de bétulas, vilazinhas de casas de madeira separadas por grandes distâncias. Também cruzaram com tropas de cossacos com longas lanças nas mãos a caminho da frente de batalha. Em Orel e Toula foram tratados com grande hospitalidade. Foi recebida com apreço pelo governador da província e sua esposa. Para surpresa sua, por estar tão distante da França, pessoas de distinção vinham à estalagem em que estava para cumprimentá-la pela sua obra literária.

Encontrou Moscou em clima de preparação para a resistência às tropas invasoras de Napoleão. No início de agosto lhe foi permitido visitar o Kremlin. Conheceu o arsenal e os aposentos reais dos czares. Subiu ao topo da torre da catedral, de onde pode admirar toda a cidade. De Moscou seguiu, passando por Novogorod, para São Petersburgo, onde estava a família real.  Relata sua felicidade ao ver a bandeira inglesa em navios surtos no porto, para ela um símbolo de liberdade. Frente à sua casa havia uma estátua eqüestre de Pedro I. No dia seguinte à sua chegada recebeu o convite para jantar, de um dos mais ricos comerciantes de São Petersburgo.

Visitou a Igreja de Nossa Senhora de Casan, construída por Paulo I copiando a Igreja de São Pedro, em Roma. De lá foi ao convento de Santo Alexandre Newski. O ministro de assuntos estrangeiros da  Russia, Romanzow, dispensou-lhe muita atenção.O Conde de Orloff e esposa convidaram-na para passar um dia em sua ilha, onde estavam as residências de verão da nobreza e da própria família imperial. Foi recebida pelo Imperador e pela Imperatriz na residência imperial, e visitou a mãe do Imperador no palácio de Taurida. Em fins de agosto, no palácio do príncipe Narischkin participou de uma festa interminável, durante a qual o conde propôs um brinde aos exércitos unidos da Rússia e da Inglaterra e fez disparar canhões de sua artilharia ao momento do brinde. A primeiro de setembro E prestou homenagem a Catherine II visitando o palácio Czarskozelo, de magníficos jardins. Visitou o museu de história natural e o Instituto Santa Catarina, criado pela Imperatriz para a educação de moças, tanto da nobreza quanto do povo.

Em fins de setembro deixou Petersburg e seguiu por terra para Abo (em finlandês, Turku), antiga capital da Finlândia, antes do domínio russo (1809). Grande número de seus novos amigos vieram despedir-se dela, de Schlegel e de seus filhos.Durante o trajeto pela Finlândia dedicou-se a observar com a mesma acuidade e interesse a fisiografia - contrastando os rochedos e montanhas graníticas com as planuras e os pântanos da Rússia - o tipo físico da população e os costumes. Não havia castelos de nobres onde se hospedar: hospedava-se em casa de Pastores da Igreja, como era costume para os viajantes naquele país.

Em Abo embarcou para Stockholm. Foi-lhe de grande apoio o preceptor Schlegel, que tudo fez para dissipar seu horror de navegar entre as ondas gigantescas do Mar Báltico, em um frágil barco, em grande parte com ventos desfavoráveis que atrasaram a travessia. Passando pela ilha de Aland, chegaram a Stockholm, onde ela foi cercada de estima pela sua envergadura intelectual e de respeito por ser baronesa naquele país. Sua primeira preocupação foi utilizar as notas do seu diário de viagem e escrever grande parte do rascunho para o Dez anos de exílio, que pretendia publicar.

Passa quase um ano na capital sueca, de 24 setembro de1812 a junho de 1813. Começa a escrever a vida de seu pai, exaltando suas ações no governo, e narra os episódios dos dias negros da Revolução. Posteriormente ampliou o texto com uma síntese de suas próprias propostas de reforma, inspiradas no sistema político inglês, e alterou o título para Considérations sur les principaux Evénémens de la Revolution Française; mas não chegou a publicá-lo, tarefa de que se encarregaram seu filho e seu genro – o barão Auguste de Staël e o duque de Broglie.

Em janeiro de 1813 publica Réflexions sur le suicide, no qual ela condena algumas idéias que ela havia por muito tempo sustentado. A 18 de junho chega em Londres onde foi recebida com entusiasmo. Seu guia na Inglaterra foi Sir James Mackintosh, um editor Escocês. As observações que fez no país ela incluirá em seu livro Considerations sur Ia Révolution francaise, no qual abordará a vida e as idéias constitucionalistas de seu pai, e mostrará a Inglaterra como um modelo de sistema político para a França. Em Londres ela reencontra o futuro rei Louis XVIII em quem ela vê o homme capaz de realisar a Monarquia Constitutional na França. Porém percebe também a má influência que tem sobre o futuro monarca os arrogantes refugiados franceses que o cercam.

Pouco depois de chegar a Londres tem notícia de que o filho Albert, fora morto em um duelo, na Suécia.

O De l’Allemagne, proibido na França, é editado em francês, em Londres. Edita alguns novos trabalhos e outros mais antigos, que aguardavam publicação: Zulma e três novelas, e o seu Essai sur les fictions.

Em abril de 1814 ocorre a abdicação de Napoleão. Com a queda do Império ela pode retornar a Paris, e se instala em Clichy. Porém estava profundamente decepcionada com o fracasso da Revolução, o período napoleônico e o retorno iminente da monarquia.. Ela aceita os Bourbons a contragosto. Ela lamenta a adesão de Benjamim Constant, mas aprovará o Ato Adicional que ele redigiu é promulgado a 20 de abril. Já em maio reabre em  Paris o seu salão e volta a receber príncipes, ministros e generais. Providencia a tradução do livro Cours de littérature dramatique, do preceptor Schlegel, por Albertine Necker de Saussure, sua prima, e o publica. Porém, com o retorno imprevisto de Napoleão, durante os 100 dias em que consegue escapar aos ingleses e reassumir o governo, está obrigada a novamente deixar Paris. De 19 de julho a 30 de setembro se reinstala em Coppet onde recebe a solidariedade de inúmeros amigos, principalmente ingleses, também obrigados a fugir de Paris. Madame Récamier, hospedada em seu castelo, é cortejada apaixonadamente por Benjamim Constant.

A Restauração. Em setembro de 1815, Madame de Staël adere e apóia aos  Bourbons, após a aventura dos Cem-Dias de Napoleão e sua derrota pelos ingleses em Waterloo.

Em janeiro de 1816, está em Milão, e publica De l’esprit des traductions, e depois vai passar o resto do inverno em Pisa para cuidar de Rocca, que está muito doente. Em Piza, em fevereiro, é realizada a festa do casamento de sua filha Albertine com Achille-Léonce-Victor-Charles,  III Duque de Broglie (1785-1870), estadista liberal e diplomata, cujos pais foram prisioneiros durante o Terror. Seu pai foi guilhotinado em 1794, mas sua mãe havia conseguido escapar e fugir com os filhos para a Suíça. Para o verão daquele ano retorna  Coppet, onde Lord Byron, deixando a Inglaterra magoado com uma experiência matrimonial infeliz, foi encontrá-la. Uma sólida amizade desenvolveu-se entre a escritora e o poeta inglês.

Sua saúde estava declinando. Após a partida do amigo Bayron, ela retornou a Paris para passar o inverno onde encontrou muitos dos antigos monarquistas refugiados da Inglaterra e que não tinham simpatia por suas posições políticas. Apesar disso e da desconfiança com que foi recebida pela nobreza restaurada, ela reabriu seu salão, agora em sua nova casa à rua Royale, para encontro com intelectuais até a primavera.

Em fevereiro de 1817 ficou paralítica e presa ao leito, após um mal súbito durante um baile em casa do duque de Decazes. Em Abril sua saúde agravou-se. Faleceu em Paris na data significativa de 14 de Julho, em 1817, em uma casa onde os amigos se revezavam para assisti-la, na rua Maturins

Ao fundo de um bosque de faias ramadas, por trás do Castelo de Coppet, está o mausoléu em que repousam os restos mortais de Madame Necker, de seu marido e de sua filha Germaine. Ao tempo em que foram sepultados seus pais, eram duas cubas gêmeas de mármore cheias com aguardente de uva (espírito de vinho) em que estavam mergulhados os corpos; o mausoléu foi aberto para receber o sarcófago de sua filha, Germaine de Staël.

II - Pensamento

Madame de Staël não apenas se engajou na luta dos pensadores iluministas de sua época contra a influência da Igreja, mas também trabalhou pela definição dos princípios do Liberalismo tanto na França como na Suíça. Tornou-se um elo entre os adeptos do liberalismo de antes e de depois da Revolução. Advogava a maior liberdade individual possível, e chamou absurda a idéia de proceder de Deus a autoridade entre os homens. Era favorável à desapropriação das terras da Igreja e à abolição de todos os privilégios dos religiosos, que tinha como inimigos da Revolução. Considerava a República uma forma política adequada apenas aos pequenos países, enquanto as grandes nações deveriam ser Monarquias Constitucionais, conforme o modelo inglês. Seu pensamento, tanto político quanto feminista, está expresso principalmente em seu livro Considérations sur les principaux événements de la Révolution française ("Considerações sobre os principais acontecimentos da Revolução francesa") em que mostra os resultados nefastos da Revolução e o retrocesso que impôs ao seu país.

Ela havia retomado em Londres uma idéia antiga: a de escrever um livro sobre a vida política de seu pai. Porém não finalizou onde termina a carreira dele, de homem público. Prosseguiu, elaborando uma crítica do Consulado, do Império, e do início da Restauração. Assim, o que seria apenas a biografia de seu pai, tornou-se no livro Considérations sur les principaux événements de la Révolution française, com a adição da história do grupo liberal que ela indiscutivelmente liderou. Aborda nele os três primeiros anos da Rev,olução, e comenta o desencanto provocado pelas atrocidades do Terror, o fracasso do Diretório, a tirania da era napoleônica e o retorno à monarquia, que via com desconfiança. Termina o livro com uma síntese de suas propostas, inspiradas no sistema político inglês.

Política. Em seu Des circonstances actuelles qui peuvent achever la Révolution, faz um apelo ao bom senso dos franceses para acabar com o terror e restaurar a paz por meio de uma República. Educada como liberal, apesar de estimar Rousseau ela prefere seguir o pensamento de Montesquieu e as idéias constitucionalistas de seu pai, o ministro Necker. Convencida de que o Terror e suas conseqüências eram um desvio da história, não aceitou que se apagassem as luzes do Iluminismo. Suas idéias sobre a liberdade lhe valeram perseguições do poder e lhe custaram muito caro inclusive com respeito a sua vida íntima. Em sua opinião, a arte da política está em direcionar a opinião pública para um objetivo e depois apoiar-se nela no momento certo.

Ela pede o respeito ao que chama “três elementos dados pela natureza”, a deliberação, a execução e a conservação, necessários para garantir aos cidadãos sua liberdade, fortuna e uso tranqüilo de suas faculdades, e os recompensar pelo seu trabalho.

Reconhece, embora minimize, que, devido a que os nobres apóiam o despotismo como salvaguarda de seus privilégios, esta pode ser uma razão contra uma Câmara dos Nobres (pares do reino)

Religião e Estado. A grande questão de sua época foi a separação entre o Estado e a Igreja, a extinção do poder do Segundo Estado constituído pelos clérigos (O Primeiro Estado eram os nobres, e o Terceiro Estado os homens comuns). A religião deveria ser apenas o culto íntimo, sem envolvimento de interesses políticos. E em sua opinião, o dia em que os franceses deixassem de unir o que Deus havia separado a religião e a política , apesar do clero perder o seu poder e os seus privilégios, a nação teria uma religiosidade mais autêntica e sincera. Ela se indigna com a doutrina do Direito Divino dos reis, expressa no famoso dogma: todo poder vem de Deus; e quem resiste ao poder resiste ao próprio Deus. Ela contra argumenta lembrando que nos evangelhos está escrito “dê a Deus o que é de Deus e dê a César o que é de César”, uma evidência de que Cristo desejava que a religião que ele anunciava fosse considerada inteiramente estranha à política. E cita mais o trecho: “meu reino não é deste mundo”. Esse falso direito, de governar sem limites de poder, resultava na opressão permanente do povo e na corrupção do caráter do cidadão que tinha que desenvolver artifícios, os mais abjetos e escusos, para se colocar a salvo da arbitrariedade do governo.

O cristianismo trouxe de fato a liberdade, a justiça aos oprimidos, o respeito pelos que sofrem, e a igualdade perante Deus, da qual a igualdade perante a Lei é apenas uma imagem imperfeita. Mas as formas de organização social não podem dizer respeito à religião senão quanto à manutenção da liberdade e da justiça para todos, e da moral de cada um; o resto pertence à ciência deste mundo.

A liberdade. Para ela, os adversários da liberdade em todos os países – salvo alguns trânsfugas de entre os intelectuais – em geral são aqueles inimigos do conhecimento e das idéias; a necessidade de um governo livre – a monarquia constitucional para os grandes países, e a república independente para os pequenos –, é tão evidente que ela não acredita que alguém possa não reconhecer esta verdade. Mas há aqueles que ficaram amedrontados com a liberdade trazida pela Revolução, e que havia resultado nos crimes perpetrados por seus líderes. Outros pensam que aceitar uma idéia filosófica, como a do amor à liberdade, implica tornar-se ateu. Há, ainda, os que consideram de mau gosto meter-se na política: dizem que o povo escolhe sempre mal. 

 A felicidade. No De l’influence des passions obra na qual havia trabalhado desde 1792 e publicou em 1796, revela-se pessimista, descrente de que seja um meio seguro de buscar a felicidade permitir que ela dependa dos outros, como na amizade, ou mesmo quando é buscada nobremente no triunfo e na glória. O sábio deve contentar-se com aquilo que não dependa senão dele mesmo, e encontra a felicidade na serenidade da reflexão, do estudo, e do progresso intelectual.

Educação. Em 1800, Madame de Staël publica sua primeira grande obra : De la littérature considérée dans ses rapports avec les institutions, um trabalho complexo, cuja teoria fundamental era que uma obra literária deve refletir a moral e a realidade histórica do país em que é escrita. Este foi considerado o primeiro livro importante do novo século. Nele ela aborda a evolução da literatura e do pensamento filosófico através de diferentes tipos de sociedades, de governos, e de religiões. Na última parte do livro, como já fizera em Des circonstances actuelles, faz um vaticínio sobre a literatura do futuro e insiste na importância do teatro para a educação do povo, e no valor da eloqüência política no regime republicano.

Feminismo: O pensamento de Madame de Staël com respeito à mulher encontra-se principalmente nos livros Corine, Delphine, no Réflexions, e em um dos capítulos finais do Consideration.

No Delphine, de 1802, o enfoque é o de uma mulher que, conhecendo o mundo e suas misérias, faz uma análise do sofrimento humano – das mulheres em particular –, com muita argúcia e colorido. Constata que a Revolução Francesa causou um retrocesso na condição da mulher sob os aspectos jurídico, social e político; e denuncia o sofrimento a que estão condenadas devido à condição subordinada na família e na sociedade, mesmo nos países de civilização mais avançada e nos níveis mais altos da sociedade. Mas o livro é também rico em pensamentos sobre questões políticas e sociais tais como a imigração, o liberalismo político, a influência inglesa, a superioridade do protestantismo sobre o catolicismo, e o divórcio.

No Corinne, ou l’ltalie, ela mostra o choque entre as mentalidades nórdica e mediterrânea. Inteligente e culta, a personagem Corina, meio italiana, meio inglesa, retrata a mulher que invade um campo naquela época essencialmente masculino: o da cultura. Seu companheiro na viagem pela Itália – um nobre escocês – conhece, pela sua mão, os esplendores do Renascimento italiano. Ele é obrigado a admitir sua superioridade intelectual, a anular sua vontade diante dela, não por superar seu preconceito contra a mulher inteligente, mas obrigado a fazê-lo porque a amava, o que o torna aparentemente fraco e irresoluto. De modo amplo, o livro ocupa-se de questões ousadas tanto da filosofia, como da religião, da história e da política, e também da poesia e das artes.

No Réflexions sur le procès de la Reine (Reflexões sobre o processo da Rainha) de 1793, em sua defesa da raínha, clama contra a humilhação a que Maria Antonieta é submetida, não por crimes que tivesse cometido, mas por ser vítima do preconceito que sempre foi causa dos maus tratos e da infelicidade da mulher, em todos os níveis da sociedade.

No Considérations sur les principaux événements de la Révolution française, publicado pelo filho Auguste depois da sua morte, ela aborda um aspecto especial da posição da mulher, o quanto e porque ela está sujeita a se corromper nos países sob o governo autoritário, onde tudo depende de amizades e favores. A mulher lança mão de todos os seus meios de sedução para influir sobre o poder, em todos os níveis. Não por conta de qualquer ideal, mas para obter posições para si e para seus amigos. Outra de suas armas é a intriga, feita para deslocar adversários e chantagear ministros. “Alguém acredita que, à época de Louis XIV, madame De Montespan, e de Louis XV, Madame Dubarry, tenham recebido alguma recusa dos ministros?” – pergunta.

Para Madame de Staël, papel social da mulher é específico, e nisto ela difere das feministas radicais que vão além da igualdade de direitos para proclamar uma igualdade total entre o homem e a mulher. Para ela, a vida doméstica inspira às mulheres todas as virtudes. Segundo ela, os costumes que são gerados em um governo arbitrário separam a mulher do seu “destino natural” e as transformam em um triste produto da ordem social depravada. E exemplifica: “uma mulher do povo, na Inglaterra, se espelha na rainha que cuida de seu marido e educa suas crianças como a religião e a moral determinam a todas as esposas e a todas as mães.” E conclui : "o verdadeiro caráter de uma mulher e o verdadeiro caráter de um homem somente podem ser conhecidos e admirados nos países livres" (Staël, P.VI, T. II, p. 432-434).

Rubem Queiroz Cobra            
Doutor em Geologia e bacharel em Filosofia

Lançada em 18/12/2005

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Direitos reservados. Para citar esse texto: Cobra, Rubem Q. - Madame de Staël - Parte II. Cobra Pages - www.cobra.pages.nom.br, Internet, 2005. ("www.geocities.com/cobra_pages" é "Mirror Site" de COBRA.PAGES)

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Rubem Queiroz Cobra

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