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Narrada a Melatti por Pedro Penõ em 06-03-71 (tradução para o inglês em Wilbert e Simoneau, 1984, pp. 331-332).
Teyapok era de outro partido. Teyapok e Kupakhë governavam os Khëikateye (ou uma classe de idade dessa metade?). Só um partido saiu. Combinaram de ir pegar fita de tucum para renovar linha de arco. Falaram às mulheres para fazer comida para eles. Elas fizeram pipoca de milho e batata. Eles saíram para o mato. Andaram, andaram. Arrancharam numa cabeceira. Mataram caça e comeram. De manhã caminharam.
Deram numa estrada perto de uma aldeia. Kupakhë insistiu com Teyapok para irem ver essa aldeia. Teyapok não queria. Disse que eram poucos e assim não dava certo, porque a aldeia correria com eles e diriam que eram fracos. Kupakhë insistiu até parar. Aí voltaram. Andaram, andaram. Entraram num brejo, num buritizal. O buriti já estava caindo. Juntaram muito buriti. Chegaram a uma loca de pedra grande. Aí arrancharam. Ameaçava chuva. Acenderam fogo. Deitaram. Dormiram. Teyapok não dormiu. Levantou. Falou aos outros que não dormissem, porque tinham deixado rastro e poderiam ser perseguidos. Mas os outros continuaram a dormir.
Um habitante da aldeia estava caçando veado e viu o rastro do pessoal de Teyapok e Kupakhë; ficou com medo e voltou para a aldeia. O pessoal juntou-se no pátio e ele contou a história. Ele contou o que tinha visto, inclusive dizendo que era só um magote de índios. O pessoal da aldeia resolveu seguir o rastro, armado. Os novos saíram.
Viram fumaça na loca de pedra. Teyapok estava roendo buriti, pegando só com a mão esquerda, para não sujar a mão de pegar na linha do arco. Quando Teyapok olhou, já vinha a aldeia. Teyapok acordou seus companheiros. Teyapok e Kupakhë subiram a serra com seus companheiros. Wakmekran não pôde subir. Voltou pelo lugar que tinha chegado e ninguém o flechou. Um velhinho da aldeia que ia atrás de todo o mundo tinha ficado na espera, escondido atrás da moita de buriti. O velho flechou Wakmekran e o matou.
Kupakhë subiu a serra e se escondeu num buraco atrás das folhas. Tinha esquecido as flechas. Teyapok levou todas as flechas. Flecharam Teyapok na perna. Um que matava veado disse que iria matá-lo. Teyapok resistiu. Derrubou muitos inimigos com flecha. Os inimigos subiram a serra. Teyapok fez espera. Teyapok flechou um perseguidor bem no peito. Gritaram pelo sogro do ferido. O sogro chorou um pouco e perguntou por onde Teyapok tinha fugido. Perseguiu-o. A flecha de Teyapok bateu num pau e arrancou o nariz do homem.
O pessoal foi embora e Teyapok desceu do abrigo. Teyapok ia caminhando, capengando. O sol já estava para entrar. Escutou os pica-paus cantarem — pica-paus que cantam quando vem caça. Teyapok pensava que iria ser morto. Vinha Kupakhë. Kupakhë encontrou-o.
Caminharam. Kupakë resolveu levá-lo nas costas. Chegaram a um brejo. Fizeram barraquinha, cama e reservaram buriti para comer. Kupakhë deixou aí Teyapok e foi para a aldeia. De madrugada Kupakhë chegou à aldeia e avisou aos parentes. As mulheres convidaram os homens para buscarem. Levaram Teyapok para a aldeia. As mulheres que perderam marido choraram muito. Só Teyapok e Kupakhë tinham escapado; os outros haviam morrido todos.
Os esclarecimentos sobre os Contos 1, 2, 3 e 4 são suficientes para a inteligibilidade deste.
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