Ao invés de olhar pra trás com sérios rancores ou com uma desolada perda da juventude simplesmente não olhe. O samurai moderno acorda e seu primeiro pensamento é "estou vendo a luz no final do túnel" e no cair da tarde o poente brinda o samurai com a frase "está aí, a luz". Todo o dia é bom pois até a fome, a dor de estômago, o tártaro dentário acumulado eleva a vida de quem tem muito mais o que fazer do que chorar. O samurai moderno não geme e não reclama das dores físicas sensíveis por causa do excesso de lutas que pratica diariamente para ser o tal. O TAO. Acordar sem a areia do sofrimento nos olhos é a meta, a flecha e a distância completa do estilo de vida guerreiro. E são tantos guerreiros pelo mundo afastados de uma rígida conduta mortal que de tão suaves até suas palavras embotaram. Não há mais espadas de guerra. As lâminas das katanas não precisam mais ser afiadas e untadas pois elas não cruzam mais entre si o aço e nem de longe separam os átomos que compõem a carne. São enfeites na parede de colecionadores ou itens saudosistas de fortuna que explicam anos e anos de tradição, servidão pessoal e humanista e mais, muito mais.

Não sei qual é a escolha mais difícil. Dividir um pensamento até que ele distorça ao máximo e fique tão transformado que não seja mais seu ou aceitar a árdua tarefa de dar vida, criar, conceber, pensar, desenvolver e efetivar uma música. NO que me diz respeito é uma responsabilidade aceitável.

Minha última leitura foram as profecias de Nostradamus. Não por acaso me dediquei a entendê-lo. Nostradamus confiava nos astros e em cálculos astrológicos para definir os padrões, as datas e os fatos que previa. Usava o subterfúgio da fé para não ser perseguido pela igreja católica. Eu, desde então, tenho olhado as estrelas. Não sei nada sobre constelações ou cálculos proféticos, mas eu tenho tido a sensação mais estranha do mundo desde Fevereiro. Uma onda de azar muito grande se abateu sobre mim, depois sobre meus amigos e agora o azar ficou tão insuportável e poderoso que desuniu a sanidade das pessoas em meu trabalho. Meu horóscopo tenta ser agradável comigo, me afaga as melenas com palavras sutis, de conforto. Mas não adianta! Enquanto o fogo da perversidade estiver labaredeando de azar os meus dias de trabalho, oxenti, vai ser uma tarefa até respirar.
Não por acaso recebi a notícia de que nosso fiel técnico terá outras responsabilidades Sábado que não as minhas. Eu terei duas vezes mais trabalho para fazer por causa disso. Ao azar dediquei ontem meu silêncio e pessimismo político para hoje enxergar fielmente meu signo. Desejar alguma coisa tem sido tão difícil desde Fevereiro e apenas o apoio irrestrito de minha mulher tem sido útil para me ajudar a compor e ter paciência para questões psíquicas independentes de qualquer ação. Estou reagindo.

Por sorte, o pior ainda está por vir.

Muitas vezes, milhões de vezes eu sou questionado se o que eu toco e faço é reggae ou não. A distância entre música e estilo de vida reggae é tão pequena, seu limite tão surreal que me dou conta de que reggae é ser e não saber. Por mais tênue que seja a linha entre reggae pop e roots é a atitude por trás do conteúdo das músicas e dos artistas que dá as cores do reggae no meio musical. As roupas do cotidiano, as conversas filosóficas sobre a origem do sentimento reggae, a luta pela sobrevivência dentro dos tentáculos comerciais e a poesia são as chaves para que o reggae cresça no Brasil e no mundo de hoje. O que eu percebo é um véu fino que distingue o sujo do mau lavado apenas. A origem do povo brasileiro é totalmente fiel a escravidão do pensamento e da alienação do indivíduo visto que ele já sabe que a vida é apenas trabalho e muito pouco lazer. A música reggae é um protesto em prol da vida. Viver de música, de fazer bijouterias, de vender camisetas, discos, dexavadores, piteiras de durepox falando de amor, da não-violência e das desgraças que somos obrigados a aceitar desta existência capitalista e selvagem. Eu diria que debater o reggae é uma necessidade pois o que é reggae senão fazer algo que rompe com os laços da pirataria cultural do Brasil? A sabedoria do povo é única, uma grande mãe que abraça a todos com a mesma força e carinho, nos afaga os cabelos até que no sono caíamos e nos traz bons sonhos, esperança de acordar com uma bela melodia e muito amor. Os debates são apenas rusgas, agouros. E a música é cada um no seu galho. Reggae é tudo o que leva ao bom pensamento e a boa ação. Até mesmo a disputa pode levar a uma situação reggae desde que os feridos sejam salvos e naturalmente curados até o final dos tempos, com a proteção de todos, eu e eu ou Eu-teção. Obrigado!

O Samurai Moderno - Ali estava ele, sentado, olhando firmemente o semblante de sua mulher. Ali estava ela, de pé, de costas para seu homem, colocando uma saia.

Considero um ato de irresponsabilidade a passividade. Até olhar tem que interferir na ação, até respirar tem que fazer sentido no todo. Tem sido pesada minha análise sobre o governo Lula e me pego envezado entre a paz de espírito e as contas do lar. Acho que ficou muito difícil não questionar a realidade sem um pingo de suor porque é fortíssima a preguiça das mentes que nos representam diariamente. Em todos os sentidos me sinto representando ou sendo representado nas pessoas que convivo, no amor e na luta pelo dinheiro. Minha vida me levou aos braços de minha mulher e o conforto do meu lar com ela tranquiliza e aquece meus pensamentos. Mas o fato dela estudar conceitos sociológicos alimenta o descontentamento que sinto pela minha incapacidade de atuar sobre o passivo. Por mais importante que sejam as palavras me vi impregnado da idéia mais do que humana de não saber sabendo que sabe-se algo sobre alguma coisa. Virtualmente o senso competitivo nos tirou a vontade de termos ou ser heróis. Nós já o somos por sobrevivermos a esta ameaça fantasma da política e economia do mundo, um monstro que não tem mais para onde crescer ou ir e que pesa, pesa muito sobre as idéias de reforma, ideologias, religiões, da sociedade em geral. O que tem para fazer?

Energia. Eu penso muito em energia e o Brasil é um país que produz pouca, ou quase nada, de energia material e espiritual. Os nossos cérebros estão famintos mais do que nossos corpos, estômagos da vida urbana, obesos por desnatureza. É evidente que a fome tirou o senso de dignidade do povo. Mas o saber espiritual perdeu completamente o sentido com a nova pentecostalidade. E não há nada, por mais que hoje eu reconheça pessoas interessadas em budismo, yoga, espiritismo, candomblé e umbanda, daime, etc, que salve a alma do homem senão sua própria realização, sua busca pelas palavras certas, sua busca pelo amor pelas coisas, sua benção sobre as diferenças lúdicas da carne e do pensamento e dividir isso sem passividade com seu mãe, pai, irmãos, amigos, amores, o que importa é ir sozinho para o paraíso? Obrigado, meu amor!

O Samurai moderno -

Mal sabia ela que toda a família se reunira para poder observar o tarô. O seu tarô encomendado por seu pai. Quando tudo dizia sim o tarô poderia dizer não. E poderia dizer a todos presentes a mesma coisa. Seria a glória ou a vergonha. E a moça preferia que tudo fosse vago sobre seu futuro.
As cartas foram sendo retiradas por uma antiga amiga do pai da moça. Por que ele teria escolhido o tarô? E porque tanta exposição? Apenas a esperança de que a verdade surgiria, uma verdade nos conformes da sociedade oriental moderna ou a sua própria poderiam calar as vontades de sua filha. Já que tudo parecia estar se perdendo, perder a filha para outra cidade, outra pessoa, perder era muito depois de tantas outras perdas. E a moça perguntava as cartas sem medo sobre faculdade, seu namorado, as suas vontades terrenas, seus sonhos mais profundos. E tudo sendo observado pela família. A força do momento pode ter influenciado os destinos de todos para sempre pois as conspirações da vida foram todas favoráveis. E todos venceram. As cartas, uma a uma, diziam sim, faça o que é favorável, digno do amor.

Posso resumir minha saga em uma utopia. Também posso nutrir esperança. Mas o que eu gostaria mesmo é que o bom exemplo fosse meu grande legado pois o ser humano que aqui está já perdeu a fé em determinadas correntes da vida. Eu luto com todas as forças para ter orgulho das minhas origens, mas eu não sabia que seria tão penoso experimentar mofo e poeira e levar uma bronca digna pela última decisão deste dia em que o papa faleceu. A bronca me serve como lição. Mas o desgaste das decisões que ajudo a tomar, quando me leva a ficar com cara de cu e triste, sozinho nas minhas decisões, e até pensar se torna um argumento contra meus pensamentos é porque estou literalmente descrente na minha opinião. Estou sentindo um desgaste natural das peças. Nestas horas eu falho. Assim como hoje estou dormindo no mofo e minha mulher em um colchão sem roupas de cama. Assim ela me disse a verdade. Nem os mosquitos poderiam agradecer mais o banquete em nossas canelas e julgo que está triste a situação de higiene dos brothers. Um abandono completo. Eu queria estar aqui com minha mulher e meus olhos atestassem saúde ante minha ida para o interior. Atestassem saúde e amizade. Nem um convite seria pior do que o dos dias de ontem e hoje. Perdão por ter ficado na Pompéia? OLha, eu pediria por todos nós se ela não estivesse dormindo brava comigo por causa disso.

Finalmente aprendi o sentido da palavra LAR. "Lá Amores Repousam" - eu sinto que tenha demorado tanto para aprender que a vontade é um sentimento permanente; que devo cuidar dele assim como do meu filho. Precisa de carinho, dedicação, paciência, colo, dinheiro, estômago, uma mulher e nem assim termina a lista de coisas que hoje sinto. Precisa de tudo.
Nas mudanças que experimento de humor e de ideais, pois as idéias se refrescam com a memória e com a previsão do futuro, vejo que tudo em mim conspira para vencer a derrota e enxergar além dos olhos. Portanto sofro de amor e de saudades, mas também atinjo muitos corações pois sou forjado, sou de aço. Estou sentado as margens de um rio que é atacado pela cerração, evapora-se até ofuscar os raios do sol, forma um arco-íris daltônico para mim. Os meus olhos e as cores brigam para sempre. Os carros cortavam o final do eixão norte e eu ainda me sinto como aquela criança que todos os dias acordava cedo para ir estudar.
Me sinto mercantilizado
um pobre feliz
pois respiro o cheiro da minha amada
todo dia
toda hora
assim troquei a vida boêmia
troquei pelos utensílios de cozinha
pelo cheiro de alho que fica nos dedos
por acordar cedo
ser o travesseiro
a coberta bordada a 28 anos
sinto que estou mercantilizado
escolhi ser feliz
e meu maior bem e tudo conquistado
são panelas, copos e pratos
meu amor me ajuda a arrumá-los
e sorri, me deixa tranqüilo
trabalho, estudo e luto
fico em estado de segurança máxima
estou protegendo minha geração
passado, presente e futuro
em meio ao aroma de baunilha de Marília
Vivo metido no mercantilismo
pago contas, contas e mais contas
estou em débito eterno comigo
não penso em dinheiro e sim em números
apenas o amor sossega tantas cobranças
abraça meu corpo e afaga meus cabelos
faço o café da manhã e apago as luzes com o maior prazer
pois nasci assassino e me tornei sincero
um verdadeiro observador das correntes filosóficas
aprendo, aperfeiçoo e domino com muito custo
pois respeito os limites da humanidade
até que eles entrem nos meus limites
eu aceito ou não o desafio!

Eu passei pelas tormentas da mente humana quando decide demosntrar todo o meu amor pra todo mundo. Eu descobri que o amor atraí muitos sentimentos confusos para si. O amor, como é uma manifestação dual e coletiva, se alimenta da vontade e da paixão. E desencadeia muitas energias negativas que desgastam qualquer limite do descanso.
Por isso eu estou pronto. Muito e inteiramente cansado de responder por uma coisa tão simples. À minha maneira, eu não pedi e não expus ninguém as evoluções do que eu sinto. Pedi ajuda a poucas pessoas e não pedi consentimento ou conselho sobre o amor. Eu aceito que ele melhora minha vida, me aproxima da pessoa que me ama reciprocamente e nos faz querer realizar planos juntos. É uma felicidade.
Mas esta felicidade também não agrada a todos. Ainda bem que meu pensamento é livre das leis do casamento no sentido brasileiro de ser. Aposto mil vezes mais na justiça divina que nos ilumina e abençoa a nossa escolha do que nas palavras de um rei. Pensei que ia ser uma felicidade o caminho que escolhi. Pensei que a felicidade ia contagiar a todos um pouquinho. Pois a decisão mais difícil, a que todos tem direito à opinião, foi tomada por mim e pela minha mulher. E está decidido pelo nosso bem e pelo bem de quem nos ama.

Não existe dinheiro; não existe destino; não existem as necessidades criadas pelo urbanismo e pelo capitalismo. Existe a vontade de ficar junto pra sempre e isso basta. É o caminho dentro do caminho que nos leva ao TAO das coisas. Eu preciso ser o homem que eu me propus a ser. E meu caminho é lindo, pesado, intenso e cheio de carinho e amor. Sob todas as forças eu vou.

Um certo cubismo da mente

O elemento gênio que dominou o mundo durante o mesmo período de tempo um século atrás está retornando. Só que do avesso. Avesso e sem interesse pela humanidade e sem vontade de conquistar com doses excessivas de paixão o cotidiano. Não há boemia sem cultura, amor sem ociosidade e as formas urbanas aparentam ser o limite da natureza e dos gênios do século XXI.
Imbuído de um sentimento primário, olhar, morder, gozar, sentir o toque do algodão lavado na pele depois do banho matinal o instinto que nos guia para perto da morte toma asas ao abrir dos olhos e - SIM - enfrentar o mundo com otimismo deixou de ser dada, cubista ou moderno. O que é que está por vir?
Um ciclo deve estar se abrindo enquanto olho incrédulo os duelos de nossos dias. Quem briga comigo, quem me bateria na cara me ofende escrevendo o que sente sem sentir medo de mim. Sem nem ao menos enfrentar a ligação telefônica e o poder da voz que estará do outro lado pronto para dizer a verdade. Verdade, veritas demais para ser nossa. É de Deus, dele que não mais nos enxerga, dele que virá em 2500 anos para recriar uma nova esfera de meditação e mendicância. Quem sabe destas coisas não pode falar. Quem busca esta coisa se direciona para a solidão dos pensamentos bons e confusos da iluminação; Quem busca a arte e a beleza, interior e distorcida pela cachaça ou pelo fumo, exterior e sensual com as distorções da humanidade. O claro e o escuro não brigam mais entre si e quem busca a arte está¡ em busca e um novo olhar.
Gosto muito da palavra vanguarda. Prefiro-na em francês assim como os muitos artistas sem pátria que escolheram Paris como sua capital. Estou em São Paulo e não sinto aqui a capital de algum movimento bacana ou irracional. Talvez Paris não fosse uma grande cidade na Época e emergiu como a base para que fosse escolhida como centro de boemia e discussões. Pois são as discussões que criam a arte seja ela da tela, do barro, dos instrumentos musicais, da fotografia cinematografia.

O cubismo me influenciou muito mais por causa da atitude dos seus artistas do que pelas suas obras. Conheço Picasso, vi algumas figuras de Braque e Modigliani, que nem era cubista. Cezanne e Van Gogh queriam ver o algo mais das cores misturadas aos excessos de nossa exposição à natureza da vida. O cubismo é a necessidade de frear o movimento.
Por isso devemos procurar na toca do tatu o que seria a visão.

A Obra Imediata

Perceber e sentir são coisas diferentes. A sua união define a experiência. O que somos parte do princípio do que sabemos sobre nossa natureza interior e como interagimos com a natureza criadora e exterior. As três naturezas nadam juntas pelo tempo e pelo espaço, interdependentes e historicamente correlatas.
Aqui e agora � definido por pontos no infinito e as mudan�as acontecem quando um excesso coletivo de energia implode uma reação humana de idéias e revoluções da carne ou das próprias idéias. Nascer é a primeira noção humana de criação. Para quem nasce e para quem gera.
A natureza criadora se manifesta em todos os seres e nas transformações das coisas inanimadas. O relevo, os rios, os desertos fazem parte da mesma for�a criadora que os seres vivos mas diferem deles por se desenvolverem em outra escala no tempo. Uma escala macro para humanos e insetos.
A natureza exterior são os fenômenos físicos, quânticos e espirituais que se manifestam no subconsciente e na criaçâo dos astros e das crianças.

A experiência divina é fruto do entendimento das naturezas e da interação alma/corpo com as outras forças. A força é a palavra, a música, o silêncio, a eletricidade e elas se manifestam física e espiritualmente entre as naturezas.

Diálogo é a forma mais eficiente de transmitir e confrontar idéias em busca do entendimento da Verdade. Existe a verdade histórica e a Verdade. Ambas são válidas e expressam uma nota no infinito e diferem apenas em sua significância relativa. A verdade histórica é de uso restrito dos humanos e marca nosso tempo através dos fatos e das descobertas. Expressa nossa vontade de deixar rastros, o que chamo de memória. A Verdade corresponde ao sopro que nos dá vida ou às leis que regem as forças físicas e espaciais ou ao inconsciente coletivo que tenta traduzir os mistérios do tempo e da origem das coisas.

A Medida do Vinho

A perfeição se mede pela qualidade de sensações experimentadas que representam, como finalidade, o embelezamento da vida e da incorporação deste pensamento no dia-a-dia e para o todo social. O todo social engloba a família, a comunidade e a vida profissional do ser enquanto benfeitor e comunicador. Do contrário o ser se torna passível de julgamento e considerado contrário as leis do estado ou um mal social.

O vinho e sua qualidade traduzem bem o desenvolvimento conjunto das naturezas interior e criadora e sua experiência eleva-nos a algo que ultrapassa sensações físicas. O divino é uma busca sem fim por algo semelhante. (Deus quer que nós possamos canalizá-lo. Ele pouco ou nada faz por nós. A isso dou o nome de Destino)

Se o vinho leva horas para evaporar sua acidez, ele tem esperança.

Se o vinho aromatiza com seu buquê o ambiente dos leigos e dos conhecedores, ele é amor.

Se o vinho amarga, azeda ou amarra e nem as horas o salvam, ele é a morte.

Aceitemos a natureza das uvas e do solo e da mão do homem como guias para nossa própria natureza.

2004
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