Começar de novo
 
Minha decisão a disputar a etapa de Brasília do Sul-Americano de Fórmula-3 trouxe de volta lembranças de 20 anos atrás. Saí do Brasil depois de três temporadas na Fórmula Super Vê e fui disputar a F-3 na Europa. A diferença entre as duas fórmulas, naquela época, era muito pequena e eu estava mais do que treinado e motivado. Meu primeiro teste em um March Toyota foi na pista de Casale, perto de Milão, e em dois dias já estava virando tempos bem competitivos. Hoje em dia, sem correr profissionalmente, senti um pouco mais a volta à categoria. Não tenho nenhuma obrigação de andar rápido, mas o instinto é mais forte do que tudo. Depois de treinar três dias, lá estava eu fazendo tempos de altíssimo respeito. A maior diferença de antes para agora, além naturalmente da idade, e a eletrônica embarcada. O sistema PI dá ao piloto tudo o que precisa saber para melhorar as voltas. Dá confiança para acreditar que é possível fazer a curva mais rápido e frear um pouquinho depois. Foi ótimo, porque saí de um carro de 700 HP como a McLaren/BMW para entrar num de 170 HP, muito mais rápido nas saídas de curvas, e precisava desse apoio. No fim, é a mesma questão: é preciso acreditar no que se faz e ter coragem de tentar, sem medo de errar. Dia 22, assim que voltar de Le Mans, entro na pista com todos os jovens pilotos para mostrar que nunca é tarde para começr de novo, mesmo sabendo que agora é mais difícil do que da primeira vez.
 

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