GP do Brasil número 1
 
O ano de 1979 era o meu primeiro completo na Fórmula-1. Em 1978 tinha feito cinco GPs, o último deles com a Brabham Alfa Romeo. Em 1979 o Gordon Murray tinha desenhado um carro totalmente noovo, o BT48, em volta do novo motor V12 (em lugar do 12 de cilindros contrapostos) da Alfa. Antes de ir para o primeiro GP do ano na Argentina, a equipe passou para testar em Interlagos (o bom e velho Interlagos de antigamente). 

Não consegui nem dar uma volta, já que o Niki teve problemas no freio traseiro e o carro acabou na cerca. Com o carro novo fora, tive de usar o velho BT46 na Argentina. Classifiquei-me lá atrás e queria era só chegar ao fim. Cheguei, ao fim da primeira curva. 

O Scheckter, na hora da largada, lá na frente, fez uma das suas, atravessou a pista, acertou o Watson e ficaram lá os dois no meio do caminho. Na hora em que vi a situação já tinha batido de frente. Machuquei bastante o pé esquerdo, senti muita dor e raiva, ao mesmo tempo, por ficar de fora. 

Duas semanas depois no Brasil meu pé tinha melhorado com uma ajuda do Jorge Bello, mas era pedir demais da capacidade de recuperação e sabia que não iria dar para agüentar o tranco do GP do Brasil, afinal de contas o meu primeiro, e duro agüentar e me classifiquei andando o mínimo possível ao máximo que as condições físicas me permitiam. 

No domingo de manhã ainda tomei uma injeção para dor, que tinha aumentado muito depois que passei a forçar os pés nas freadas fortes da pista de Interlagos (o velho e bom Interlagos de antigamente). 

Mas não poderia ficar fora da festa de jeito nenhum e me alinhei com pouca gasolina notanque e pneus de classificação. Não tinha esperanças de durar muito, mas pelo menos ia fazer bonito enquanto estivesse no palco. Dito e feito, na quarta volta já estava em 12o. lugar. Vinha satisfeito pensando nas explicações que logo ia ter de dar quando o Regazzoni resolveu me fechar, quebrei uma asa dianteira na traseira do suiço e acabou naquela hora mesmo o meu primeiro GP do Brasil. Meu pé é que estava ruim, mas a mancada foi dele.

 

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