Campeão do mundo
 
É lógico que não podia ser diferente, me lembro muito bem do dia em que fui campeão do mundo de Fórmula-1 pela primeira vez. No meio do deserto de Nevada, naquele espetáculo que é a cidade de Las Vegas, me colocaram uma coroa de louros que naquele momento significava muito para mim. 

Muito mais do que a figura estética, de gosto duvidoso para a época e de vida curta para o colecionador, a coroa de louros era a prova de que tinha chegado aonde nunca tinha pensado em chegar. É verdade, comecei e continuei a correr pelo prazer de correr, nunca tracei planos, metas e objetivos. 

Sempre fui vivendo um dia depois do outro, procurando melhorar o meu tempo e conservar o equipamento para chegar na frente no final. Campeão do mundo foi o típico caso de receber uma encomenda maior do que o pedido feito. Acabou a corrida em que derrotei o meu amigo Lole (Carlos Reutmann) na psicologia, e só pensava em descansar, tamanha eram as dores nas costas. 

O resultado final, foi 50 a 49 para mim, com os dois pontos (cheguei em quinto) de Las Vegas. O Lole não fez ponto nenhum, mesmo tendo largado na pole-position - e fez uma corrida cheio de problemas. Tenho certeza de que ele achava que eu não ia terminar a prova e atacou o GP de uma maneira muito burocrática. 

Eu tinha aprendido muito com o campeonato de 1980, que poderia ter ganhado, também na última prova do ano, também nos Estados Unidos, só que em Warkins Glen. Naquela época, muita gente diferente, ganhava corridas, os carros quebravam muito e, além de bom piloto, você tinha que ser um bom administrador e contador. 
Trabalho, garra, determinação e dedicação total, como sempre, mas, principalmente, a certeza de que o pior que poderia acontecer era apenas perder o título. Junta tudo isso e, no fim, dor nas costas, louros na cabeça, taça na mão e campeão do mundo, eu. 

 

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