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Já
contei para vocês uma das minhas passagens pelos Estados Unidos,
quando estive estudando por lá, ainda ma minha fase de tenista.
Alguns anos depois, voltei à California, já vivendo o meu
sonho de ser piloto de automóveis. Foi em 1976, quando ainda não
tinha decidido ir para a Europa fazer a Fórmula 3. Estive nos Estados
Unidos para "medir a temperatura" e ver como é que as coisas estavam
andando por lá.
Naquela época, o automobilismo americano ainda estava em ritmo bem diferente ao do automobilismo europeu e ainda não tinha se tornado o maior esporte do país, tanto em audiência como em presença de público. Isso aconteceu recentemente, nos últimos anos, graças a dois motivos: a) a greve dos jogadores, que tirou o beisebol (the american game) dos estádios e das tevês durante o ano inteiro e b) o crescimento impressionante da Nascar, que faz 37 corridas por ano! Como típico representante do final dos anos 70, a mentalidade na América do Norte estava ainda mais para Flower Power do que para Horse Power, mas, mesmo assim, fui para lá, porque não dá para decidir direito sem olhar e analisar de perto. Embarquei para San Diego, onde na época morava o meu amigo Carlos Gancia, que sempre esteve por dentro dos assuntos do automobilismo e que ia me ciceronear nas minhas mudanças atrás de peças para o Super Vê (lá é o paraíso de quem mexe com motores Volkswagen) e de oportunidades para guiar em 1977. Foi bom voltar à Califórnia com um pouco de dinheiro no bolso e podendo comer os hambúrgueres e tomar os milk shakes tão raros na minha época de estudante. Vi muita novidade interessante, juntei muita idéia, fui ver corrida e resolvi que o caminho era mesmo a Europa. Fiz isso imediatamente depois de assistir a uma etapa do Campeonato de Fórmula Atlantic em Ontário, uma pista que fica pertinho da nova pista de Fontana, que o Roger Penske está terminando de construir. O ídolo de plantão, líder do campeonato e sensação do momento era o campeão canadense de Snowmobiles e que ganhava de todos. Ganhou também essa corrida a que assisti e lembro de ter pensado e dito (podem perguntar para o Carlo) naquele exato instante: "ando na frente desse cara se tiver um carro igual e já que ele está de mudança para a Europa, é para lá que eu vou também". O nome dele? Gilles Villeneuve. |