Equinócio
 
Tive vontade de escrever cá, hoje, em português de Portugal. Vocês leitores, por sua vez, leiam com adequado sotaque e, assim, miraculosamente, estaríamos todos transportados para a doce terrinha: Aquela que me recebeu de braços abertos, um sítio especial desse mundo, a não perder quer a passeio ou de frente a um ulterior motivo. Talvez servisse, então, este escrito, de homenagem ao Grande Prêmio de Portugal, essa disputa entre equipas famosas donas dos monolugares que andam a conduzir seus pilotos, velozes todos com poucas excepções. Porque um Grande Prêmio, com bem definiu um hebdomadário esportivo lisboeta é "um espetáculo condigno aos milhares de adeptos que ainda se revêem para presenciar a prodigiosa habilidade dos pilotos a tripular os melhores carros do mundo". 

Mas nem bem chego à décima linha e me falta maior intimidade com o jeito de expressar em lusitano. Apelo então para contar umas historietas absolutamente verídicas e inocentes que tive a oportunidade de viver nesses anos todos em que tive a felicidade de estar em Portugal. 

Vamos a elas: Ouvi uma manhã de sábado no rádio do carro indo para o autódromo que "o dia de hoje, equinócio de outono, marca o início desta bela estação com o sol que cruza o equador celeste e se muda para o hemisfério sul. Sol que hoje nasceu precisamente às 6 horas e 45 minutos, só que ninguém viu porque o tempo está nublado." 

Abordei um senhor no aeroporto e perguntei se ele sabia onde é que ficava o guarda-volumes. "Bem...", me respondeu o senhor sério e compenetrado, "o senhor vira a primeira à direita, passa por aquelas lojinhas acolá, sobe as escadas, entra à sua esquerda e chega lá, no balcão de informações, lá o senhor pergunta. 

Todo mundo sabe que não bebo nada. Além de não ter o hábito, basta uma cerveja para me deixar falando mais bobagem do que de costume. Agora, um vinho do Porto de vez em quando é uma delícia. Gosto muito do de 1964 e uma vez pedi ao garçom de um dos restaurantes que eu freqüentava em Cascais para que me achasse uma garrafa desse ano. Três meses depois, de volta ao restaurante, perguntei se ele tinha achado e ele feliz me respondeu que sim. Fiquei contente, tirei do bolso fazendo menção de pagar e disse que ele poderia me entregar a garrafa ali mesmo. Ele me olhou fixo, balançou a cabeça e, finalmente, condoido da minha ignorância arrematou: "Já lhe disse que eu achei sim senhor, agora ela está ainda lá onde eu a achei, basta o senhor ir ao local para comprá-la".  

Tem mais ainda a do camarão, a da estrada, a da farmácia e a da namorada. Hora dessas eu conto, porque de uma maneira ou de outra confirmam que piada de português (ou piada de brasileiro como são conhecidas lá) só existe uma, o resto é tudo verdade.

 

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