Pontualmente
 
Corri de Fórmula 1 durante 13 anos, fiz 206 Grandes Prêmios e com certeza mais de mil dias de treinos diversos, em tudo que é canto do mundo. E nunca, nunca cheguei atrasado, perdi avião (na época que não tinha o meu), fiquei preso em congestionamento conhecido (daqueles que a gente sabe que vão acontecer e com um pouco de planejamento pode evitar) ou deixei a equipe esperando à toa. 

É que com horário sou detalhista e preciosista. Usava também uns truques que aplicava toda vez que precisava chegar a um lugar novo, inédito e do qual eu ainda não tinha dados práticos e concretos. Fazia o caminho antes, se possível no mesmo horário para marcar quanto tempo demorava. 

Uma vez lembro que o Émerson Fittipaldi me chamou para conversar com ele em sua casa na Inglaterra. Queria conversar sobre a minha entrada na Fórmula 1, quais eram os meus planos naquela época que eu estava ali, na boquinha (do cockpit e não da garrafa, aliás sobre este assunto tenho a dizer que a adolescência tinha é que estar dançando a música usando garrafa de Guaraná, Coca-Cola ou Fanta e não de cerveja! Para onde vai este mundo?), procurando um lugar decente para correr o Campeonato Mundial de 1979. 

Pois bem, falei com o Émerson, que me explicou como chegar direitinho até sua casa e arrematou com uma recomendação para que eu não atrasasse. Sabendo que as oportunidades não aparecem toda hora e nem batem duas vezes no mesmo endereço, na manhã seguinte acordei bem cedinho, peguei o carro e fui até a casa do Émerson. 

Só fui para fazer o caminho direito sem surpresas e cronometrar quanto tempo exato tinha até lá. Aí voltei para casa, fiquei fazendo hora, impaciente, e, no momento calculado, saí de novo para chegar em ponto, conforme combinado! Louco? Maluco? Perfeccionista? Obcecado? Chato? Não, não. Nada disso. 

Apenas uma maneira de mostrar respeito pelo tempo dos outros e interesse por meus sonhos.

 

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