A mil por hora
 
Há dez anos, depois que ganhei pela terceira vez o Campeonato Mundial de Fórmula-1, acertei um contrato espetacular para mudar de equipe. A quantidade de dinheiro era tanta que não dava bem para imaginar quanto representava na realidade. Ainda mais para mim. Eu sempre vivi trabalhando para provar meu ponto de vista nas pistas e contente com o talento que me permitia aproveitar a situação. 

Quem me conhece sabe que nunca fiz planos de ser campeão do mundo e o que aconteceu foi acontecendo de forma natural, como conseqüência inevitável de dedicação, envolvimento e sacrifício muito grandes. Posso dizer que sempre vivi a mil por hora, tanto no aspecto relativo de ter sempre tanto o que fazer, como no sentido prático da frase, já que é essa a sensação que se tem ao fazer certas curvas e ultrapassagens em lugares considerados improváveis e impossíveis. 

Nunca tinha pensado na frase A mil por hora no seu sentido numérico-literal. Mas foi a única maneira que encontrei de dar um rosto ao nome e reconhecer quanto era o dinheiro que iam me pagar para fazer aquilo que gosto. Mil por hora foi então, em 1988 e 1989, um referencial concreto do meu salário. Estivesse eu dentro do carro, dormindo, tomando banho de sol, choveiro ou pilotando o meu jato, não importa, a cada 60 minutos era como se pingassem mais R$ 1 mil na minha conta! Que dinheirão! E faz tempo que isso aconteceu! 

Fico só imaginando, com os salários de hoje em dia no futebol, basquete e mesmo no automobilismo, que há muito esportista por aí que já anda, fácil, fácil, a mais de cinco mil por horas.

 

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