O que os olhos não vêem
 
Em setembro de 1983, ganhei o GP da Itália em Monza. Faltavam só duas provas para o final do campeonato e já estava a apenas cinco pontos de Prost, depois de ter estado 14 pontos atrás. A vitória em Monza foi ótima, só não liderei três voltas e fiz a volta mais rápida da corrida. 

O que ninguém sabe e nem pôde ver (não havia câmeras in board de TV) foi que terminei a prova sem a luva direita. Teoricamente guiar sem as luvas pode valer uma bandeira preta. Mas é preciso que a infração seja vista. E isso não aconteceu. 

Explico como foi: nas viseiras do capacete colocamos algumas sobreviseiras, que são para ser tiradas conforme vão ficando sujas. Tirei a primeira, a segunda, sempre com a mão direita, que é como deve ser feito, já que a mão esquerda não sai nunca do volante. 

Na hora em que estava tirando a terceira, ela se partiu ao meio. Fiquei com metade de um lado limpo e a outra metade suja, com o resto da sobreviseira velha. Situação desconfortável que faz você perder a concentração. Tentei umas duas vezes e nada. Aí, na busca de um ângulo melhor em que o indicador ajudasse a puxar o que sobrasse da sobreviseira, levantei mais a mão, que acabou ficando inteira no fluxo de ar, em plena reta a quase 300 por hora... 

De repente voosh, o ar entrou pela parte de trás da luva e lá se foi ela. Fiquei até o final da corrida trocando as marchas de "mão descalça" e fazia o possível para "escondê-la" cada vez que tinha que fazer curvas para a esquerda. Sorte que em Monza vira-se sempre mais para a direita. 

Quem deve estar até hoje se perguntando onde é que foi parar o outro par da luva é o bandeirinha da primeira chincana, para quem joguei a luva restante, depois da bandeirada.

 

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