Reflexo



Jivago Rodrigues de Aquino

Procuro no espelho minha face
Que somos senão cadáveres medrosos?
Sim ! Nascemos sem coração
E insistimos em dizer que amamos
Somos apenas fantasmas que não foram à Ópera.
Ficamos em algum lugar do passado
Em algum tempo passado nós dançamos.
É bem verdade que não amamos,
Mas fazemos guerra.
Explosões de ira em nosso interior.

Procuro meu espelho numa face
Que vejo senão o caos atônito da minha solidão?
E os fantasmas não choram.
Mas são bem divertidos.
No espelho quebrado do banheiro de uma rodoviária qualquer
Vejo o reflexo de uma vida perdida no século passado.

Procuro na minha face um espelho
Calem-se todos. Silenciem todos os gritos contidos.
Um corvo morreu. Uma alma morreu. Um passado morreu.
Cortaram as asas de um homem
Avisei que nascemos sem coração
Calem-se todos. Calem-se, que o passado já não existe.

Procuro no espelho minha face
Mas o que vejo é um coração
Sem corpo, sem vida, sem veia
Um coração gelado, congelado
Sem alma, sem sangue.
No espelho eu vejo um coração
Solitário.
 

Jivago Rodrigues de Aquino  é estudante do 1o. ano de radialismo da UFG.

Mande um e-mail para a direção do jornal.

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