O planeta ambíguo
Leandro Quintanilha Santana
- Era uma vez um planeta especial, com nome estrangeiro, arquitetura monumental, piso de granito, temperatura sempre agradável, escadas rolantes, elevadores panorâmicos e torneiras automáticas. Seria este um novo conto de fadas? Não. Esse lugar realmente existe. Ele emerge na forma de palácios contemporâneos, nos médios e grandes centros urbanos. No shopping center, os passeios têm um toque de "glamour".
- Mas nem sempre, nesse lugar aparentemente perfeito, sentimo-nos bem. É comum ficarmos angustiados. A satisfação fica nas vitrines. Por vezes, fora de nosso alcance. Afinal, no "fascinante" mundo das compras", o supérfluo parece imprescindível. A alegria, ali tão próxima, é, paradoxalmente, distante demais de nossas possibilidades. Tornamo-nos, então, escravos do consumo, da moda, da publicidade. Acabamos por perder nossa individualidade. Queremos todos vestir as mesmas roupas, exibir nos traseiros as mesmas etiquetas de jeans. Transformamo-nos em "outdoors humanos", fazendo apologia a algo que nos faz tanto mal. E o pior é que, em meio a essa enorme estupidez, sentimo-nos o máximo, se, de vez em quando, podemos mostrar para a sociedade como fomos idiotas ao pagar por um casaco quatro vezes mais do que vale, numa grife.
- No "paraíso capitalista", a beleza é artificial. Os donos das grandes marcas enriquecem e nós, consumidores, saímos de lá, carregando nossas sacolas de compras, ainda mais ansiosos, inseguros e alienados. Pois, no shopping center, a felicidade está a venda, embora não possa ser comprada, nem a prazo, nem com desconto à vista.
Leandro Quintanilha Santana é estudante do 2o. ano de jornalismo da UFG.
- Mande um e-mail para Leandro Quintanilha Santana ou para a direção do jornal.
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