A comercialização da fé

Nazareth L. de Paula

"O importante é ter fé. A fé move montanhas." É assim que pensam os religiosos. Mas, será que ela é tão poderosa assim? E os milagres? Eles podem acontecer com qualquer um, ou são privilégios de determinadas classes ou indivíduos?

Os crentes confiam muito no poder da fé, e acreditam que cultivando-a podem obter o que desejam. Levantam as mãos para o céu e fazem seus pedidos! Muitos conseguem aquilo que podem, mas nem todos. Conseguir o que se quer não é novidade. Isso também acontece com muitos descrentes e ateus. Mas a tolice parece tomar conta das pessoas, e quando elas encontram espertalhões pela frente, então!... Ah! Aí é reza pra cá, dízimo pra lá, e uma infinidade de rituais.

O que chama a atenção é que já não se pede apenas a salvação e benção divinas. Os pedidos, agora, também seguem direções materiais. É possível ver fanáticos pedindo carros, jóias, promoções no trabalho e até prestígio social. Enfim, é um show de mesquinharia e hipocrisia.

Daí vem a pergunta: se o importante é ter fé e acreditar em Deus, por que, então, aqueles que passam fome no Nordeste e em outros locais, não são atendidos? Eles pedem a Deus e imploram por chuva e comida. A maior parte, apesar de sofrer tanto, não perde a fé e continua temente a Deus. Será que a fé deles é menor porque não têm dinheiro para pagar o dízimo?!

O que se vê hoje em dia é a riqueza se concentrando nas mãos de poucos e a pobreza atingindo, a cada dia, um número maior de pessoas. O socialismo na ex-URSS foi derrubado. A globalização toma conta do mundo e, junto com ela, a miséria. Deus assiste a tudo. Seu nome, para os homens, é sinônimo de Justiça e Bondade. Das duas uma: ou Deus não é todo poderoso ou não é justo nem bom.

Nazareth L. de Paula é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.

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