Pré-calouros e calourices
Simone Lage M. Ribeiro
- É deplorável a maneira como alguns acadêmicos do primeiro ano ainda conservam postura, ideais e exigências de alunos secundaristas. Esses acadêmicos não perceberam ainda que, ao ingressar na universidade, devem livrar-se dos laços afetuosos que os atavam à instituição educacional a que pertenciam anteriormente.
- O potencial desses alunos é incontestável em nível de aprendizagem e absorção de informações. Afinal, para adentrar o meio acadêmico, deve-se estar entre as mais eficientes cabeças pensantes que tiveram a oportunidade de obter uma vaga na universidade, constituindo apenas 10% da população brasileira. Talvez seja esse o motivo de tamanha arrogância por parte dos "calouros".
- Essa arrogância, por sua vez, é a principal causa de exigências infundadas que têm como objetivo transformar a universidade numa continuação do lar, com relações paternalistas do corpo docente para o corpo discente, como nos primeiro e segundo graus. A função do professor na universidade é complementar a matéria, apenas orientando o aluno em seus estudos, após a apresentação de uma bibliografia. Ora, se o professor se dispõe a fazer sua parte, pode partir do pressuposto de que o aluno também o faça. É obrigação do aluno procurar o conhecimento, e não imputar aos professores a falta ou a deficiência deste.
- No meio acadêmico, os ânimos são acirrados pela concorrência. O conhecimento deve ser adquirido de forma constante pelo aluno, não interessando a ninguém seus problemas de formação ou idoneidade. A forte concorrência propicia o individualismo e a universidade deve e prefere estimular o mesmo, pois prepara o estudante para o mercado de trabalho.
- Comparações entre os cursos secundário e superior são inevitáveis, mas é necessário que os "calouros" saibam discerni-los o mais rápido possível para que tomem o quanto antes a iniciativa de caminharem por si só. As divergências entre os dois níveis de escolaridade são tão óbvias quanto o fato de que só os que forem aptos a percebê-las acabarão com alguns tabus e ideologias que não se aplicam à realidade da sociedade atual.
- Os que já perceberam as distinções vivem agora em função da realidade e têm consciência da gama de recursos que a universidade tem a oferecer, enquanto o idealismo e a ingenuidade de alguns são o reflexo de sua inaptidão à vida real.
Simone Lage M. Ribeiro é acadêmica do 3o. ano de jornalismo da UFG.
- Mande um e-mail para Simone Lage M. Ribeiro ou para a direção do jornal.
Primeira -
Anterior -
Próxima -
Última
© 1997 1998 1999 Jornal Integração Todos os direitos reservados
|