Eu e a Coca-Cola®

Ana Lúcia Carvalho Jardim

Eu não gosto de Coca-Cola. Vivo perdida, insegura, longe de ter sua onipresença. Não tenho marca, marketing, e não sou da massa. Sou só eu, escondida no mundo, com toda minha inexperiência e necessidade de aprender.

Gosto do que é naturalmente vivo. Química para mim, só orgânica. De artificial, a vida já tem muito. Estou sempre a procura da simplicidade e da natureza escondida nas coisas.

A escolha da minha profissão vem seguida de um grande desejo de saciar a sede das pessoas. Não pretendo vender uma idéia e uma imagem. Tentarei ser útil, sem precisar convencer ninguém da minha capacidade. A verdade é o meu objetivo. Só ilude e engana, o que não tem conteúdo.

A Universidade para mim nada mais é do que uma "Coca-Cola". Imponente sob todos os olhares. Indubitavelmente considerada fonte de poder e status. Mas na verdade, uma desilusão, onde formam-se, na maioria, bebedores de Coca-Cola.

É notório que "l´agua negra del capitalismo"* formou um império e se mostra cada vez mais estável e dominante. Mas eu não tenho o espírito de um imperador, e também não gosto de sua onipotência. Busco a utópica liberdade e igualdade das forças. Já ela é cúmplice da exploração e da desigualdade social.

Acho que eu e a Coca-Cola só temos em comum o fato de entendermos de metáforas.

*Expressão de Fidel Castro ao se referir à Coca-Cola: "a água negra do capitalismo".

Ana Lúcia Carvalho Jardim é acadêmica do 3o. ano de jornalismo da UFG.

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