O "Provão"
não Prova Nada!
Festejado pelo governo como solução para a avaliação dos cursos de nível superior do Brasil, o "Provão" (designação dada pela comunidade acadêmica ao Exame Nacional de Cursos) nada mais é do que uma desculpa para a implementação da privatização das uinversidades. Não levando em conta atividades e realidades, existentes dentro de uma faculdade, como pesquisa e extensão, as condições de trabalho, os salários, a biblioteca, os componentes éticos, o conhecimento temático, a percepção da totalidade da sociedade, a formação profissional dos estágios, monitoria, etc. "Ele quer homogeneizar o que por natureza é diferente" (Prof. Marina Barbosa, ESS da UFF). A avaliação resultante do provão detecta o que todos já sabem: a melhor qualidade de ensino público, mesmo sem recursos para o seu funcionamento.
O próprio MEC, que deveria distribuir as verbas para as universidades públicas, tratou de inverter a lógica dos resultados e divulgou que "as faculdades particulares se saíram melhor que o esperado, comprovando a qualidade do ensino privado".
No provão, os estudantes, ao término de seu curso, são obrigados a fazer uma prova, que ninguém sabe quem prepara, para avaliar a instituição onde estudou.
No caso das públicas, não é necessário pensar muito para concluir que o estudante de uma universidade no sudeste irá se sair bem melhor do que universidades localizadas no norte do país, que têm menos recursos, por exemplo.
Antes, o MEC dizia que as verbas seriam dadas às faculdades que melhor se saíssem no provão, mesmo sabendo que, nas faculdades particulares, já estão sendo dadas as disciplinas, valendo quatro créditos, que preparam o estudante somente para o provão. Como as públicas se saíram bem melhor que as privadas, o MEC liberou, via BNDES, uma linha de financiamento de R$ 1 Bilhão para "melhorar o ensino" das faculdades particulares. Enquanto isso, as universidades públicas continuavam sem nada.
Se pretende assim justificar a privatização, gradual, das nossas universidades públicas. Com o rendimento afetado pela falta de verbas, e com o "atestado de óbito" do provão, o governo engana a sociedade, dizendo que o ensino público faliu, só restando o caminho da privatização - semelhante ao processo utilizado na Argentina, que durou seis anos, e que acabou com a gratuidade nas universidades.
Nós não queremos o "provão", mas não nos escondemos de avaliação, desde que esta esteja realmente comprometida com a universidade pública, gratuita, democrática, de qualidade, para que sirva aos trabalhadores e aqueles que realmente dela precisam. A sociedade tem a obrigação de avaliar como está o ensino universitário no país.
O provão realmente não prova nada! precisamos de uma avaliação
que construa um projeto mais igualitário e não promova mais
a exclusão.
Daniele Carvalho
Coordenadora Geral DCE-UFF
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