Antônio Pedro: A Outra Vítima

                "Um dia uma paciente pobre e necessitada dá entrada na emergência às 6 da manhã mas só é atendida às 11 pois, como ocorreu um acidente na ponte, eles terão prioridade pois a concessionária é quem banca o atendimento de emergência. Depois de conseguir ser atendida e encaminhada para uma cirurgia ela tem de esperar, pois as mesas de operação estão destinadas a funcionários e seus parentes de Banco do Brasil. Por fim, após ser miraculosamente operada, nossa paciente terá de voltar para a casa pois só há leitos para quem possui plano de saúde privado. É esta a via crucis que se transformarão os Hospitais Universitários de deixarmos que sejam privatizados".

                O governo em sua lógica de desmonte, tem atacado também os hospitais universitários. Segundo sua proposta, estes hospitais passariam primeiro para o ministério da saúde para que este os municipalizassem, o que faria com que o ensino deixasse de ser sua atividade principal, e colocaria estes hospitais na mira das privatizações como muitos estados e municípios já tem feito.

               Para concretizar isso, o governo e o MEC vêm sucateando os HU's através de um corte de verbas que acarretam a absurda falta de materiais hospitalares básicos como seringas, gazes e esparadrapos. Isso sem falar na falta de mão de obra qualificada, fruto da ausência de concursos públicos e sucessivos planos de demissões e aposentadorias.

                Além destes problemas, o Hospital Antônio Pedro, pertencente a UFF, sofre com debilidades em suas estruturas provocadas pela falta de reformas estruturais e é sobrecarregado pela alta procura dos usuários. Afinal, apesar de ser um hospital escola, o Antônio Pedro atende, quase que sozinho, Niterói, são Gonçalo e região. Infelizmente, enquanto o governo segue destruindo as universidades e os HU's, certos dirigentes universitários ao invés de procurar defender suas instituições acabam pactuando com a privatização. Uma séria denúncia surgiu no conselho universitário: o diretor do HUAP, em recente evento do Ministério da Saúde, afirmou não ter escrúpulos em ceder a emergência de sua unidade para a Ponte $/A, e o centro cirúrgico para o Banco do Brasil (mesmo que tivesse que pintar as paredes de amarelo e azul, cores do banco). É bom lembrar que a ponte é uma empresa privada e o Banco do Brasil é um dos próximos alvos da privatização.

                O diretor também defende a abertura de vagas e leitos de um hospital público para pacientes encaminhados por planos de saúde, a exemplo do que fez o interventor da UFRJ que privatizou um andar e 13 leitos para planos de saúde privados.

                A atividade de ensino? como vem denunciando o sindicato dos médicos, os HU's perderão esta obrigação. Afinal quem paga vai querer ser atendido por profissionais já experimentados. Sem prática, que profissionais de saúde sairão de nossas faculdades? Professores, servidores e estudantes estão se organizando em defesa do Antônio Pedro enquanto hsopital universitário de ensino. A partir destas denúncias e da pressão da comunidade se aprovou no conselho universitário uma comissão para averiguação dos fatos e levantamento de propostas de melhoria.

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