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O POLVO... e os seus braços tentaculares |
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O quê ? Uma página dedicada
ao polvo? No Clube dos Idiotas?!!!... Mas que estranho! ... Não
querem lá ver que este bando de Idiotas se vai dedicar à
pesca ou à biologia marítima? Ou vão dar mais uma
receita de arroz de polvo?!...
Nã, nada disso. Não nos vamos dedicar à culinária ainda que estejamos gastronomicamente apaixonados por este cefalópode. Filo: Mollusca O polvo apresenta oito braços com ventosas. Pode assumir diversas colorações, mimetizando-se no meio ambiente. Alimenta-se de moluscos, peixes e crustáceos, sobretudo lagostas e caranguejos. Esta página é dedicada a outro tipo de "polvo". Referimo-nos ao "cefalópode" que se esconde atrás da respeitabilidade para desenvolver as suas actividades pérfidas e inconfessáveis. Este polvo veste fato (ou vestido..) de cerimónia, fala suavemente e gosta de ostentar um sorriso de simpatia fingida. Tal como o seu parente marítimo, o "polvo" de que falamos é tentacular e gosta de atacar à traição os "peixes" mais fracos tentando esmagá-los com os seus braços de "titânio"; mestre do disfarce e da camuflagem, movimenta-se à vontade nos limbos legais com vista a desenvolver as suas actividades mafiosas. Mas mais palavras para quê ? A descrição do polvo do Pde. António Vieira é genial e actual.
Descrição do Polvo O polvo com aquele seu capello na cabeça parece um monge, com aqueles seus raios estendidos parece uma estrela; com aqueele não ter osso, nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma mansidão. E debaixo desta apparência tão modesta, ou desta hypocrisia tão santa testemunham contestemente os dois grandes doutores da Igreja latina e grega que o dito polvo é o maior traidor do mar. Consiste esta traição do polvo primeiramente em se vestir, ou pintar das mesmas cores de todas aquelas cores a que está pegado. As cores que no camaleão são gala no polvo são malícia: as figuras que em Proteo são fabulas, no polvo são verdade e artifício. Se está nos limos faz-se verde; se está na areia faz-se branco; se está no lodo faz-se pardo; se está em alguma pedra, como mais ordinariamente costuma estar, faz-se da cor da mesma pedra. E daqui que succede? Succede que outro peixe inocecnte da traição vai passando desacautelado, e o salteador que está de emboscada dentro do seu próprio engano, lança-lhe os braços de repente, e fá-lo prizioneiro. Fizera mais Judas? Não fizera mais, porque nem fez tanto. Judas abraçou a christo, mas outros o prenderam; o polvo he o que abraça e mais o que prende. Judas com os braços fez o sinal, e o polvo dos próprios braços fez as cordas. Judas he verdade que foi traidor, mas com lanternas diante; traçou a traição às escuras, mas executou-a muito às claras. O polvo escurecendo-se a si tira a vista aos outros, e a primeira traição e roubo, que faz, he à luz para que não distinga as cores. Vê, peixe aleivoso e vil, qual he a tua maldade, pois Judas em tua comparação já he menos traidor Pde. Antônio Vieira
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