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A Internet é dos pit bulls

Carlos Orsi

Este não está sendo um bom ano para os cães de guarda em geral, e para os pit bulls em particular. No Rio de Janeiro, foi sancionado, em abril, um projeto de lei que, na prática, leva à extinção da raça, no Estado. Antes, em fevereiro, um pit bull havia atacado duas crianças, sendo detido apenas pelo heroísmo da cadela vira-lata Catita. Foi a selvageria do ataque, frustrado pela intervenção de Catita, que gerou a
onda de aversão generalizada aos pit bulls. Generalizada? Bem, não na Internet.
Bastou que a lei contra a raça fosse aprovada no Rio (ao mesmo tempo em que projetos semelhantes ganharam publicidade em todo o País)
para que a mobilização pró-pit bull tomasse conta da rede brasileira, ocupando desde espaços específicos, em domínios de interesse mais
genérico (sobre veterinária, por exemplo), até sites inteiros. Surgiu uma
espécie de "ONG informal" em defesa do pit bull, no ciberespaço.
Nas páginas pró-pit bull, o argumento usado é sempre o mesmo - não
há cão violento, o que existe é dono negligente ou mal intencionado.
Muitos dos sites trazem a história da raça que, sim, foi criada para lutar em rinhas (os tais "pits", daí o nome do cão), enfrentando outros cães, touros e, até, ursos. Mas, dizem, isso significa que a raça é forte e ágil, com "tendência à combatividade" - que pode, ou não, ser desenvolvida, de acordo com a criação dada ao filhote.
Há, mesmo, um site que argumenta que o verdadeiro cão de luta não
ataca seres humanos - já que ele deve ser treinado para obedecer ao
árbitro do "combate". A maioria dos sites pró-pit bull lembra o visitante
que combates entre animais são contra a lei. Alguns até oferecem
acesso a um disque-denúncia para esse tipo de crime.
A página Vida de Cão, mantida por uma veterinária, apresenta uma
petição para ser enviada, online, ao Congresso, em defesa do pit bull. A
Vida de Cão traz ainda vários conselhos úteis para donos de cães de
todas as raças, incluindo um manual de primeiros-socorros, que ensina
até a fazer respiração boca-a-focinho.
De qualquer forma, os criadores e donos de pit bull brasileiros não estão sozinhos em suas dificuldades. A criação da raça já foi proibida na
Inglaterra, proibição que também avança nos Estados Unidos. O que
não impede que os EUA, berço da raça (cujo nome completo é
American Pit Bull Terrier) tenham uma revista especialmente devotada
aos apreciadores da variedade, a Pit Bull Reporter. Que, por sua vez, também está na Internet.
A partir da Pit Bull Reporter é possível chegar ao site Rott-n-Chatter, em defesa de outra variedade "mal interpretada", o rottweiler. O
Rott-n-Chatter mantém vigilância, ativa e constante, sobre o surgimento
de leis, em todo o mundo, que possam prejudicar raças específicas de
cães. A partir desse site, o criador preocupado pode, até, enviar um
e-mail pró-pit bull (ou rottweiler) ao presidente do Congresso brasileiro, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Links:
Vida de Cão
http://www.vidadecao.com.br

Pit Bull: vilão ou vítima?
http://members.tripod.com/pitbull_hp/pitbull.html

Pitt Bull.Br
http://www.pitbull.com.br/

Pit Bull Reporter
http://www.pitbulls.com/

Rot-n-Chatter
http://www.rott-n-chatter.com/




Carlos Orsi, 27 anos, é jornalista e escritor. Trabalha com Internet desde 1996, quando foi contratado pela Agência Estado. Desde 1997, responde também pela seção 'Ano 2000'.
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