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A fábrica da Ford e a Iugoslávia
Alexandre Gomes Independente da posição que se possa ter sobre os bombardeios da Otan à Iugoslávia uma coisa é certa: Slobodan Milosevic é mais um destes líderes fascistórides que empesteiam o mundo. Para se manter no poder depois do desabamento do aparato policial-ideológico da Liga Comunista ter desabado o líder sérvio apelou para os mais básicos e grotescos instintos da população. Lançou a nação numa sangrenta patriotada e iniciou uma escalada de terror entre os vizinhos assustados com o renascimento do mito da "Grande Sérvia". Nada foi poupado para alimentar a ambição racista de Milosevic, nem a vida de crotatas, bósnios, eslovenos e agora dos albaneses, nem a verdade, sufocada em meio a uma tempestade de falsificações que tentam reescrever o passado no melhor estilo: "quem controla o presente controla o passado". Mas não é a Iugoslávia que nos itneressa aqui, e sim São Carlos. Subitamente a cidade foi soterrada por uma efusiva campanha para que a cidade conquiste a fábrica da Ford, expulsa do Rio Grande do Sul por sua exigência descabida de um empréstimo subsidiado de quase meio bilhão de reais. Existe mais chance de Milosevic e suas tropas sanguinárias e bebadas conseguirem formar uma grande Sérvia do norte da Itália ao centro da Grécia e da Albania à Bulgária, passando pela Austria e Romênia, do que de São Carlos conseguir a fábrica da Ford. Ao menos Milosevic sabe o que rpecisa fazer para conseguir isto e por isto está um passo à frente dos políticos da cidade. Ninguém sabe nem sequer o que a Ford espera da cidade, ninguém tem a menor noçõa do que o governo do Estado vai oferecer (mas muitos imaginam que a ajuda se limite às palavras de entusiasmo, único resutlado das muitas audiências). Mesmo assim a versão local do incrível exército de Brancaleone lança esta cruzada cívica pela conquista da Ford. O que pode fazer políticos que mal se falam se unirem em uma batalha tão quixotesca? Alguns certamente estão lá por ingenuidade - tanto deles como dos eleitores - e nem tem condiçÕes concretas de avaliar o que realemtne significa lutar para trazer a Ford, querem apenas aparecer na foto. Eleitores que votam em gente assim realmente merecem serem tratados como idiotas. Outros estão lá por que seria de mal tom não se irmanar no espírito da "Cruzada", sõa os "inocentes inúteis" que bem sabem que a história toda não passa de uma esparrela, mas não tem coragem de dizer. Mas alguns estão plenamente conscientes do ridículo da história toda, sabem que a batalha não vai dar em nada, e não só sabem que se trata de uma armação como participaram da execução do enredo. Sem condições de criar fatos concretos que viabilizem o entusiasmo do público e os catapultem na próxima eleição, lançam factóides na tentativa de iludir o povo. Certamente é uma forma muito econômica de obter popularidade, não se gasta quase nada, ganha-se um bocado de espaço, vira-se assunto por alguns dias, mobiliza-se a população e quando a notícia da derrota rpeviamente prevista, e assegurada, vier se lança uma campanha de caça às bruxas para escolher algum adversário incoveniente como o culpado pelo fracasso de uma luta que não podia ser vencido. Às massas iludidas por todo este jogo de cena, por este clima de euforia fala-se que lutou-se com força sobre-humana para obter uma vitória e que a cidade até estava no páreo, mas devido ao trabalho de sapa, à sabotagem de fulano (e coloca-se aqui o nome do bode expiatório previamente escolhido) todo o esforço foi desperdiçado. Mata-se assim dois coelhos com uma única cajadada e a um custo baixíssimo. A mesma coisa faz Milosevic, empolga a população com uma bandeira alucinada de glória, inatingível mas palpável, e então joga-se a culpa pelo fracasso nos adversários e nas etnias mais próximas. A proósito, até agora não existe nada que comprove que a Ford ao menos tomou conhecimnto da pretensão de São Carlos. Mas há uma diferença fundamental entre os dois cenários que traz uma até inusitada esperança no futuro: o são-carlense, de uma forma geral, não engoliu a patacoada e msotrou que tem muito mais juízo que sues políticos. Ninguém se entusiasmou com a Ford e nào só proque sabem que não existe nenhuma perspectiva da fábrica ser instalada na cidade. O cidadão são-carlense demosntrou que sabe aprender com os erros do passado e não só sabe que a vinda da Ford é improvável como ainda tem a firme convicção que existem outras alternativas muito mais interesantes que a montadora. A caríssima e pouco alentadotra experiência da VW - que gerou poquíssimos emrpegos com salários baixos e um aumento pífio na arrecadação em troca de investimentos altíssimos do Poder Público - ensinou a população de São Carlos. O São Carlense sabe que o maior problema relativo ao desemprego nào será resolvido com a vinda da fábrica da Ford, porque esta só vai empregar uma mão de obra altamente qualificada, a maior parte dela vinda de outras cidades. O sào-carlense sabe que os mesmos recursos que seriam doados à Ford produziriam muito mais emrpegos em outras atividades. Muito mais sábio que os políticos que engrossam o Exército de Brancaleone que luta pela Ford, um ex-operário da CBT descobre a pólvora airmando que enquanto falam de dar milhões à Ford seria possível retomar a CBT com um investimento de R$ 10 milhões que geraria um número muito maior de empregos. Mas ouvir conselhos sábios como este não é de praxe dos políticos locais. Alexandre Gomes é editor do PRIMEIRA PÁGINA |
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