Autor(a): Aluísio Casabianca ( 1º DI )
Filosofia - Francis Bacon
Nesta
terceira edição, após termos vencido a primeira etapa, que
tratou do complexo sistema kantiano, voltaremos a atenção para
um filósofo mais prático e acessível: Sir Francis Bacon,
Barão de Verulam. Esperamos, desta forma, continuar trazendo
mais luz sobre a vida e obra de importantes personalidades que
dedicaram heróico esforço e amor na trilha do conhecimento.
Seguindo a linha
adotada nas edições anteriores, iremos analisar
superficialmente a vida e obra deste grande filósofo, lembrando
sempre que a intenção deste trabalho não é de forma alguma
esgotar um tema filosófico, e sim dar o impulso inicial para um
posterior estudo mais aprofundado.
Quaisquer
sugestões, críticas ou discussões a respeito desta ou de
outras edições desta seção filosófica podem ser enviadas
para:
aluisiocb_frc@hotmail.com
FRANCIS BACON
O Objetivo de Nossa Fraternidade é o Conhecimento das
Causas e dos movimentos secretos das coisa; e o alargamento das
fronteiras do império humano, para executar tudo que for
possível.
A Nova Atlântida, Sir Francis Bacon
Francis Bacon
nasceu no dia 22 de janeiro de 1561 em Londres. Filho de Sir
Nicholas Bacon, homem influente durante o reinado elizabethano, e
Lady Anne Cooke, lingüista , teóloga e principal professora de
seu filho; ainda em sua juventude foi bastante criticado por
tentar transformar a filosofia numa ciência prática.
Apesar de
durante toda a sua vida ter Bacon afirmado veementemente que sua
grande paixão e vocação era a filosofia, foi levado aos
dezesseis anos a seguir a carreira política, ao ser nomeado
funcionário do embaixador inglês na França. Em suas próprias
palavras: Não encontrei trabalho mais meritório do que a
descoberta e o desenvolvimento das artes e das invenções que
tendam a civilizar a vida do homem. (...) Eu tinha paixão pela
pesquisa, o poder de manter, com paciência, o julgamento em
suspensão, de meditar com prazer .(...) Por todas essas razões,
eu achava que minha natureza e minha disposição tinham, por
assim dizer, uma espécie de afinidade e ligação com a verdade.
Mas o meu nascimento, minha criação e educação haviam todos
apontado, não pela filosofia, e sim para a política: eu tinha
sido, por assim dizer, embebido na política desde a
infância. (tradução inglesa de autoria de Abbott:
Francis Bacon, 1885; pág.37)
Em 1579, com a
morte de Sir Nicholas Bacon, vendo-se em situação financeira
desfavorável, passou a advogar, já que não conseguiu qualquer
auxílio de seus parentes politicamente influentes. Por mérito
próprio, no entanto, Bacon foi escalando os degraus que levam ao
poder, sendo em 1538 eleito para o parlamento, onde foi
extraordinariamente bem sucedido devido à sua incomum capacidade
oratória. Apesar da acusação de traição que injustamente
recaiu sobre sua pessoa, devido à participação de Bacon na
acusação de seu amigo, o conde de Essex, conspirador contra a
rainha Elizabeth, conseguiu galgar cargos ainda mais elevados. Em
1606, tornou-se assistente do procurador-geral; em 1613 assumiu o
cargo de procurador-geral e, em 1618 chegou à presidência da
Câmara dos Pares.
Paradoxalmente,
associada a essa intensa vida política, Bacon também gozava de
uma intensa vida contemplativa completamente voltada à
filosofia. Seu lema era: Vive-se melhor na vida
oculta- Bene vixit qui bene latuit. Seus estudos
filosóficos levaram-no a acreditar que a filosofia, para ser
respeitada e útil para o avanço da ciência, havia de ser
prática. São suas palavras: As ciências encontram-se
quase estacionárias, sem receberem quaisquer incrementos dignos
da raça humana; e toda a tradição e sucessão de escolas ainda
é uma sucessão de mestres e estudiosos, não de
inventores. (Das Sedições e Das Dificuldades,
Ensaios). O plano de Bacon para reformular o conhecimento, o qual
representou, para o século XVII, a maior organização racional
do conhecimento, foi estruturado da seguinte maneira:
I) Tratados Introdutórios que explicam a estagnação da
filosofia, devido à utilização da escolástica. Obras: De
Interpretatione Naturae Proemium e Redargutio Philosophiarum.
II) Uma Classificação do Ciência, relacionando seus elementos
e problemas. Obra: De Augumentis Scientiarum.
III) Descrição de um novo método para a interpretação da
natureza. Obra: Cogitata et Visa, Filmus Labyrinthi, Novum
Organum.
IV) Estudos sobre as ciências naturais, ou Fenômenos da
Natureza. Obra: História Naturalis, Descriptio Globi
Intellectualis.
V) Estudo da forma pela qual a filosofia havia evoluído, desde a
Grécia antiga, até estagnar-se na era medieval, A Escada do
intelecto. Obra: Sylva Sylvarum.
VI) Previsão dos resultados decorrentes do uso de seu novo
método. Obra: De Principiis.
VII) A Idealização utópica dos frutos da nova ciência. Obra:
A Nova Atlântida.
Tendo
analisado algo das atividades de Bacon como filósofo e
político, resta agora tratar de uma faceta sua bastante
inusitada: a sua ligação com o Ocultismo. Historicamente, foi
ele estreitamente ligado à tão falada fraternidade mística dos
rosacruzes. Alguns estudiosos chegam inclusive a afirmar
ter sido ele o Imperator da Ordem Rosacruz durante grande parte
de sua vida, sendo-lhe atribuída a autoria dos bombásticos
manifestos rosacruzes Famma Fraternitatis, Confessio
Fraternitatis e casamento Alquímico de Christian Rosenkreuz. De
qualquer forma, suas obras sempre forma envoltas por algum
mistério, sobretudo A Nova Atlântida. Esta obra
inacabada de Bacon, segundo fortes indícios históricos, fez
parte de um plano dos rosacruzes de estabelecer colônias na
América, ali colocando em prática, dentro de maior liberdade,
os princípios filosóficos da Ordem. Este plano foi efetivamente
realizado em 1693, quando um grupo de rosacruzes liderados pelo
Grande Mestre Johannes Kelpius partiram para a América do Norte
a bordo do navio Sarah Mariah, estabelecendo uma colônia na
Pensilvânia, Filadélfia.
Após
estas breves linhas biográficas,
encerramos este artigo, que terá sua continuação no próximo
número de DI Novo, onde será
analisada a filosofia baconiana. Poderemos
então compreender melhor o ideal de vida deste grande homem, seu
sonho de conhecer a realidade ordenando magistralmente a
avassaladora totalidade.