Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é
Carta da Redação do DI Novo para a Redação de “O Rábula”

         Gostaríamos, primeiramente, de agradecer a atenção a nós dispensada. Os caríssimos redatores do periódico da Sala Par fazem questão de basear grande parte sua linha editorial em textos por nós publicados. Mais uma vez somos gratos pela leitura cuidadosa e crítica que é feita diante de nossos artigos – uma resposta às nossas expectativas.
         É importante ressaltar que estamos alcançando a meta de provocar debates, através de textos – uns mais, outros menos – polêmicos. Porém, temos a obrigação de esclarecer um mal-entendido. Como já dito e reafirmado em nossos editoriais passados, não somos responsáveis pelas opiniões apresentadas: nossa função é divulgá-las. Oferecemos espaço a qualquer pessoa que queira refutar a posição exposta nos artigos.   A ocasião é, então, oportuna para o convite. Por que vocês, amigos rábulas, não o fazem por meio de argumentos menos óbvios, em um texto no nosso jornal? Acreditamos que esta colaboração será válida no sentido de agitar ainda mais os ânimos.
         Ainda na mesma questão, tratemos de um esclarecimento, feito agora de forma mais didática, para que vocês consigam, finalmente, captar o espírito do DI Novo (sem necessidade de passe ou mesa branca).
         O DI Novo é um jornal tão representativo quanto democrático e a nós não cabe vetar artigos de alunos interessados em publicá-los – sejam ou não do Diurno Ímpar – mesmo que expressem pontos de vista com os quais a grande maioria discorda. É claro que existe um certo critério, evitando textos de gosto duvidoso, principalmente no que se refere à parte humorística.
         Lembrem-se, caros “rábulas”, de que no mundo temos que aturar ou lidar com variadas posições – sejam de cunho político, filosófico, religioso, musical, ideológico, culinário, sexual, transcedental... Resta-nos aceitar este fato e expô-lo para que cada um ache seu próprio ponto de vista a respeito de algo, depois de uma postura  atenta e crítica às opções.
         Foi-nos dito que éramos um “jornal de resenhas”. Preferimos assim continuar a buscar uma única concepção, uma só linha de pensamento perante tamanha diversidade e riqueza de conteúdo – este, às vezes, reprovável, como não só vocês bem observaram. O que se oferece aos leitores é um conjunto de opiniões, não imposições. E é com este compromisso que seguiremos por muitas edições e bate-bocas...

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