José Roberto (1o DI)
Piores de 98
Durante esses primeiros dias do mês de agosto, todos estivemos
entretidos em uma celebração nova para nós calouros: o
pindura. Circulamos por toda a cidade (alguns até por outras)
atrás de restaurantes, lanchonetes, bares e estabelecimentos
afins que se dispusessem a acolher são-franciscanos festivos e
sobretudo esfomeados. Entretanto, alguns locais visitados se
recusaram a compartilhar do animus jocandi, ofendendo e agredindo
alguns colegas, tornando nossa comemoração um ritual de fuga.
Como
protesto à má recepção dos estudantes, preparamos esta lista
(em ordem decrescente de antipatia) com o nome de alguns dos
lugares que pior nos atenderam. Recomendamos a todo o 1º DI que
boicote estes estabelecimentos durante o resto do ano como forma
de valorização da secular tradição do pindura.
1. Fridays: foi palco do
pindura mais frustrado de que se teve notícia no primeiro ano.
Alguns colegas, vítimas da intransigência e incompreensão,
foram conduzidos ao DP do Itaim onde foram encarcerados.
2. Dom Place: churrascaria chique do Largo do
Arouche, teve a honra de ser escolhida por muitos
são-franciscanos como o local ideal para a noite do XI de
Agosto. Após uma recepção muito simpática no almoço,
jantares na faixa foram prometidos. No entanto,
quando os colegas voltaram ao local, o restaurante estava
fechado.
3. Famiglia Mancini: riu na cara dos estudantes,
chamando-os de pseudo-estudantes de
Direito. A nós, só nos resta não comparecer a esse
pseudo-restaurante.
4. Cantina Del Pierro: colocou na porta um
aviso: Você, estudante de Direito, não aceitamos
pindura. Acho que seria de bom tom se os colegas do 1ºDI
não aceitassem a comida deles, reciprocamente.
5. Red: provocou muito constrangimento nos
estudantes quando a atendente aceitou o pindura para depois ir
embora e os garçons quererem cobrar a conta.
6. Elite: chamou a Guarda Civil Metropolitana
para forçar os estudantes a pagar a conta.
7. Itamaraty: mesmo a proximidade com a
faculdade não ajudou nesse caso. Os alunos eram barrados na
porta do restaurante. Aqui há um agravante, pois tal restaurante
é famoso nas Arcadas.
8. Roma: cometeu a heresia de aceitar um pindura
do Mackenzie e recusar um da San Fran.
9. Bovinus Grill: os garçons fizeram
gestos insinuando que os estudantes iriam ser presos. Após o
terrorismo, aceitou dar 40% de desconto, o que de fato não é
interessante para quem não está querendo esmola, mas sim
praticando o pindura.
Autora: Fernanda Emy (1o DI)
Melhores de 98
Não
vamos apenas mencionar os pinduras mal-sucedidos. Afinal, ainda
podemos contar com o espírito daqueles capazes de compreender a
tradição que nos é cabida, de proporcionar meios de
sacramentarmos a cada agosto o ritual do pindura. Através destas
singelas linhas, venho agradecer aos que nos receberam com muita
cordialidade e simpatia, dispostos a abrir mão de alguns
vinténs no bolso para acolher os estudantes da San Fran.
O
Restaurante Acrópoles, no Bom Retiro, é um bom exemplo da
hospitalidade que faltou à maioria dos restaurantes do Bexiga.
Após uma longa peregrinação atrás de um estabelecimento que
aceitasse o pindura diplomático, em que deparamos
com uma série de caras e portas fechadas, encontramos no
mencionado restaurante um almoço farto, uma acolhida calorosa e
nenhuma conta na mesa. Apesar do horário avançado, o dono do
restaurante, um heleno legítimo, fez questão de mostrar que nem
só de churrasquinho e arroz vive a comida tipicamente grega. A
refeição deliciosa e o ambiente muito agradável
compuseram um pindura
memorável, com direito a todas as trovas e até um
parabéns a você era aniversário do dono e
nós é que saímos ganhando (fomos convidados para o pindura de
99).
Na
Cantina Roperto, no Bexiga, conseguimos agendar um pindura, que
foi marcado pela boa vontade do dono, pelo ambiente aconchegante
e pelo sabor da comida. O Sr. Roperto, muito extrovertido e
falante - afinal, tratava-se de um estabelecimento italianíssimo
-, mostrou-se um aliado na defesa do pindura, apoiando a
tradição dos estudantes de direito (nem sempre restrita a eles)
e permitindo a consagração do passado. Sem constrangimentos,
todos se divertiram. Que venham futuros pinduras!
P.S.: A propaganda neste jornal não está
vinculada a nenhum patrocínio, é um agradecimento
espontâneo dos calouros e calouras que
ingressaram de corpo, alma e
estômago no costume lúdico de
comer de graça, em clima de comemoração.