Gatos sofrem atentados em Brasilia
Em Brasilia
os gatos sofreram agressões e chegaram a morrer.
No Guará
II, tem gato em cima do muro, do telhado, nos carros, no lixo ou esticados
preguiçosamente nas calçadas.
No dia 15 de janeiro tanto miado encheu a paciência de
um dos moradores, que incendiou
o gato de sua vizinha, D. Maria, na madrugada.
D. Maria
e Celso moram lado a lado e nunca foram de trocar gentilezas. Maria é
uma
senhora de 75 anos que cria
10 gatos no fundo de sua casa. Celso tem 24 anos e mora
com a esposa, a sobrinha e dois
periquitos.
Xaninho
é o nome de um dos felinos de Maria. Aos dois anos, era o mais travesso
e,
como todos os gatos, só
voltava pra casa para o jantar. Mas, no dia 15, Xaninho não re-
tornou para comer a ração
com leite que sua dona preparou. Ao invés disso ficou namo-
rando os periquitos do vizinho
até cair no quintal ao lado.
Às
2 horas da manhã, uma barulheira infernal interrompeu o sono dos
moradores. A
sobrinha de Celso de 14 anos,
foi correndo chamar a vizinha de 12 anos, neta de Maria.
"Você tem alcool aí?
É pra espantar um gato que entrou aqui em casa".
Viviam
foi ver o que estava acontecendo e viu Xaninho num cantinho, embaixo de
uma
tábua, encharcado de
alcool e cercado de fogo. "Você tem alcool?", perguntou Celso. "Não,
e mesmo que tivesse, eu não
iria te dar porque esse gato é da minha avó. Pára
com isso!",
respondeu a menina.
"Eu só queria espantar o bicho porque eu queria dormir", explica
Celso. Ele conta que,
quando chegou em casa, a mulher
e a sobrinha não sabiam o que fazer com o gato, que es-
tava no bar da casa mostrando
os dentes. Abriram as portas e janelas, mas o gato corria pela
casa.
Lá pelas 3 horas, Celso esgotou a paciência e resolveu tomar
uma atitude. Pegou uma va-
ra, colocou um pedaço
de jornal, umedeceu o papel com alcool e o acendeu. Quando mostrou
a ponta para o gato, o bicho
correu e derrubou o alcool. Celso deixou a vara cair, e o bicho em
chamas correu como louco para
debaixo do sofá da sala. "Chamei até os bombeiros para tirar
ele de lá, mas disseram
que não tinham equipamentos para lidar com animais", conta Celso.
Às 7 horas da manhã, Celso amarrou o gato na ponta de uma
vara. Vários vizinhos o viram
arrastar o felino por toda a
rua até chegar a um terreno baldio. Maria de Lourdes, uma moradora,
achou que o animal tinha caído
no esgoto, de tão esquisito. "Celso disse que o gato estava doente",
conta.
Quando todos pensavam que ele havia morrido, ele voltou pra casa de D.Maria,
todo chamus-
cado. Maria deu dipirona (anti-térmico)
para o gato e espera que Celso pague a conta do veteriná-
rio. "Vou dar queixa na polícia,
isso não se faz", desabafa Maria.
"Eu não quero que o gato morra. É um crime inafiançável",
argumenta Celso. Ele tem razão
de não querer a morte
do bicho. Torturar animais é passivel de pena
de até 1 ano
de prisão,
de acordo com o artigo 64 da Lei de Contravenções Penais.
Correio Braziliense |