EX-CRAQUES E ROQUEIROS ALEGRAM TORCIDA

Jornal Hoje Em Dia, 23 de dezembro de 2001.



"De um lado o time master do Atlético, liderado pelo ex-atacante Reinaldo Lima, além de João Leite, Paulo Isidoro, Ângelo, Nélio Brant, Normandes e Jorge Valença. Do outro lado do campo, o time de roqueiros metaleiros, liderado pelo baixista da Banda Sepultura, Paulinho, atleticano doente. Também no time dos artistas, Wilson Sideral, o vocalista do Sepultura, Andreas Kisser, jornalistas e fãs. Assim foi o jogo de confraternização, realizado ontem no Belo Horizonte Futebol e Cultura, localizado no Condomínio Lagoa do Miguelão, de propriedade de Reinaldo.

O evento, que reuniu centenas de torcedores do Atlético e fãs da Banda Sepultura, está na sua terceira edição e foi promovido pela torcida organizada Galo Metal. De acordo com o presidente da torcida, Marcelo Tripa, o resultado é o menos importante na partida. “É uma festa de confraternização e uma homenagem ao Atlético e ao Sepultura. É muito legal ver essa galera jogando", comentou Tripa.

Apesar de apresentar uma forma física bastante duvidosa, o baixista da Banda Sepultura garantiu que iria conseguir jogar toda a partida, mas reconheceu que não tem a mesma intimidade com a bola como tem com o baixo. Paulinho, que recebeu das mãos do presidente do Atlético Ricardo Guimarães o troféu Galo de Prata, disse não saber qual a posição que iria jogar. Emocionado, o roqueiro correu em direção à arquibancada e dedicou o troféu à torcida metaleira. “Essa confraternização é muito legal. Me sinto honrado em jogar com os meus ídolos do futebol", afirmou Paulinho.

Reinaldo, que no último encontro fez seis gols, sendo um de bicicleta, prometeu que iria fazer dois gols. “Não tenho a menor idéia de quanto vai ficar a partida. O importante é reunir a galera e fazer uma grande festa de confraternização", disse Reinaldo, enquanto era ovacionado pela torcida, que não cansava de gritar “Rei, Rei, Rei. Reinaldo é nosso rei". Sem surpresas, o Atlético venceu o “amistos de confraternização" por 6 a 1."



O ex-atacante Reinaldo cumprimenta o baixista da
banda Sepultura, Paulinho. À esquerda, Nélio Brant.

(Foto: Eugênio Moraes)




SEPULTURA RECEBE O GALO DE PRATA

Site Oficial do Atlético, 23 de dezembro de 2001.



"A banda Sepultura foi homenageada ontem com o troféu Galo de Prata. A entrega foi realizada pelo Presidente Ricardo Guimarães, em evento promovido pela torcida organizada Galo Metal. A iniciativa da torcida reuniu artistas, atletas e torcedores em um churrasco realizado no clube Futebol Esporte e Cultura, de propriedade do craque Reinaldo, maior artilheiro da história do Atlético.

Foi a terceira edição do evento, que teve seu auge na partida realizada entre o time dos integrantes do Sepultura, reforçados por amigos da banda, como o cantor Wilson Sideral, contra um selecionado de craques do passado atleticano. Entre os craques estavam Reinaldo, João Leite, Nélio Brant, Humberto Ramos, entre muitos outros. O árbitro da partida foi o mineiro Márcio Rezende de Freitas. O resultado não poderia ser diferente: 6 a 1 para os masters do Galo.

A festa demonstrou o que a torcida atleticana tem de melhor: paixão pelo clube e muita disposição para se divertir. Paulo Jr, integrante do Sepultura e atleticano fanático, recebeu o troféu em um clima de muita emoção e confessou: " embora esteja afastado do Mineirão a algum tempo, o amor pelo clube continua o mesmo."

A torcida Galo Metal contou com o apoio da Umbro, que forneceu todo o equipamento de jogo."



UMA PELADA INESQUECÍVEL
- A complicada vida de um fã -

Texto de Alessandra Kafka e Rosângela César, especial para o Fã-Clube Oficial do Sepultura.


O tão esperado dia

A expectativa era grande. Finalmente, chegou o dia. Cremos que, como nós, todos os convidados para a viagem estavam ansiosos, esperando que o dia acabasse enquanto cumpríamos com nossas tarefas diárias, seja no trabalho, em casa, nos estudos. Sendo assim, depois de um dia cheio (e como!!!), o fim do expediente finalmente acabara (mais cedo, já que era o último dia da semana anterior ao Natal). Confraternizações à parte, pois essa não era a hora mais esperada do dia, pelo menos não para nós, era hora de preparar a mochila, a câmera fotográfica, e seguir viagem.

Cada um se arranjou como pode (carona, ônibus, metrô) para chegar ao local combinado. O horário marcado para que nos encontrássemos era às 23h do dia 22 de dezembro, sexta-feira, em frente ao Theatro Municipal de São Paulo. O microônibus que nos levaria até Belo Horizonte deveria estar lá às 23h30 também, para partirmos à meia-noite. Mas, como é de praxe, o transporte atrasou.

Aos poucos, o pessoal do fã-clube ia chegando e se entrosando, mesmo não sabendo quem era quem. Quando já estava reunida uma boa parte das pessoas... Surpresa! Eis que surge pela rua, em direção ao Theatro, ninguém menos do que Andréas Kisser, carregando sua guitarra. “O quê?? Ele vai com a gente??” era a pergunta estampada na cara de todos. E, alguns minutos depois, outra figura se destacava vindo em nossa direção: Derrick “Fumaça” Green. E como não reparar??? Novamente, a cara de espanto de todos! É claro, não poderíamos deixar de registrar o momento com uma foto de todos nós em frente ao belíssimo Theatro.

Finalmente, o microônibus chegou, e os atrasados também. Ao todos éramos 23, sendo 5 mulheres e 18 homens. Começamos a nos acomodar na “lotação” super apertada, com assentos pequenos e pouco espaço entre um banco e outro. Não conseguíamos imaginar como o Derrick caberia, pois a altura dele quase não dava dentro do microônibus. Bem, depois de nos acomodarmos da melhor maneira possível e dos atrasos, partimos. Era pouco mais de 00h30.


A viagem

O microônibus, apesar de pequeno, era bem equipado. Pena que as coisas não funcionavam!!! Apenas frigobar funcionava e estava cheio de copos de água e de latas de cerveja. Assim que ele deixou o teatro, começou-se a ouvir o barulho das latinhas de cerveja sendo abertas, e até dos copos de água (mesmo que em menor quantidade!). O cd player, a princípio, funcionava. Então, como não poderia deixar de ser, fomos ouvindo o Nation até a primeira parada. Depois de tanta cerveja, todos precisavam de um banheiro. O primeiro a se manifestar foi o Reginaldo, mais conhecido como Magrão. Bateu na porta que nos separava dos motoristas pedindo para pararem o mais rápido possível em algum lugar. Segundo eles, a primeira parada era logo ali, mas... Tudo o que víamos pela janela era escuridão. Claro, passados cinco minutos, lá ia o Magrão bater na porta novamente. “Já estamos chegando” diziam eles... E nada. Até que “pelo-amor-de-deus” pediu para pararem no acostamento mesmo, sob protesto do “pessoal do fundão”. Mal o ônibus encostou, o Magrão correu pra fora, seguido, segundos depois, pela maioria dos homens! A cena foi engraçada, é preciso confessar. Recompostos, voltamos a seguir viagem até a segunda parada, onde havia um banheiro de verdade.

A viagem seguiu tranqüila, todos conversando, e, quando a fome apertou, pacotes de bolachas e bombons foram sendo abertos e distribuídos. O cd player parou de funcionar do nada. O som ficou ruim, baixo e com chiados. Ninguém conseguiu fazer o aparelho funcionar direito novamente. A solução foi assistirmos a um dos filmes providenciados pela Alessandra. Depois de decidirmos qual deles seria (isso levou algum tempo, já que havia vários filmes e cada um queria um!!!), percebemos que a TV e o vídeo-cassete não funcionavam também. O jeito foi ficarmos no silêncio, sem nenhum som ou imagem.

Com uma cochilada aqui, outra ali, alguns roncos, nós nos ajeitando o tempo todo no “aperto” em que estávamos (o Derrick foi quem mais sofreu ! Mal cabia no assento! E para piorar a situação, o André, o famoso Sapo, pendia a cabeça toda hora para seu ombro!!) e mais algumas paradas durante a madrugada com situações engraçadas, chegamos, já de dia, ao local onde deveríamos tomar o café da manhã.

A essas alturas, já estávamos rodando e rodando sem achar o clube. Os motoristas cismaram que o mapa estava errado e começaram a rodar e rodar procurando o local. Então, por esse motivo, paramos para o tal café da manhã. Foi uma correria para perguntar se alguém do restaurante conhecia o lugar. Nossa sorte foi que encontramos uma pessoa que também era convidada para participar do mesmo evento. O pior foi descobrir que, além de estarmos pertos, o mapa estava correto.


Belo Horizonte Futebol e Cultura

Depois de alguns minutos na estrada que liga Belo Horizonte ao Rio de Janeiro, chegamos ao Clube Belo Horizonte Futebol e Cultura onde a homenagem ao Sepultura e o tão esperado jogo de futebol aconteceria. Descemos do microônibus, com nossas pernas até doloridas de ficarem encolhidas lá dentro, e a sessão de fotos começou.

Logo depois, surgiram Paulo e Igor, que ainda não haviam sido vistos por lá. O dia estava ensolarado, com céu azul. O campo, então, começou a ser preparado. Bandeiras do Official Brazilian Fan Club e da Torcida Galo Metal foram penduradas ao redor do gramado.

Minutos depois, entram os dois times em campo.


Crônica de uma pelada (por Alessandra Kafka)

Nunca gostei muito de futebol. Ver um monte de homem correndo atrás de uma bolinha num imenso gramado nunca me inspirou a gostar do esporte, exceto em jogos decisivos e empolgantes como a Copa do Mundo. Entender, então, é um outro ponto a ser considerado. As regras sempre me pareceram confusas, exceto quando um jogador cai nos limites que determinam o pênalti.

Entretanto, fui testemunha de um espetáculo de rara beleza na área futebolística. O grande acontecimento deu-se em BH, no dia 22 de dezembro de 2001. Mesmo com toda a agitação ao meu redor no BH Futebol e Cultura, local onde se deu o show, passei a sentir que o que eu iria presenciar era muito mais do que uma simples pelada. Não que eu imaginasse coisa muito diferente, mas, partindo da escalação não muito confiável de um dos times, era certo que haveria um festival de frangos, passes errados e muita, muita confusão dentro daquele espaço retangular e verde delimitado por linhas brancas, no qual conhecemos por campo de futebol.

A cada passo meu pela pequena arquibancada que envolvia uma das partes do gramado, me deparava com um time de celebridades que, minutos depois, estariam presentes na partida. Aos poucos, artistas, esportistas e jornalistas ali presentes começaram a se encaminhar para o vestiário. Era o momento de vestir o uniforme, entrar em campo e retribuir todos aqueles olhares aflitos com um jogo emocionante e hilário.

Por volta do meio-dia, as duas equipes se apresentaram para as torcidas. Do lado direito, a equipe da banda Sepultura formada por, além dos integrantes da banda, amigos do Horto, um dos bairros de BH , da torcida Galo Metal e do Willy Willy: Andreas Kisser, no gol; Hamilton, Reinaldo e Paulo Costa, Paulo Jr., Maurício, Luciano, Luciano (da torcida Galo Metal), Derrick Green, Igor Cavalera e Tripa. A equipe desafiante era formada por ex-jogadores do Clube Atlético Mineiro e da Seleção Brasileira: João Leite, Alves, Batista, Luisinho, Nelio Brant, Paulo Isidoro, Everton, Ronaldo Drummond, Humberto Ramo e Reinaldo. A “pelada” teve, como juiz, o árbitro da FIFA Márcio Resende de Freitas. (E qual o torcedor, de qualquer time, que não o conheça???)

Minutos antes do início do jogo, o Sepultura recebeu a tão honrosa homenagem do Clube Atlético Mineiro: um enorme Galo de Prata das mãos de Ricardo Guimarães, atual presidente do clube, que entregou ao seu baixista, Paulo Jr. Paulinho, como a imprensa mineira costuma tratar o integrante da banda, emocionou-se deveras com a homenagem a ponto de, aos prantos, chegar próximo à torcida sepultunense e declarar que o prêmio não seria possível se não fosse o fã-clube do Sepultura. Todos fomos ao delírio com sua declaração que nos deu mais um motivo para ter orgulho e satisfação do momento que estávamos presenciando.

Homenagens feitas, faltava apenas começar o jogo. E assim se fez. Com pulmões de ouro, o juiz levou à boca seu apito e, sem pestanejar, declarou que a partida estava se iniciando. A bola começou a rolar e em poucos minutos... oops!... segundos, num sensacional frango de Andreas, fez-se o primeiro gol, de autoria de Everton.

A torcida do Sepultura, formada por associados do fã-clube e pelos roadies da banda, foi ao delírio com as piadinhas que começaram a gritar. Primeiramente porque o distinto goleiro estava vestindo um uniforme que mais se assemelhava a uma abelha do que um uniforme de goleiro em si. Ninguém teve dúvidas, e o Alemão passou a ser chamado de Abelhão. Piadinhas daqui, risadas de lá e... num sencional chute de Everton (mais uma vez ele), o Galo fez o seu segundo gol.

E não se podia nem piscar que lá vinha o Galo de novo e fazia a rede balançar. Em questão de 35 minutos, o placar marcava: 5 a 0 para o Galo. Do lado direito do campo, bem que Igor Cavalera e Wilson Sideral, um dos reservas do Sepultura, se esforçavam para diminuir a diferença, mas tinha sempre alguma coisa que dava errado: um passe, um chute... E as esperanças de marcar um gol ainda naquele tempo só cessaram quando o juiz apitou o fim do primeiro tempo.

Durante o intervalo, os presentes puderam conferir a uma partida de futebol feminino. Entretanto, ninguém parecia ligar muito para o que as mulheres estavam fazendo em campo, pois o churrasco começava a sair e os espectadores começaram a formar fila na corrida contra a fome. E assim se passaram 30 minutos. Era chegada a hora do segundo e decisivo tempo. O árbitro apitou o seu início, e a bola começou a rolar.

Ao contrário do primeiro tempo, o segundo foi mais calmo com relação ao número de gols. No entanto, irritado com um dos jogadores de seu time, Igor não fez por menos: franziu a testa e passou a dar um sermão no outro jogador. Nervosismos à parte, a pelada continuou. Aos 25 minutos do segundo tempo, era chegada a vez de Álvaro Damião, radialista da Rádio Itatiaia, marcar o sexto gol da partida.

Ninguém mais tinha esperança de gol. O time do Sepultura encontrava-se cansado (mas não desanimados!!) e o calor de BH incomodava mais do que nunca. Entretanto, para “lavar a honra” do time, Porco, aos 35 minutos, fez a rede balançar pela sétima vez. Os presentes foram ao delírio.O jogo terminou em 6 a 1 para o Galo (gols de Everton, Luisinho, Jaeci Carvalho, Álvaro Damião e Porco) e placar inumerável pelo divertidíssimo espetáculo.

Como toda coluna esportiva, quem leva 10 são os jogadores Andreas Kisser, Derrick Green, Igor Cavalera e Paulo Jr. por serem excepcionais profissionais no campo... da música!


A viagem de volta

Depois de mais sessões de fotos e autógrafos, e satisfeitos com o jogo, mesmo com o placar desfavorável, pois ele nos garantiu os momentos inesquecíveis de ver nossos grandes ídolos nos mostrando seus outros “talentos” (???), era hora de ir embora. Às 16h começamos a nos reunir na saída do clube. Pegamos nossas coisas e nos dirigimos ao ônibus, que estava trancado, e os motoristas, sumidos. Aproveitamos para bater as últimas fotos do dia em frente ao microônibus, com todos os passageiros juntos. E, finalmente, lá estavam os motoristas, que haviam passado a tarde dormindo para enfrentarem a estrada de volta. Todos estávamos satisfeitos. O jogo de futebol havia sido hilário, a homenagem, bem recebida e até “emocionante” frente às lágrimas de Paulo Jr., mas já estava na hora de voltarmos para casa.

Partimos às 16h30. A volta, a princípio, foi calma. Continuamos sem o som e sem o vídeo. A maioria, exaustos que estávamos, dormiu. Salvo o pessoal do fundão (entenda-se Magrão, Toninho, Trek e Alessandra) que se divertiam muito. Quando a noite caiu, a primeira parada. Então, começaram os jogos de carta, dominó, Super Trunfo, na mesa de jogos do microônibus. Mesmo com metade dormindo e metade acordada, fizemos uma bagunça total dentro do ônibus, rimos muito com piadas e brincadeiras do Magrão, Eduardo, Toninho entre outros, que fizeram a alegria da noite. Ninguém mais conseguia dormir.

Chegando em São Paulo, a parada final era novamente no Theatro Municipal, mas alguns de nós foram ficando pelo caminho, conforme estavam mais perto de casa ou fosse mais fácil para se conseguir um ônibus ou metrô de volta ao lar doce lar.

Apesar das dificuldades, as 18 horas de viagem, o cansaço, os problemas com o microônibus e o tal “mapa errado”, este foi um acontecimento inesquecível. Em hipótese alguma esses obstáculos nos impediriam de chegar ao nosso destino e ver a maior banda de heavy metal do mundo jogar futebol, ainda que o resultado fosse negativo. Nada disso tirou o brilho da nossa jornada. Na volta pra casa, mantemos a memória inesquecível em cada um de nós.

Valeu, Sepultura !!! Até a próxima balada!!!!


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