INSTITUTO DE CIÊNCIAS RELIGIOSAS
HISTORIA DA FILOSOFIA I
Prof. Antonio Carlos Machado
OS SOFISTAS sec. V a. C.
ORIGEM DA SOFÍSTICA
Não se concentraram em um só lugar, mas estavam espalhados pela Grécia, Itália, Ásia Menor e Sicília. As maiores figuras eram de Atenas.
Com a vitória sobre os persas (batalha de Maratona), Atenas se tornou o maior centro político e cultural da Grécia, favorecendo o surgimento dos sofistas.
O aparecimento da sofística tem duas linhas de motivação:
a) motivação filosófica: após mais de 200 anos de especulação, as conclusões dos filósofos eram discrepantes, levando à necessidade de estudar o próprio homem e a sua capacidade de conhecer interesse humanitário e gnosiológico;
b) motivação política: a vida na pólis exigia a participação de todos os cidadãos, destacando-se aqueles que tinham mais cultura e melhor eloqüência. Daí a necessidade de uma instrução mais profunda e especializada, com a procura por mestres reconhecidos.
Os sofistas foram os instrutores dos filhos dos aristocratas gregos e ensinavam gramática, literatura, filosofia, religião e sobretudo retórica.
QUESTÃO FUNDAMENTAL DA SOFÍSTICA
Tem o homem a capacidade de conhecer a natureza ímtima das coisas e a lei moral absoluta?
Respostas dos sofistas: Ambas ultrapassam a capacidade cognitiva do homem, sendo possível a ele apenas um conhecimento parcial. (O homem é a medida de todas as coisas)
Conclusões: portanto, não há conhecimento verdadeiro e universal, apenas conhecimento provável; não há lei moral absoluta, apenas leis convencionais. O objetivo da vida é o prazer.
PRINCIPAIS SOFISTAS
a) Protágoras ensinou em Atenas, era amigo de Péricles e teve suas idéias conservadas por Platão.
Afirmava que não existe uma verdade absoluta, mas o homem interpreta o conhecimento dos sentidos ao seu modo e segundo o seu interesse.
Considerava importante a retórica e a arte da persuasão.
Entendia que a lei moral tem por fundamento os princípios divinos do respeito e da justiça, dados por Júpiter a todos os homens, por isso todos devem obedecer à moral tradicional.
b) Górgias natural da Sicília, ensinou em Atenas.
Aprofundou o relativismo de Protágoras até o ceticismo.
Sua principal afirmação: Nada existe; se existisse, não poderia ser conhecido; se fosse conhecido, não poderia ser ensinado aos outros.
Não é possível haver conhecimento verdadeiro das coisas.
Dava importância também à retórica, como arte de persuadir.
OS SOFISTAS E SÓCRATES
Os sofistas encontraram seu principal adversário em Sócrates, que contestava os seus ensinamentos, defendendo a possibilidade do conhecimento da verdade e a existência da lei moral absoluta.
Principais pontos de divergência entre Sócrates e os sofistas:
a) os sofistas buscam o sucesso (fama, dinheiro, prestígio); Sócrates busca a verdade;
b) os sofistas pregam o prazer e o apego aos bens materiais; Sócrates prega o desapego das coisas e a sobriedade de vida;
c) os sofistas se consideravam mestres, sabiam e ensinavam tudo; Sócrates diz que ninguém é mestre e o sábio é o que reconhece a própria ignorância. Ninguém ensina a verdade a outrem, mas ajuda os outros a encontrá-la.
d) o método dos sofistas é a retórica e a persuasão, pelo qual conduzem os discípulos ao sucesso; o método de Sócrates é a maiêutica (parto do espírito), pelo qual discute com os discípulos e os orienta para a verdade;
e) os sofistas ensinam mediante pagamento a arte de argumentar e de governar; Sócrates não aceita pagamento nem ensina teorias prontas, mas conduz os discípulos para um conhecimento lento e progressivo da verdade;
f) os sofistas defendem a relatividade e a subjetividade do conhecimento e da lei moral; Sócrates defende o conhecimento universal e as leis morais de valor absoluto.
Os sofistas deixaram escritos que, no entanto, se perderam em grande parte, restando apenas fragmentos. Suas doutrinas foram conservadas sobretudo por Platão, que reproduziu nos seus diálogos os confrontos entre eles e Sócrates.