(Para a minha Tânia)

A Noite é Pálida sem Você

A noite é pálida sem você, como quando foi criada. Os ventos vêm suaves, há risos distantes nas esquinas do bairro, um vazio no peito de cada réplica minha lá fora, no semi-escuro.

A cama arrumada, os talheres limpos no lugar certo; um sol brilhando no amanhã anuncia o seu retorno.

Perco-me em mim, mergulho em atos e fatos que são a pura forma que preenche todas as páginas em branco do meu espírito. Atos e fatos que são as linhas, os quadriculados do papel mudo, são o passa-tempo da ante-sala do teu abraço.

O teu abraço me aguarda lá, para além da noite, em segurança. Tenho certeza, cada ruído rotineiro me confirma. O teu sorriso já existe agora, aqui mesmo, atrás de mim, basta eu não me virar.

A noite é pálida sem você, todas as noites cruas são pálidas antes de serem preenchidas por estrelas, chuvas e as luzes da cidade.


São Paulo, outubro de 2004

© Gabriel Tavares
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