VERSOS GÊMEOS
1 É o mental, em tudo, o elemento
primordial. O mental é predominante; tudo do mental provém.
Se com mau mental o homem fala ou age, segue-o tão de perto o sofrimento
como a roda vai após a pata do boi que puxa o carro.
2 É o mental, em tudo, o elemento
primordial. O mental é predominante; tudo pelo mental se faz. Se
com mental purificado o homem fala ou age, acompanha-o tão de perto
a felicidade como a sua inseparável sombra.
3 Ele me vilipendiou. Ele me maltratou.
Ele me rebaixou. Ele me roubou. Nunca se acalma o ressentimento aos que
a tais pensamentos dão acolhida.
4 Ele me vilipendiou. Ele me maltratou.
Ele me rebaixou. Ele me roubou. Não há ressentimento para
os que jamais dão guarida a tais pensamentos.
5 Em verdade pelo ódio não
se destrói o ódio. Destrói-se o ódio pelo amor;
é este um preceito eterno.
6 Esquece-se a mor parte dos homens
de que todos, um dia, morreremos. A luta suaviza-se para os que nisso meditam.
7 Quem nos prazeres materiais se
compraz e cujos sentidos são insubmissos; quem é na alimentação
intemperante, preguiçoso, inativo, este, na verdade, por Mâra
é abatido, como pelo vento o é o fraco arbusto.
8 Contra quem só para os prazeres
não vive, e cujos sentidos à razão se submetem e na
alimentação é temperante, vive cheio de fé
e constante, contra tal, em verdade, Mãra pode tanto como contra
o rochedo o vento.
9 Indigno é de usar o hábito
amarelo quem de suas impurezas não se mundificou, quem carece de
moderação e lealdade.
10 Mas quem se purificou, e firme
na virtude permanece, que tem o domínio de si mesmo e cultiva a
temperança e a verdade, este é, de fato, digno de envergar
o hábito amarelo.
11 Enquanto tomarmos pela verdade
o erro e pelo erro a verdade, teremos um mental falso, não alcançaremos
a verdade, e só vãos desejos possuiremos.
12 Mas reconhecendo por justo o que
justo é, e por falso o que é falso, à verdade chegaremos
e justos desejos pretenderemos.
13 Como em casa cujo teto está
avariado entra chuva, assim no ânimo instável penetra a cobiça.
14 Como em casa bem coberta de palha
a chuva não penetra, assim em ânimo equilibrado não
entra, a paixão.
15 Lamenta-se, neste
mundo e no outro, o malfeitor. Em ambos os estados se lamenta. Diante da
fealdade de seus atos geme e aflige-se.
16 Neste mundo e no outro quem procedeu
bem é feliz. É feliz, aqui e lá, diante da pureza
de suas obras.
17.__ Quem o mal fez, sofre neste
mundo e no outro. Sofre em ambos os estados. Persegue-o o pensamento do
mal praticado; e o seu tormento ao entrar nos círculos do Niraya
aumenta ainda.
18 Quem faz o bem é feliz
neste mundo, é feliz no vindouro; é feliz em ambos os estados.
Reconforta-o o pensamento do bem realizado. Ao entrar nos círculos
dos devas (seres celestes), maior é ainda sua felicidade.
19 O falar o homem muito da Doutrina,
mas não agir consoante ela, é apenas melhor que o vaqueiro
que só sabe contar alheio gado. Não é ele discípulo
do Bendito.
20 Falar o homem pouco da Doutrina
e entretanto os preceitos lhe praticar, rejeitando toda cobiça,
toda ira e toda ilusão, se possui o verdadeiro conhecimento e o
mental livre completamente de todos os liames, se a nada deste mundo ou
de outro qualquer se ligar, este, sim, é discípulo do Bendito.
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