Os versos perfeitos aqui
contidos são chamados de A carruagem que nos conduz ao longo do
Nobre Caminho. Sua origem se encontra nos puros ensinamentos da Linhagem
de Realização de Karma Kamtsang, que pertence à preciosa
Linhagem de Prática. Trata-se de uma prática de recitação
diária.
Lama Karmapa, precioso guru
Vajaradhara, mestre de todas as famílias de budas;
Yidam Vajrayogini, origem de
todas as mandalas, esplendor do samsara e do nirvana;
Dharmapala Bernachen, com sua
consorte e sua comitiva, você que tem o poder de executar todas as
atividades dos budas.
Eu, o iogue (ou a ioguine),
com intenção firme, venho respeitosamente lhes saudar. Que
eu nunca me separe de sua compaixão.
Um imenso rio de bênçãos
flui da tradição da preciosa Linhagem de Prática.
Primeiro eu servi e aprendi com muitos professores e depois pus em prática
o que havia aprendido. Agora, para fazer se manifestar ainda mais a atitude
iluminada, organizei os ensinamentos-vajra intitulados A carruagem que
nos conduz ao longo do Nobre Caminho. Vocês, afortunados que estão
prontos para trilhar este caminho, procedam com diligência e sem
distração. Para utilizar esta sadhana do ngöndro como
prática diária, você deve se levantar ao toque do gongo
e, externamente, adotar o comportamento de acordo com as instruções
que recebeu como monge, monja ou leigo. Internamente, deve gerar a aspiração
de bodhicitta no início da sessão.
Fiel à sua samaya e às
instruções do seu guru vajrayana, prostre-se com humildade
diante das fontes de refúgio, ocupe seu lugar e sente-se de acordo
com os cinco pontos da postura de meditação.
Assim, sem permitir que a mente
caia sob a influência dos oito dharmas mundanos, você deve
tomar a decisão de praticar o dharma perfeito. À medida que
começar a recitação, não permita que sua mente
saia a vagar, mantenha unidos o som e o sentido das palavras. Com esta
atitude, recite em voz alta os seguintes versos:
O corpo humano tão difícil
de obter.
Primeiro, este precioso nascimento
humano, tão favorável à prática do dharma,
é difícil de obter
e fácil de perder. Neste momento, eu preciso torná-lo significativo.
Segundo, o mundo com todos os
seus habitantes é impermanente.
A vida de cada ser humano, em
particular, é como uma bolha de água.
É incerto o momento em
que morrerei e me tornarei um cadáver.
E, como nesse momento apenas
o dharma poderá me ajudar, tenho que praticar agora e com diligência.
Terceiro, na morte não
há liberdade e o carma segue seu curso.
Como eu crio meu próprio
carma, devo portanto abandonar todos os atos nocivos,
e dedicar sempre o meu tempo
a atos benéficos.
Com isso em mente, devo observar
a corrente dos meus pensamentos todos os dias.
Quarto, como um banquete antes
que o carrasco me leve à morte,
os lares, os amigos, os prazeres
e todas as posses do samsara
provocam em mim contínuo
tormento através dos três sofrimentos.
Tenho que cortar totalmente
todo apego e me empenhar em alcançar a iluminação.
Estes são os quatro fundamentos
ordinários. Agora, recite as preces de refúgio e bodhicitta,
que tornam a mente um recipiente adequado e garantem que sua prática
no futuro o leve ao longo do caminho para a libertação.
À minha frente, no centro
do lago, há uma árvore que atende os desejos.
Ela tem uma raiz, um tronco
e quatro ramos principais.
Na bifurcação
central há um trono de leão, no qual se apóiam um
lótus, sol e lua.
Ali senta-se meu lama-raiz como
Vajradhara,
cercado por todos os gurus Kagyü.
À sua frente estão
os yidams, à sua direita, os budas,
atrás dele está
o sagrado dharma, à sua esquerda, a sangha,
e abaixo do trono estão
todos os protetores do dharma.
Cada grupo está cercado
por um mar de atendentes de sua própria classe.
Nas praias gramadas do lago
estão todos os que foram minhas mães no passado.
A multidão permeia o
céu.
Unipontualmente decidimos tomar
refúgio e fazer surgir a bodhicitta.
Eu e todos os seres sencientes,
ilimitados como a vastidão do céu,
tomamos refúgio na própria
personificação da essência
do corpo, da palavra, das qualidades
da mente e das atividades
de todos os budas das dez direções
e dos três tempos – a fonte das 84 mil coleções de
dharmas e soberanos da nobre sangha.
Eu tomo refúgio nos gloriosos
e sagrados lamas, no amável lama-raiz e nos mestres da linhagem.
Eu tomo refúgio em todos
os yidams e deidades reunidos na mandala.
Eu tomo refúgio em todos
os budas.
Eu tomo refúgio no sagrado
dharma.
Eu tomo refúgio em toda
a nobre sangha.
Eu tomo refúgio na reunião
dos dakas, dakinis e dharmapalas – aqueles que têm os olhos de sabedoria
que tudo vêem.
Recite sete vezes, vinte e uma
ou o máximo que puder.
O Voto de Bodhisattva
Até que eu alcance a
essência da iluminação,
eu tomo refúgio em todos
os budas,
e, da mesma forma, no dharma
e na reunião dos bodhisattvas.
Da mesma forma como os budas
do passado fizeram surgir a bodhicitta,
percorreram o caminho do bodhisattva
e, através do treinamento
progressivo, estabeleceram-se
nos degraus dos bodhisattvas,
da mesma forma, e para o benefício
dos seres sencientes,
eu também farei surgir
a bodhicitta,
treinarei no caminho do bodhisattva
degrau por degrau e, gradualmente,
como eles, me tornarei hábil.
Repetir três vezes desde
Hoje minha vida é produtiva.
Eu obtive uma preciosa existência
humana
e nasci na família do
Buda;
sou agora uma criança
do Buda.
De agora em diante, eu praticarei
apenas
atos adequados à linhagem,
para que não surja mancha
alguma
nesta família pura, perfeita
e nobre.
Hoje, na presença de
todos os objetos de refúgio,
eu convido todos os seres a
desfrutar da felicidade
até que alcancem o estado
de Buda.
Possam os deuses, semideuses
e todos os demais seres se alegrar!
A bodhicitta é preciosa.
Possa ela surgir naqueles onde
ainda não surgiu.
Possa a bodhicitta não
diminuir onde já surgiu,
e aumentar cada vez mais.
Que eles não se separem
da bodhicitta,
mas que se comprometam totalmente
com atos de bodhisattvas.
Que eles sejam aceitos pelos
budas.
Que eles abandonem todos os
atos negativos.
Que todos os bons votos dos
bodhisattvas
para o benefício dos
seres sejam realizados.
Que as intenções
de tais protetores
tragam felicidade e prosperidade
aos seres.
Possam todos os seres ser felizes.
Possam os reinos inferiores
se esvaziarem para sempre.
Possam as mais sinceras aspirações
dos bodhisattvas
de todos os níveis ser
realizadas.
Possam todos os seres alcançar
a felicidade e a raiz da felicidade.
Possam eles se livrar do sofrimento
e da raiz do sofrimento.
Possam eles nunca se separar
da mais elevada bem-aventurança, onde não há sofrimento.
Possam eles repousar na grande
imparcialidade, que é livre de apego e aversão a todos os
que estão próximos e distantes.
Repetir três vezes.
Por fim, os objetos de refúgio
se dissolvem em luz e se fundem em mim.
A recitação da
meditação de Vajrasattva, que purifica as faltas e o que
está encoberto.
Acima do topo da minha cabeça,
num assento de lótus e lua, está o lama Vajrasattva,
de cor branca e com ornamentos.
Ele tem um rosto e duas mãos.
Sua mão direita segura
um vajra, a esquerda, um sino. Ele se senta com as pernas cruzadas.
Do coração de
Vajrasattva, raios de luz convidam a reunião das deidades de sabedoria,
que se fundem nele, e ele se torna a essência das três jóias.
A seguir, recite:
Ó, lama Vajrasattva,
por favor, afaste e purifique todos os atos negativos, obscurecimentos,
erros
e transgressões cometidos
por mim e por todos os seres sencientes, que são ilimitados como
o espaço.
Tendo feito este pedido, surje
um HUM sobre um disco de lua no coração de Vajrasattva, cercado
pelo mantra de cem sílabas do qual flui uma corrente de amrita (néctar).
A corrente sai dele e entra
no meu corpo através da abertura no topo da minha cabeça.
À medida que meu corpo é preenchido, todos os meus atos inábeis,
obscurecimentos, erros e transgressões são purificados.
Este é o mantra de cem
sílabas. Recite-o tantas vezes quanto puder e então, com
as palmas das mãos unidas:
Ó, protetor! Sem intenção
e por ignorância,
eu agi contra e violei meus
votos de samaya.
Lama protetor, por favor, dê-me
refúgio.
Ó, supremo portador do
vajra,
o senhor que tem o poder da
grande compaixão,
Soberano dos Seres, eu tomo
refúgio no senhor.
Eu confesso todas as minhas
violações de raízes e ramos dos votos do corpo, da
palavra e da mente.
Conceda sua bênção
para limpar e purificar todos os atos negativos, obscurecimentos, erros
e transgressões.
Vajrasattva aceita meu pedido,
se dissolve em luz e se funde em mim. Nós nos tornamos inseparáveis.
O oferecimento de mandala, que
reúne as duas acumulações.
Com uma drupay mandala – se
tiver uma -, visualize a letra BHRUM, de onde surge um palácio de
mandala. Nos cinco pontos da mandala estão reunidos os cinco supremos
objetos de refúgio.
Diante de mim, no meio do céu,
estão os gurus.
Em frente, os yidams, à
direita, os budas,
atrás, o dharma, e, à
esquerda, a sangha –
cada um, rodeado pela própria
família.
Abaixo dos lugares onde estão
sentados há um oceano de protetores do dharma.
Na presença dessa reunião
de jóias, o supremo e sagrado campo de méritos:
Segurando a chöpay mandala
com a mão esquerda, esfregue a superfície como que limpando-a
e pense que todos os erros e obscurecimentos seus e dos demais seres, conseqüências
do apego ao ego, são purificados.
À medida que recitar
o mantra, mantenha seu significado em mente e comece a oferecer os montinhos
de arroz nas direções certas.
O solo completamente puro é
a poderosa terra dourada.
Ela é toda cercada por
uma muralha de montanhas de ferro.
No centro fica o Monte Meru,
rei supremo entre as montanhas. A leste, Pürvavideha, ao sul,
Jambudvipa, a oeste, Godaniya, ao norte, Uttarakuru.
Atrás ficam Deha e Videha,
Camara e Aparacamara, Satha e Uttaramantrina, Kurava e Kaurava.
A preciosa montanha de jóias,
as árvores que atendem todos os desejos, as vacas que atendem os
desejos, a colheita sem labuta.
A roda preciosa, a jóia
preciosa, a rainha preciosa, o ministro precioso. O elefante precioso,
o cavalo precioso, o general precioso, o vaso de imensos tesouros.
A donzela graciosa, a donzela
das grinaldas, a donzela da música, a donzela da dança. A
donzela das flores, a donzela do incenso,
a donzela com as luzes, a donzela
com a água perfumada. O Sol e a Lua, o guarda-sol precioso, o estandarte
precioso que é completamente vitorioso em todas as direções,
e, entre eles, estão
reunidas as mais magníficas posses de deuses e homens,
sem faltar nada.
Tudo isso, eu ponho diante de
vocês e ofereço a vocês, a reunião de lamas,
yidams, budas, bodhisattvas,
dakas, dakinis e dharmapalas.
Com compaixão, por favor, aceitem esta oferenda em benefício
dos seres sencientes.
Eu unto a terra com água
perfumada, espalho flores
e a enfeito com o Monte Meru,
os quatro continentes, o Sol e a Lua.
Imagino que este é um
solo de budas
e faço estas oferendas
para que todos os seres possam desfrutar deste reino puro.
Aos budas e bodhisattvas
das dez direções
e dos três tempos,
ao guru e aos mestres-vajra,
à reunião de yidams
e suas comitivas,
a todos os budas dos três
tempos sem exceção:
com sincera devoção,
eu ofereço a todos acima de mim
dez milhões, cem milhões,
um bilhão de universos
como este,
de Monte Merus e de quatro continentes
todos juntos nesta única mandala.
Com pensamentos de amor e compaixão,
por favor, aceitem minha oferenda
e, tendo-a aceito, concedam-me
suas bênçãos.
Repita tantas vezes quanto puder
e, em seguida, recite:
Tendo oferecido esta esplêndida
e encantadora mandala,
que não surjam obstáculos
no caminho que leva à iluminação.
Que eu possa realizar as intenções
de todos os budas dos três tempos
e, sem vagar no samsara nem
repousar no nirvana,
possam todos os seres, ilimitados
como o céu, se libertarem.
Se estiver contando as mandalas,
recite a seguir:
Eu unto a terra com água
perfumada, espalho flores
e a enfeito com o Monte Meru,
os quatro continentes, o Sol e a Lua.
Imagino que este é um
solo de budas
e faço estas oferendas
para que todos os seres possam desfrutar deste reino puro.
Recite a forma curta ou a longa,
conforme sua necessidade.
À reunião dos
gurus, personificação dos três kayas,
eu faço as oferendas
externas, internas, secretas e absolutas.
Por favor, aceitem meu corpo,
minhas posses e todos os fenômenos,
e concedam-me a suprema e insuperável
realização.
Por favor, concedam-me a realização
de mahamudra.
Em benefício de todos
os seres sencientes, por menor que seja a virtude que eu possa ter acumulado,
eu faço prostrações,
oferendas e confissões. Eu me alegro com os méritos, e peço
aos gurus o contínuo ensinamento do dharma e a não-entrada
no nirvana.
Dedico até mesmo a menor
virtude que eu tenha acumulado à suprema iluminação
de todos.
Tendo oferecido todas as posses,
minhas e dos outros, ilimitadas como o céu,
todos os seres são preenchidos
com as duas acumulações,
e o campo do mérito se
dissolve em luz, se funde em mim e nos tornamos inseparáveis.
O guru ioga através do
qual pode-se obter rapidamente as bênçãos do guru.
O caminho de fé e devoção
é um suporte da tradição Dakpo Kagyü: seus seguidores
são ricos em bênçãos.
Assim, pratique com a mente
unipontual e sem acolher dúvidas.
No topo da minha cabeça,
em um assento de lótus, Sol e Lua,
está o meu lama-raiz
Vajradhara,
magnificamente adornado e segurando
o dorje e o sino no mudra dos braços cruzados.
Ele se senta na postura vajra,
com os gurus da linhagem sentados,
um acima do outro – e, ao redor, o vasto oceano de seres despertos.
OM. O senhor, que é a
natureza de todos os fenômenos,
sem morada fixa, livre de idas
e vindas como o céu,
o senhor que está além
de qualquer sinal de chegada ou partida, ademais, como o reflexo da Lua
na água,
surge onde quer que alguém
pense no senhor.
Gloriosos herukas, conquistadores
dos que hospedam os agentes do mal,
gurus, yidams, dakinis e suas
comitivas:
com fé, eu peço
a vocês
que apareçam aqui, pelo
poder de sua compaixão não-conceitual.
De Ogmin, o palácio do
dhama todo-abrangente,
O senhor é a essência
de todos os budas dos três tempos,
tendo mostrado como minha mente
é o verdadeiro dharmakaya.
Glorioso notável guru,
eu me prostro diante do senhor.
Eu ofereço meu corpo,
minhas posses e oferendas imaginárias.
Faço todas essas oferendas
em seu louvor.
Confesso meus atos imorais do
passado, sem exceção.
Daqui por diante, não
cometerei mais atos imorais.
Eu me alegro com a virtude de
todos os seres
e dedico-a à causa da
suprema iluminação.
Eu lhe peço que não
parta,
mas que gire a suprema e insuperável
yana.
Assim como os budas e bodhisattvas
foram treinados na bondade e
na compaixão imparciais
e realizaram a sabedoria coemergente,
conceda sua bênção
para que eu possa verdadeiramente realizar o mesmo.
Conceda suas bênçãos
para que eu possa realizar este corpo ilusório como nirmanakaya.
Conceda suas bênçãos
para que eu possa realizar minha força vital como sambhogakaya.
Conceda suas bênçãos
para que eu possa realizar minha mente como dharmakaya.
Conceda suas bênçãos
para que eu possa realizar a inseparabilidade dos três kayas.
A prece aos gurus da linhagem
de mahamudra:
Glorioso Vajradhara, que permeia
todos os fenômenos,
Lodrö Rinchen, mestre dos
dez estágios,
Saraha, supremo entre os siddhas
da Índia,
eu peço que me concedam
a sabedoria coemergente.
Nobre Nagarjuna, que enxergou
o significado de dharmata (as coisas como são),
glorioso Shavaripa, que alcançou
mahamudra,
Senhor Maitripa, que enxergou
o significado substancial da essência,
eu peço que me concedam
a sabedoria coemergente.
Senhor Marpa, mestre do oceano
de tantras,
Senhor Milarepa, supremo entre
os siddhas na terra das neves,
glorioso Gampopa, profetizado
pelo Buda,
eu peço que me concedam
a sabedoria coemergente.
Düsum Khyenpa, mestre da
atividade búdica,
Drogön Rechen, mestre de
poderes extraordinários,
Pomdrakpa, que aperfeiçoou
os estágios de desenvolvimento e realização,
eu peço que me concedam
a sabedoria coemergente.
Glorioso Karma Pakshi, que subjugou
os que eram difíceis de subjugar,
Mahasiddha Orgyenpa, que alcançou
os dois siddhis,
Rangjung Dorje, soberano dos
ensinamentos para o mundo,
eu peço que me concedam
a sabedoria coemergente.
Vitorioso Yungtönpa, mestre
do mantrayana,
Rolpe Dorje, ornamento do mundo,
Khachö Wangpo, que realizou
as coisas como elas são,
eu peço que me concedam
a sabedoria coemergente.
Senhor do dharma Dezhin Shekpa,
a jóia da coroa do imperador,
Ratnabhadra, supremo entre os
sábios,
Thongwa Dönden, esplendor
do samsara e do nirvana,
eu peço que me concedam
a sabedoria coemergente.
Jampal Zangpo, que é,
em essência, Vajradhara,
Paljor Döndrup, a personificação
da compaixão,
Chödrak Gyamtso, a fonte
das bênçãos,
eu peço que me concedam
a sabedoria coemergente.
Incomparável guru, mahasiddha,
senhor do dharma Tashi Paljor,
aquele que é tão
renomado,
Chödrak Palzang, que reencarna
conforme a própria vontade,
eu peço que me concedam
a sabedoria coemergente.
Protetor Amitaba, portador da
coroa vermelha,
conquistador supremo Karmapa
Wangchuk Dorje,
soberano das seis famílias
e mestre de todas as mandalas,
eu peço que me concedam
a sabedoria coemergente.
O senhor que detém a
marca das bênçãos de Amitaba,
em E, o trono de leão
do mahamudra,
o senhor que é imutável
VAM, Choying Dorje,
eu peço que me conceda
a sabedoria coemergente.
Garwang Dorje Chang que tudo
abrange,
o senhor que personifica a realização
do tantra, supremo nirmanakaya Yeshe Nyingpo,
o senhor que é a união
da mente-vajra e das milagrosas aparições,
eu peço que me concedam
a sabedoria coemergente.
Yeshe Dorje, essência
de todos os budas,
corpo de sabedoria coemergente
com felicidade e vacuidade indivisíveis,
o senhor que desfruta da invencível
dança-vajra,
eu peço que me conceda
a sabedoria coemergente.
Dhonnyi Lhundrup, que tem a
segurança e a inteligência
para realizar os profundos e
vastos aspectos do dharma
tal como é,
eu peço que me conceda
a sabedoria coemergente.
Guru Jangchup Dorje que tudo
sabe,
supremo protetor do dharma que
tudo abrange,
que executa a dança dos
quatro inseparáveis vajras,
eu peço que me conceda
a sabedoria coemergente.
Ao iogue Tenpay Nyinje, Vajradhara,
totalmente envolvido pela beleza
da vacuidade,
ao senhor que preserva no caminho
a sempre mutável felicidade,
eu peço que me conceda
a sabedoria coemergente.
Ao destemido Dudul Dorje que,
tendo visto perfeitamente a
natureza da essência da indestrutibilidade,
realizou totalmente a imutável
e absoluta atenção plena,
eu peço que me conceda
a sabedoria coemergente.
Glorioso Mipham Chödrup
Gyamtso,
que exibe todas as variedades
da compaixão sempre adequada
às capacidades e devoção
de cada estudante,
eu peço que me conceda
a sabedoria coemergente.
Pema Nyinje, mestre de todas
as famílias de budas,
o senhor que personifica a imensa
felicidade incondicional que vem da
realização da
similaridade entre samsara e nirvana,
eu peço que me conceda
a sabedoria coemergente.
Thekchok Dorje, Sol dos seres,
cuja luz de compaixão
sem fronteiras tudo permeia,
e cuja perfeita consciência
é clara como o céu,
eu peço que me conceda
a sabedoria coemergente.
Buda Yonton Gyatso, professor
que tudo penetra,
Vajradhara dos cinco kayas,
que conheceu plenamente o significado
da inseparabilidade da felicidade e da vacuidade do mahamudra,
eu peço que me conceda
a sabedoria coemergente.
Karmapa Khakhyap Dorje, de compaixão
sem limites,
que é a personificação
de todos os budas dos três tempos,
e Dorje Chang, liberado da vastidão
do espaço primordial,
eu peço que me concedam
a sabedoria coemergente.
Incomparavelmente claro e profundo
Pema Wanchok,
que surge da alegria que tudo
permeia da mente profunda de Maitreya,
como o regente de Padmasambhava,
protetor dos seres vivos e dos ensinamentos do Buda,
eu pelo que me conceda a sabedoria
coemergente.
No espaço da pura atenção
plena e da vacuidade, que tudo permeia,
o protetor dos ensinamentos
da linhagem da prática,
o senhor, emanação
de Vairocana, inigualável e supremo Jamgon Khyentse Ozer,
eu peço que me conceda
a sabedoria coemergente.
Da profunda e brilhante, não-dualística
e toda penetrante sabedoria primordial,
imperturbável, milagrosamente
se manifesta em aparências
para quem quer que precise ser
subjugado, Rikpe Dorje, incomparável líder dos seres,
eu peço que me conceda
a sabedoria coemergente.
Ao lama-raiz, personificação
de todos os budas,
que, com bondade, me levou à
minha verdadeira natureza,
a naturalmente presente essência
de mahamudra com base, caminho e realização,
eu peço que me conceda
a sabedoria coemergente.
À reunião dos
yidams, que concedem as duas realizações,
à reunião dos
protetores do dharma, mestres da atividade búdica
e ao oceano de atendentes comprometidos
com o trabalho aos outros,
eu peço que me concedam
a sabedoria coemergente.
Através das bênçãos
desta oração, que eu possa realizar toda a realidade do samsara
e do nirvana,
além da dispersão
e da acumulação,
da aceitação e
do abandono, da existência e da não-existência,
livre de tudo, base fundamental
de tudo: mahamudra, a verdadeira natureza das coisas.
Sem se deter no ato da realização,
naquele que realiza ou na própria realização,
sem abandonar aquilo que é
obscuro, aquele que obscurece ou a própria obscuridade,
transcendendo completamente
a jornada, o viajante e o caminho percorrido,
que se manifeste o caminho do
mahamudra.
Sem se deter no resultado, naquele
que alcançou o resultado ou qual o resultado,
que a não-dualidade do
abandono e da aquisição
e a inseparabilidade da base
e da realização, natureza de tudo o que é manifesto
e não-manifesto,
resultado do mahamudra, se tornem
aparentes.
Grande Vajradhara, Tilopa, Naropa,
Marpa, Mila, Senhor do Dharma
Gampopa,
conhecedor dos três tempos,
onisciente Karmapa,
portadores da linhagem das quatro
grandes e das oito pequenas escolas,
Drikung, Taklun, Palden Drukpa
e outros;
mestres do profundo caminho
do mahamudra, Dakpo Kagyü,
protetores inigualáveis
dos seres sencientes,
peço a vocês, gurus
Kagyu,
que concedam suas bênçãos
para que eu siga seus exemplos e permaneça em sua linhagem.
A renúncia é o
pé da meditação, assim é ensinado;
sem se apegar à comida
ou à fortuna.
Ao meditador que sempre recorre
a vocês,
concedam suas bênçãos
para que cesse o apego às posses e à honra.
A devoção é
a cabeça da meditação, assim é ensinado;
o guru abre a porta do tesouro
dos ensinamentos orais.
Ao meditador que sempre recorre
a vocês,
concedam suas bênçãos
para que surja a devoção pura e incondicional.
A atenção plena
e firme é o corpo da meditação, assim é ensinado;
qualquer pensamento que surge
tem a pureza como sua natureza.
Ao meditador que assim repousa,
concedam suas bênçãos
para que a meditação esteja livre do objetivo da meditação.
A natureza do pensamento é
dharmakaya, assim é ensinado;
ainda que ele não seja
nada, tudo surge dele.
Ao meditador que permite a livre
manifestação da atividade da mente,
concedam suas bênçãos
para que seja realizada a inseparabilidade do samsara e do nirvana.
Seja se estiver fazendo a prática
uma ou muitas vezes durante o dia, repita os versos a seguir três
vezes, ou tantas quantas quiser:
Todos os seres sencientes que
já foram minhas mães, ilimitados como o espaço, recorrem
ao guru, o precioso Buda.
Todos os seres sencientes que
já foram minhas mães, ilimitados como o espaço, recorrem
ao guru, que é o Dharmakaya.
Todos os seres sencientes que
já foram minhas mães, ilimitados como o espaço, recorrem
ao guru, que é o Sanboghakaya.
Todos os seres sencientes que
já foram minhas mães, ilimitados como o espaço, recorrem
ao guru, que é o compassivo Nirmanakaya.
Conte as repetições
a seguir, para completar o ngondrö:
Precioso guru,
eu peço que me conceda
as bênçãos para abandonar o apego ao ego.
Eu peço que me conceda
as bênçãos para realizar a futilidade do samsara.
Eu pelo que me conceda as bênçãos
para que cessem os pensamentos não ligados ao dharma.
Eu peço que me conceda
as bênçãos para realizar minha mente como não-nascida.
Eu peço que me conceda
as bênçãos para que minhas ilusões cessem espontaneamente.
Eu peço que me conceda
as bênçãos para realizar todos os fenômenos como
dharmakaya.
Gloriosos lamas, eu peço
a vocês
que me concedam as quatro iniciações
que amadurecem.
Concedam suas bênçãos
para que as quatro correntes do meu ser amadureçam rapidamente.
Eu peço que possa realizar
as quatro espécies de atividades.
No momento em que faço
estes pedidos,
toda a reunião se dissolve
em luz e se funde no corpo do principal,
que é a personificação
das três jóias,
claramente visível sob
a forma do meu guru.
Uma luz branca se irradia de
sua testa e entra na minha testa,
purificando os obscurecimentos
do meu corpo. Assim recebendo a iniciação do vaso,
eu estou autorizado a praticar
o aspecto do desenvolvimento da meditação,
e desta forma me torno digno
de alcançar o nirmanakaya.
Luz vermelha irradia de sua
garganta
e entra na minha garganta, purificando
meus obscurecimentos da palavra.
Assim recebendo a iniciação
secreta, eu estou autorizado a meditar nos canais e ventos, e desta forma
me torno digno de realizar o sambhogakaya.
Luz azul irradia de seu coração
e entra no meu coração,
purificando meus obscurecimentos mentais.
Assim recebendo a iniciação
da sabedoria, eu estou autorizado a meditar na união
(entrada conjunta) e desta forma
me torno digno de realizar o dharmakaya.
Dos três pontos em meu
guru irradiam luzes brancas, vermelhas e azuis
que entram nos meus três
pontos, purificando meus obscurecimentos do corpo, da palavra e da mente.
Assim recebendo a quarta iniciação,
eu estou autorizado a meditar em mahamudra
e desta forma me torno digno
de realizar svabhavikakaya.
Então o guru se dissolve
então em luz e se funde em mim.
Meu corpo, palavra e mente e
o corpo, palavra e mente-vajra do guru
se tornam inseparáveis
e um só e,
com essas três consciências,
a auto-realização é espontânea.
Estas são as quatro práticas
do ngöndro.
Dedicação e aspiração.
Dedico esta virtude para que
todos os seres sem exceção
possam alcançar o estado
de buda,
possam percorrer o caminho interno
até a mente-vajra,
a imortal e eternamente feliz
união da sabedoria com os meios hábeis.
Por este mérito,
que eu possa rapidamente realizar
mahamudra.
E, tendo realizado, que eu possa
levar todos os seres
sem uma única exceção
ao mesmo estado.
Através da bênção
dos budas que alcançaram os três kayas,
através da bênção
da imutável verdade do dharmata,
através da bênção
da firme intenção da sangha,
possam esta dedicação
e esta aspiração ser realizadas.
Esta sadhana de ngöndro
saiu do comentário sobre saraja-mahamudra composta por Wangchuk
Dorje.
Por este mérito, que
todos os seres sencientes possam renascer em Dewachen.