Eu, Raphael Ernani Rigoti, e o Fernando de Camargo Passos, o professor que me orientou, oficializamos o estágio voluntário em dezembro de 1998. Passei a estudar o desenvolvimento comportamental do filhote de Vanellus chilensis. Pela manhã as 7 horas e pela tarde as 17 horas e trinta minutos, eu passava 25 minutos com os filhotes. A cada trinta segundos eu anotava em uma tabela o que cada filhote estava fazendo. No final eu somava o número de vezes que um comportamento foi anotado. Do número total de anotações havia um número "x" que correspondia a um comportamento e outros números que correspondiam a outros comportamentos. Dividindo o valor de cada comportamento pelo total de anotações eu tenho a frequência do comportamento em questão. Bom... esses dados foram reunidos em semanas, com isso eu tenho a frequência do comportamento na semana em questão. A conclusão desse trabalho depois de muita confusão é: Ao longo das semanas o comportamento do filhote vai se modificando (É Lógico!), isso é evidenciado pela modificação da frequência dos comportamentos estudados. Agora vou detalhar e discutir, sobre a conclusão. Os comportamentos importantes no final são dois: filhote abrigar-se debaixo dos pais e o cuidado ou alisamento das próprias penas, e o horário importante, o da manhã. O estudo foi feito em sete semanas. Na sétima semana o comportamento de alisamento das penas do filhote já tem frequência igual à do adulto e o filhote já voa, um bom momento para a conclusão. Na primeira semana o filhote fica 49% de seu tempo debaixo dos pais. Essa frequência vai abaixando linearmente até ter valor zero na quarta semana. É só na sexta semana que o filhote começa a alisar as penas com uma frequência significativa, 14%. Na sétima semana a frequência do comportamento de alisar penas é de 19%. A Leny Cristina Mileo Costa, que também estuda o Vanellus chilensis estudou o comportamento de alisar penas do adulto, e determinou porcentagem entre 20 e 21. Agora o ponto mais interessante, notou que há um intervalo em que o filhote não é abrigado pelos pais e nem cuida de suas penas. Durante a quinta semana a frequência dos dois comportamentos é zero, é uma fase de transição, do cuidado dos pais para o próprio cuidado. É o que nós podemos chamar de adolescência! Fiz um outro estudo que acabou demonstrando que essa transição é realmente uma fase crítica (esse estudo fiz de outubro de 1999 até março de 2000, e o fiz também de setembro a dezembro de 2000). Uma vez por semana eu visitava todos os ninhos possíveis e via quantos ovos tinham. Quando nasciam os filhotes eu também anotava a cada semana quantos filhotes tinham. O propósito desse estudo era ver se duplas tinham menos sucesso que trios. Os dados mostraram que a taxa de mortalidade é igual para os dois grupos, duplas ou trios, mas os casais colocaram mais ovos e deixaram mais filhotes por adultos! (algo que me deixou completamente confuso!). Só por fazer comecei a anotar quantas mortes ocorreram em cada semana. Foi aí que fui completamente surpreendido pelos dados! Acompanhei 42 filhotes. A primeira semana foi responsável por 2 mortes; a segunda por 5; a terceira por 4; a quarta por 3; A quinta por 12; a sexta por 3; e a sétima em diante por nenhuma. Foi só com esses dados que vi o quanto importante era a quinta semana! |