Livro do profeta Isaías, capítulo 53, versos 1 a 7
Quem creu em nossa pregação?
E a quem foi revelado o braço do Senhor?
Porque foi subindo como renôvo perante ele,
e como raiz duma terra seca;
não tinha aparência nem formosura;
olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse.
Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens;
homem de dores e que sabe o que é padecer;
e como um de quem os homens escondem o rosto,
era desprezado, e dele não fizemos caso.
Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades,
e as nossas dores levou sobre si;
e nós o reputávamos por aflito,
ferido de Deus, e oprimido.
Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões,
e moído pelas nossas iniqüidades;
o castigo que nos traz a paz estava sobre ele,
e pelas suas pisaduras fomos sarados.
Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas;
cada um se desviava pelo caminho,
mas o Senhor fez cair sobre ele
a iniqüidade de nós todos.
Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca;
como cordeiro foi levado ao matadouro;
e, como ovelha, muda perante os seus tosquiadores,
ele não abriu a boca.
Injustiça ao Justo
Os judeus acham imoral que alguém justo venha a sofrer pelos injustos, e este é um dos motivos de irem contra o cristianismo. Era tão incompreensível este fato que o profeta Isaías exclamou no primeiro verso: "quem vai acreditar nisto que vou escrever?" e "a quem foi revelada a força com que Deus age?"
Para entender o que está escrito nesta misteriosa profecia dada por Deus a Isaías, precisamos compreender as diferenças entre o perdão humano e o perdão divino. Siga-me nesta maravilhosa aventura!
Dois Perdões Distintos
O perdão de Deus é diferente do humano, que é barato, mesquinho, que não custa nada, que não sofre. Eis um exemplo do perdão humano:
Pai e filho entram em acordo: "Filho, se você desobedecer-me fazendo isto eu irei dar-te umas boas palmadas!". O filho concorda em apanhar caso transgrida, mas... acaba desobedecendo, conseqüentemente merecendo o castigo do pai.
Quando o pai vai a lhe bater, o filho olha com seu olhar doce - embora não inocente - e pede perdão, que o pai não resiste em conceder-lhe.
A palavra de Deus é eterna, por isso é que não há esse perdão humano para Deus. Quem desobedece precisa morrer porque este foi o trato entre Deus e o homem: o salário da trasgressão é a morte. Esta é a consequência do meu erro. Não há justo, nem sequer um. Todos pecamos e merecemos morrer. Mas... ninguém quer morrer!
Então nós chegamos a Deus e falamos: "Pai, me perdoe!" Em outras palavras, "Pai, eu sei que devo morrer, mas não quero morrer!"
O Plano de Deus
Acontece que se Deus nos perdoa, o inimigo diz que Ele é mentiroso, que sua palavra não vale nada. Por outro lado, se Deus mata, o inimigo acusa-o de carrasco injusto, por criar uma lei que não podemos cumprir.
O que Deus fará então, já que nos ama e ao mesmo tempo cuida para que sua palavra se cumpra? Num diálogo misterioso entre as pessoas da divindade, Deus-Filho decide vir ao mundo como homem antes que Deus-Pai exercite sua justiça sobre o homem condenado à morte.
Ele não disfarça-se de homem, mas vem ser homem, vem compreender nosso sofrimento. Jesus compreende nossa vida porque, além de ser Deus, foi homem também. Não há tentação e lutas que experimentemos que Ele não tenha experimentado.
Mas Ele viveu uma vida inteira sem pecar. Assim, Ele apresenta-se ao Pai e diz:
Acordo de Troca
- O homem que peca merece morrer e o que não peca merece viver. Tudo bem, Pai! Mas eu também sou ser humano. Fui tentado em tudo mas jamais pequei. Eu mereço a vida.
- Querido Pai, eu já tenho a vida por ser Deus, mas por ser homem eu ganhei a vida.
- Portanto, quero fazer uma coisa: na tua lei não há nada falando sobre trocas. Pois eu quero fazer uma troca: dar a vida que eu ganhei, aos homens, que a perderam.
Nós merecíamos ser chicoteados nas costas, cuspidos no rosto e finalmente encravados numa cruz. Foi essa a troca de amor que aconteceu na cruz do Calvário!
Morte dos Bandidos
Vamos explicar melhor lembrando os acontecimentos daqueles dias:
Todos ficaram aliviados quando os "jornais" anunciaram que a polícia romana conseguira prender o terrível bandido chamado Barrabás, homem sanguinário.
Os piores bandidos morriam por crucificação, que era uma morte fria, calculada, especialmente estudada para fazer sofrer os que por ela passariam.
Senão veja: ninguém morre com furos nas mãos e pés. O condenado começava a sangrar vivo por estes furos, pendurado numa cruz. Era-lhe dado o direito de beber um pouco de vinagre para aplacar um pouco da dor.
Chegando a noite no topo da montanha, o vento gelado machucava seu corpo nu, e durante o dia o sol escaldante fazia secar o sangue que escorria dos ferimentos.
O ser humano que estava ali tinha tempo - dois ou três dias - para pensar em tudo o que fez de podre na vida. Esta era uma espécie de vingança da sociedade.
Duas Prisões
Naqueles dias os judeus também prenderam a Jesus. Ele não tinha feito mal a ninguém. Era querido por muitos do povo, pois tinha devolido a confiança às pessoas, a vista aos cegos, a paz e a saúde aos homens. Restaurou os párias (excluidos) da sociedade.
Pilatos sabia disso e tentou defendê-lo. Naquela noite - aproveitando o costume de libertar um prisioneiro na Páscoa - pensou em deixar o povo decidir entre a liberdade do bondoso Jesus e do abominável marginal Barrabás, pois obviamente o povo escolheria libertar a Jesus.
O que Pilatos não sabia era que havia uma profecia a este respeito! Ele ficou quase louco quando o povo mais e mais pedia para soltar a Barrabás. E Barrabás é que deve ter ficado mesmo sem entender! Na verdade, ele é que deve ter entendido muito bem o que significa Jesus ter morrido por nós, ao ser solto sem punição alguma.
Sobre a Crucificação
As cruzes eram feitas sob medida por um carpinteiro. No dia anterior, ao fazer a cruz, ele deve ter imaginado Barrabás ali pregado, e agora o tempo era curto para fazer uma cruz nas medidas de Jesus. Quando Cristo subiu ao Calvário, não era a sua cruz que carregava. Para Ele, nunca ninguém jamais construiu uma cruz, porque simplesmente Ele nunca merecia uma cruz.
E o que precisamos entender é que aquela cruz não era a cruz de Barrabás, mas a minha e a tua! Porque quando eu olho para mim vejo que só merecia morrer. Ele não, pois passou pelo mundo só abençoando os homens.
E mãos cruéis O pregaram. Os pregos rasgaram sua carne devido ao Seu peso. Uma coroa de espinhos furava a Sua cabeça. Um soldado furou o Seu lado. Seus lábios ficaram secos de sede, mas insistiu em não beber o vinagre. Era um amor louco, este o de Deus morrendo por nós?
O sol teve vergonha do que os homens estavam fazendo e escondeu-se por trás de densas nuvens por três horas, desde o meio-dia. Até os animais, seres irracionais, corriam de um lado ao outro sabendo que algo muito diferente estava acontecendo.
Medo da Morte
Que fácil é dizer "Cristo morreu". Você entende o que é dizer "Cristo morreu"?
Cristo não era um louco suicida. Ele não tinha prazer em morrer. Era um homem que, como qualquer outro, carregava em si o instinto de conservação. Tinha medo de morrer, como todo ser humano em seu estado normal não deseja a morte.
Cristo era como você e eu. Não queria morrer! Tanto que na noite anterior, no jardim do Getsêmane, falou ao Pai que tinha medo de morrer e queria que o Pai passasse essa provação dEle.
Nossa vida ou nossa morte estavam em suas mãos. Era fácil a Jesus deixar que essa humanidade pagasse o seu própio erro, afinal, mereciam por ter desobedecido a Deus. Mas não. Ele disse ao Pai que não importava. Iria morrer no dia seguinte.
Motivo da Morte
Qual o motivo da morte de Jesus?
Morreu do coração. O coração parou de bater. Morreu de angústia por ter tido a capacidade de olhar até para o futuro, para agora, para você aí, do jeito que está neste exato momento.
Você é a coisa mais linda que Cristo tem nessa vida. Você pode não acreditar nisto... tudo bem!
Mas Cristo morreu de aflição porque olhava para você e dizia: "Filho amado, você não sabe o que é ter medo de morrrer. Mas embora eu tenha medo, meu amor por você é muito maior do que meu medo da morte!"
Você que se sente sozinho, perdido, afundado. Você que acha que não há mais jeito na vida, que procura algo que nem mesmo sabe o que é; a você Ele disse:
- O que me dói mesmo não são os pregos e os espinhos, mas ver que você está se perdendo na aflição e no desespero... e que eu aqui morro por ti. Deixa eu te ajudar, larga esse formalismo de religião que você acha que é a vida, larga todo o preconceito, todas as barreiras, e creia em mim!
Maçãs e Perdão
Há um fato verídico que exemplifica a aflição de Deus. O Pr. Richard, fundador do quarteto "A Voz da Profecia", conta que quando era um garoto de 11 anos, pulava a cerca do vizinho e roubava suas maçãs.
Um dia o vizinho queixou-se do fato para sua mãe, que ficou muito envergonhada e disse ao garoto:
- Filho, veja esta vara. Se você roubar novamente as maçãs do vizinho, lhe darei 5 varadas.
O filho concordou com o castigo, mas a cada dia que passava as maçãs pareciam mais vermelhas, e no quinto dia ele não resistiu. Quando pulou de volta com o fruto do furto, sua mãe o esperada com a vara em punho.
- Mãe, me perdoe! (em outras palavras, "mãe, não me bata!")
- Não, você precisa ser disciplinado - foi a resposta da mãe sábia.
- Por favor, mãe!
- Não, eu lhe avisei e vou cumprir a minha palavra.
- Mas mãe, você não me ama?
E diante desta interrogação, a mãe disse-lhe:
- Filho, você não quer receber o castigo?
- Não!
- Então só há uma saída: eu prometi e o castigo vai-se cumprir. Eu amo você, por isso, embora você mereça o castigo, eu vou sofrer o castigo por você. Toma a vara e bate em MIM.
O Verdadeiro Culpado
Assim é conosco. Deus fala: "Filho, só há uma saída para você não morrer."
E perguntamos: "Qual é, pai?". Ele explica: "Você merecia a crucificação. Eu amo você, por isso eu coloco-me no teu lugar através do meu filho."
O pastor Richard não teve coragem de bater na sua mãe, mas nós tivemos coragem de crucificar a Jesus. Eu aprendi a defender-me por muito tempo dizendo: "Mão fui eu, mas os judeus que o crucificaram!" A verdade, porém, é que cada um de nós O crucificou.
Cada erro que eu cometo é uma cuspida no Seu rosto, uma chibatada nas Suas costas, um prego na mão ou no pé Dele.
Coincidência?
Os seres humanos fazem greves, reivindicam direitos. Mas quem teria todo o direito do mundo de reivindicar algo era Jesus. E ele morreu como um cordeirinho. Quietinho.
Coincidência? Não. Amor. Muito amor. Amor que muitas vezes até hoje não compreendemos. E como teria eu coragem de não amar ao Senhor Jesus?
Imagine a crucificação. Cada fato que citamos. Imagine-se cuspindo no rosto Dele. Pois Ele vira-se e te diz: "Pode xingar e zombar, cuspir e machucar. Mas você não pode impedir que eu ame a você!"
Preste atenção na letra desta melodia. Perceba a profundidade do amor de Deus por você:
Pela via dolorosa,
triste dia em Jerusalém,
os soldados abriam caminho prá Jesus.
E a multidão ali passava
para ver quem levava aquela cruz.
Ele estava tão ferido e sangrava sem parar;
coroado com espinhos Ele foi.
E em coro podia Ele ouvir
o escárnio dos que o punham a morrer.
Pela via dolorosa, que é estrada de horror,
qual ovelha veio Cristo, Rei e Senhor.
Ele foi quem escolheu dar a vida por ti e por mim.
Pela via dolorosa meu Jesus sofreu por mim.
Ele estava tão ferido e sangrava sem parar,
coroado com espinhos Ele foi.
E em dor podia ouvir o escárnio
dos que o punham a morrer.
Pela via dolorosa, que é a estrada de horror,
qual ovelha veio Cristo, Rei e Senhor.
Ele mesmo quis morrer por seu amor.
Pela via dolorosa meu Jesus sofreu por mim.
Toda a vida dolorosa sofreu por mim.
Jesus se entregou provando seu amor
morrendo numa cruz em Jerusalém.
Aceitação
Agora imagine você naquela cruz. Não é isto que Deus quer para você. Jesus te tirou de lá e morreu em teu lugar. Diga a Ele que não sabia que Ele amava-o tanto. Atire-se aos Seus pés e reconheça:
- "Senhor, eu Te aceito como meu Salvador, como meu substituto."
- "Valeu este Teu amor que ainda nos atrai, ainda nos chama a Ti por meio da cruz."
- "Vem ser Senhor, vem e dirige minha vida pelo bom e estreito caminho."
Coloca, Deus, a tua mão sobre este que O recebe e fala-lhe quanto estás feliz pela decisão que ele tomou! Leva-o em paz, Senhor! Assim seja!
Extraído da pregação do pastor Alejandro Bulhón, do dia 12-out-97. Você poderá ouví-lo na Rádio Novo Tempo. Em Curitiba - Paraná, ouça-o todos os sábados às 9:00 horas e domingos às 17:00 horas.