Gente
que o BG conheceu
Lafayette Rodrigues Pereira
Do site do BG e da ABL.
"Há
equívoco em supor-se que ele (Bernardo) não passou, então, de simples
redator-literário da 'Atualidade'. É certo que, com o seu nome, só apareceram
ali produções suas em versos e, sem assinatura alguma, quatro longas
críticas". (Basílio de Magalhães, "Bernardo Guimarães", pág.
38).
Diz o mesmo autor, mais adiante, nas páginas 39 e 40: "Sei, entretanto, que
muitos editoriais políticos da 'Atualidade', tidos como oriundos da pena de
Flávio Farnese ou da de Lafayette Rodrigues Pereira, eram realmente da do autor
dos "Cantos da Solidão". O insigne jurista e conspícuo estadista, que
depois presidiu ao Gabinete de 24 de maio de 1883, confessou a amigos, em
palestra, depois da morte do escritor ouro-pretano, que não hesitaria em
recorrer, muitas vezes, a este, para a elaboração de artigos de grande
responsabilidade partidária e que foram estampados nas colunas daquele órgão
liberal. E, não obstante a frieza com que (Lafayette) costumava julgar os homens,
não vacilava em proclamar, com desusado calor de expressão:
-- Bernardo Guimarães foi um gênio! Se se entregasse ao estudo, ao trabalho e a
uma vida regular, teria assinalado a época em que existiu, porque o seu
prodigioso talento tudo supria!"
Lafayette Rodrigues Pereira,
advogado, jornalista, jurista, orador, político, diplomata e conselheiro de
Estado, nasceu em Queluz, MG, em 28 de março de 1834, e faleceu no Rio de
Janeiro, RJ, em 29 de janeiro de 1917. Eleito em 1o de maio de 1909 para a Cadeira
n. 23, na sucessão de Machado de Assis, tomou posse por carta, lida e registrada
na Ata da sessão de 3 de setembro de 1910.
Era filho de Antônio Rodrigues
Pereira, barão de Melgaço, e da baronesa do mesmo título. Feitos os estudos
primários e secundários, partiu para São Paulo, matriculando-se na Faculdade de
Direito em 1853. Como está registrado no ofício enviado pelo diretor da
Faculdade, dr. Manuel Joaquim do Amaral Gurgel, ao ministro do Império,
Conselheiro Luís Pereira do Couto Ferraz, Lafayette era o melhor estudante da
turma, na qual figurava, entre outros nomes, o de Paulino José Soares de Sousa.
Ao chegar ao 3o ano do curso, foi escolhido presidente efetivo do Ensino
Filosófico, colaborando na revista da associação.
Ao término dos estudos, em 1857,
partiu para Ouro Preto, onde se dedicou à advocacia. No ano seguinte, mudou-se
para a capital do Império. Foi trabalhar a princípio no escritório de Teixeira
de Freitas. Simultaneamente, dedicava-se ao jornalismo. Fundou, com Pedro Luís e
Flávio Farnese, a Atualidade, jornal em que escreveu excelentes artigos, de 1858
a 1860. Nos anos seguintes, foi redator também no Le Brésil, no Diário do Povo
e, de 1870 a 1874, em A República.
Exerceu a presidência do Ceará
(1864-65) e a do Maranhão (1865-66). Regressando ao Rio, aceitou a colaboração
que lhe era oferecida em A Opinião Liberal e no Diário do Povo.
Em 1868, ascendeu Itaboraí ao
Conselho da Coroa, fato que determinou novos rumos no cenário político
brasileiro. Uma facção dos antigos Progressistas e dos Liberais Históricos
buscava a solução da República. Foi então publicado o Manifesto de 3 de
dezembro de 1870, redigido por Quintino Boicaúva, com a colaboração de Salvador
de Mendonça. Lafayette Rodrigues Pereira aparecia como um dos seus signatários,
embora não tivesse assinado pessoalmente o Manifesto, tendo apenas comparecido à
primeira reunião, em que se haviam de assentar as bases para a criação do novo
partido, e na qual foi aclamado secretário da nova agremiação política.
Lafayette era a esse tempo redator de República.
Alguns anos depois, entretanto,
Lafayette serviu como ministro de Justiça do gabinete Sinimbu. Criticada no
Senado e na Câmara a sua atitude contraditória, procurou defender-se, explicando
as razões pelas quais aceitou fazer parte do Ministério. Nesse episódio
político, como em outros posteriores, Lafayette reafirmou-se, nas suas réplicas,
como formidável orador e também ironista incomparável.
Em 1879, seu nome figurava, não
como vencedor, em uma lista tríplice, apresentada pelo eleitorado mineiro, para
dela ser procedida a escolha de um senador. A escolha da Coroa recaiu sobre o nome
do ministro Lafayette, vindo a sua nomeação em 22 de novembro do mesmo ano.
Lafayette "escorregava para cima", diziam os adversários políticos. Em
maio de 1883, a convite do Imperador, o senador Lafayette organizou um gabinete no
qual ele era o presidente do Conselho e ministro da Fazenda, dele fazendo parte
também Afonso Pena como ministro da Agricultura. O gabinete Lafayette teve
duração de um ano e doze dias, e foi marcado, sobretudo, por fatos da chamada
questão militar, pela qual o ministro da Guerra, Rodrigues Júnior, foi obrigado
a afastar-se do cargo.
Em 6 de junho de 84, o gabinete
Lafayette foi substituído pelo gabinete Dantas. O conselheiro Lafayette passou
então a servir ao Brasil em outros setores: como senador, conselheiro de Estado,
diplomata e, sobretudo, grande jurista e escritor que sempre fora. Foi, em 1885,
nomeado ministro em missão especial no Chile, para servir de árbitro nas
reclamações italianas, inglesas e francesas motivadas pela Guerra do Pacífico
entre o Chile, de um lado, e o Peru e a Bolívia, do outro. Em 1889, foi de novo
acreditado ministro em missão especial, de parceria com Amaral Valente e Salvador
de Mendonça, para constituir a delegação do Brasil à primeira Conferência
Internacional Americana. Abandonou o posto em 17 de novembro, por não aceitar a
renovação dos seus poderes pelo Governo Provisório da República
recém-proclamada. Deixou, dessa forma, de assinar os atos finais da Conferência,
como o que criou a União Internacional das Repúblicas Americanas, depois União
Pan-Americana.
Grande polemista, jurista de
reputação internacional e membro da Corte de Arbitragem de Haia, a sua
bibliografia apresenta várias obras jurídicas, além de Vindiciae, em que
defendeu Machado de Assis da crítica injusta de Sílvio Romero. Pseudônimo:
Labieno.
Obras: Direitos de família (1869);
Direito das coisas, 2 vols. (1887); Escravatura, parecer (1884); Vindiciae O sr.
Silvio Romero crítico e filósofo, assinado com o pseudônimo Labieno (1899);
Princípios de Direito Internacional, 2 vols. (1903): Projeto de Código de
Direito Internacional Privado (1911); Pareceres (1921 e 1927).
Lafayette Rodrigues Pereira, filho do
Major Antônio Rodrigues Pereira, o Barão de Pouso Alegre, nasceu no dia 28 de
março de 1834, na fazenda dos macacos, freguesia de N. S. Da Conceição, Real
Vila de Queluz, província de Minas Gerais.
Dom Pedro II, mostrando reconhecimento ao ilustre Homem, político, parlamentar,
literato, crítico, polemista, diplomata, membro da Academia de Letras, deputado,
senador, ministro da justiça, jornalista, promotor de justiça, presidente das
províncias do Ceará e do Maranhão. Em 1883/1884 como presidente do conselho dos
ministros, apresentou programa revolucionário para a época, defendendo a
autonomia das províncias e municípios e participou como delegado da 1ª
conferência Pan-Americana, em Washington membro do tribunal arbitral Haia,
escreveu, "Direitos da Família", "Direito das coisas",
"Código de Direito Internacional Privado" e "Introdução
Geral". Obras primas da ciência jurídica que são fontes importantes de
consulta. Em 15 de dezembro de 1883, a Estação Ferroviária da cidade de Queluz
de Minas , passou a ser denominada LAFAYETTE, por ordem do então príncipe
regente do Brasil.
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