Poesia de Albino
José Alves Filho, genro de BG
Aurora
(A Martiniano Viana)
A festival
aurora purpurina,
Vem abrindo do céu, os penetrais...
Trazendo orvalho, as flores da campina,
Luz,
Vida e alento, puros, matinais...
Dando gorjeio às aves, alegria
Aos grandes corações dos animais...
Volita
a borboleta... A cotovia
Ativa ao espaço cristalino canto;
O sabiá sonora melodia
A
chorosa pomba, o arrulho, o pranto...
Diz na selva o riacho a murmurar:
Ó poema da natura, nobre e santo!
O
esquivoso galerno
vem roubar
As flores, o perfume seu latente
Para as flores aromatizar
A
aurora traz ao mundo, ao prado, ao ente,
A ave, a flor, ao lírio, à criatura,
Ao peito que o vulnera dor pungente
Alma,
alegria, graça, luz, ternura...
Faz esvoaçar em cada peito um bando
De cirros, de ilusão — vaga mistura.
Às
vezes, flores, sons — aroma brando —
Faz entreabrir oculta nos abrolhos,
A flor de níveas pétalas, vicejando...
...
É o céu entrando pelos olhos..
São
Paulo, setembro de 1889
(Publicada em “A
Verdade” de 17 de outubro de 1889)
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N.E.: Galerno - Datação:
1572 cf. IAVL
Acepções
■ adjetivo e substantivo masculino
diz-se de ou vento suave e aprazível
Etimologia
fr. galerne (1150) 'vento do norte e
noroeste', prov. de orig. pré-latina; para Corominas e Nasc., o fr. deriva
prov. do bretão gwalern 'noroeste',
este de orig.duv., prov. der. de Walas
'País de Gales, de onde o vento sopra', hipótese rejeitada por BWart, que
afirma, ao contrário, ser o vocábulo bretão der. do fr.
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