Vida e Obra de Bernardo Guimarães
  poeta e romancista brasileiro [1825-1884 - biografia]

 
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Poesia de Albino José Alves Filho, genro de BG
Aurora
(A Martiniano Viana)

A festival aurora purpurina,
Vem abrindo do céu, os penetrais...
Trazendo orvalho, as flores da campina,

Luz, Vida e alento, puros, matinais...
Dando gorjeio às aves, alegria
Aos grandes corações dos animais... 

Volita a borboleta... A  cotovia
Ativa ao espaço cristalino canto;
O sabiá sonora melodia 

A chorosa pomba, o arrulho, o pranto...
Diz na selva o riacho a murmurar:
Ó poema da natura, nobre e santo! 

O esquivoso galerno[1] vem roubar
As flores, o perfume seu latente
Para as flores aromatizar

 A aurora traz ao mundo, ao prado, ao ente,
A ave, a flor, ao lírio, à criatura,
Ao peito que  o vulnera dor pungente

 Alma, alegria, graça, luz, ternura...
Faz esvoaçar em cada peito um bando
De cirros, de ilusão — vaga mistura. 

Às vezes, flores, sons — aroma brando —
Faz entreabrir oculta nos abrolhos,
A flor de níveas pétalas, vicejando...

 ... É o céu entrando pelos olhos..

 

São Paulo, setembro de 1889
(Publicada em “
A Verdade” de 17 de outubro de 1889)

 

[1] N.E.:  Galerno - Datação: 1572 cf. IAVL
Acepções
■ adjetivo e substantivo masculino
diz-se de ou vento suave e aprazível

Etimologia
fr. galerne (1150) 'vento do norte e noroeste', prov. de orig. pré-latina; para Corominas e Nasc., o fr. deriva prov. do bretão gwalern 'noroeste', este de orig.duv., prov. der. de Walas 'País de Gales, de onde o vento sopra', hipótese rejeitada por BWart, que afirma, ao contrário, ser o vocábulo bretão der. do fr.

 

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