Vida e Obra de Bernardo Guimarães
  poeta e romancista brasileiro [1825-1884 - biografia]

 
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Poesia de Albino José Alves Filho, genro de BG
Amores...

I

 A ti a quem hoje um ódio insano
Fez de minh’alma negro labirinto
A ti pra quem meu peito é desumano
Dirás talvez porque tudo isto eu sinto:

 II

E eu que sofri por ti as dolorosas
Lutas dessas paixões fanatizadas
Que do meu rosto todo as rubras rosas
Vejo-as, uma por uma, descoradas;

 Eu que fiz do meu peito escrínio puro
Onde tudo guardavas — ódio e mágoa —
Algum ato de luz no teu futuro
Quando tinhas os olhos rasos de  água;

 Eu que louco escondi a atra madeixa
Dos teus negros cabelos no meio seio
E que fiz minha queixa a tua queixa,
E cri no teu amor — meu doce enleio;

 Eu que ouvi em tua a voz a nevoada
De meigas pombas, deslizando brancas,
A esfera límpida, nívea e azulada
Desta paixão sincera que ora arrancas;

 Eu que vi em teus olhos dos dous lagos
Onde o cisne do amor corria à tona
Onde uns arpejos oscilavam vagos,
ilusão que em minha alma turbilhona

   Eu que senti transformações no peito
De eterno céu, de eterna primavera,
Que a ti meu coração era sujeito
Como as muralhas viridente[1] hera.

 Que orvalhava teu beijo cristalino
No doce orvalho do meu doce beijo,
Sentindo aroma mágico e divino
Desses teus seios — pombas do desejo;

  Eu que fui poeta e coração sincero,
Direi a ti porque tudo isto eu sinto
Mostrarei da minh’ alma o desespero
E direi porque é negro labirinto

 III

 E que teu, teu amor durou o espaço
Que dura o cântico d’ave no arvoredo,
Foi como flecha de luz que em estilhaço
Bebe orvalhada oculta no balsedo

São Paulo, 1890
Publicado em “A Verdade” em 1º de janeiro de 1891

[1] Viridente:

Sinonímia:  florescente e vicejante

 

 

 
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