MUNDO DE BRIAH
                                               BRUNO  BERTOLUCCI  ORTIZ - bubis@unimes.com.

  

Conceito Cabalístico
 
Briah é o segundo mundo cabalístico, conhecido como Mundo da Criação. Os seus sefirot são: Gedulah (ou Chesed), Geburah e Tifaret . Corresponde ao Plano divino, e em relação aos outros sefirot , corresponde ao Arcanjo.
Em Malcut se manifesta por Sandalphon; em Yesod por Gabriel, em Hod por Rafael, em Netzac por Haniel, em Tiafaret por Miguel, em Geburah por Samael, em Gedulah por Zadquiel, e em Keter por Metatron.
Tifaret é conhecido como a Beleza. Por Briah tratar-se do mundo divino, Tifaret representa o ideal de beleza e perfeição que a evolução tem por meta.  às vezes Tifaret é chamada de Adão Kadmon, isto é, o homem ideal que vive em todos os homens em estado latente. É o ideal do homem, o " Homem Arquetípico", imagem e semelhança de Deus.
O homem que chega , ao menos perto desse estado, é um homem de elevada espiritulidade, e conforme se assemelha a esse ideal, deixa de encarnar no plano físico, e tem um novo tipo de evolução. Por esse motivo, Tifaret é o centro da Árvore, é o filho de Keter, de Deus, já perfeito, o modelo de homem evoluído que todos estão destinados a atingir.
Tanto Geburah como Gedulah são potências universais que colocam a evolução em equilíbrio. Geburah é o rigor, a severidade que o Universo aplica para manter os seres no rio da evolução . Os que vão contra a correnteza evolutiva, sofrerão pela corrente contrária. É desse modo que funciona o karma. A própria pessoa cria suas condições astrais, sua correnteza, que será favorecida pela correnteza evolutiva, ou será destruída por esta.
Gedulah é a misericórdia, a recompensa do Universo àquele que segue correnteza da evolução. A misericórdia é o apoio do Universo aos que decidiram seguir a via da evolução, e seus frutos serão proporcionais aos seus esforços.
 
O Plano Astral Superior
 
Briah é o plano astral superior, ou o "plano mental", ou "Plano Divino". Nessa esfera, regem a perfeição e as leis mais rigorosas do Universo. Suas entidades são as mais evoluídas entre as Potestades, e os seres que atingiram graus evolutivos que não encarnam mais. É conhecido também como "Mundo da Criação", ou mundo ideal. Nesse mundo vive o "ideal", a beleza perfeita, a justiça perfeita e o bem perfeito. Quando o homem deseja trilhar o caminho da busca espiritual, ele traça em sua mente um modelo de perfeição, isto é um ideal, o qual ainda não possui, mas que acredita ser possível atingir. Essa fé que o permite ter esperanças quanto ao bem e ao verdadeiro, vem do plano superior.
Ao passo que o plano astral "médio" ( por falta de ourtro termo) está ligado à forma, o plano superior, está ligado á idéia. Por esse motivo é que o contato com esse plano se efetua pela aspiração ao divino, com a vontade carregada de amor e intenção benévola. Desse plano provém as energias mais positivas, as inspirações mais sublimes. O que é a inspiração senão a revelação de uma força maior nas obras (ou idéias) que são capazes de nos transportar até as profundezas da alma,  onde há a esperança da plenitude?
A alma é um veículo por excelência entre os mundos. Através dela é possível conhecer os planos superiores, e transportar deles as energias mais sublimes. Ao passo que para trazer ao plano físico uma entidade de outro plano é necessário o ritual que corresponde às leis que permitem essa passagem, a simples alma que aspira ao divino é capaz de ser um canal das energias ( não das entidades!) desse plano. Assim, uma alma pode ser receptáculo de forças divinas, e a partir dela desenvolver a intuição e a sabedoria. Pode com isso evoluir tudo à sua volta e retirar de si mesma as impurezas da ilusão.
 
Experiência Espiritual de Briah
 
Briah corresponde á experiência espiritual da revelação. O homem purificado é receptáculo das forças divinas. No caminho do auto-conhecimento, a alma já se esforçou para conhecer suas capacidades ( Experiência de Assiah), e para retirar o que é ruim ( Experiência de Yetzirah). Agora há a necessidade de repor com o que é bom, de desenvolver plenamente a espiritualidade.
 
O Caminho de Tifaret para Geburah corresponde ao décimo arcano do Tarô, a Roda da Fortuna.
 
 
Na lâmina, um cão sobre em direção à esfinge, ao passo que um macaco desce. Tal arcano refere-se ao Karma e aos ciclos de reencarnação. A lei é exata, se o ser não estiver puro e não passar pelo teste da esfinge, voltará ao mundo até estar perfeitamente purificado. O exercício proposto pela lâmina é pagar o Karma corretamente, assumir os erros e procurar a correnteza da evolução por meio de seu Dharma. O macaco que desce é aquele que não conseguiu seguir a correenteza da evolução, e por causa disso fica preso à roda, na qual ele mesmo escolhe o caminho da "materialidade", dos desejos. Geburah, ou o Rigor, é a potência Universal que obriga a cada um a se responsabilizar por seus atos e escolhas, onde aquele que escolhe quebrar, vai ter que consertar, e aquele que escolhe não plantar, não vai receber frutos.
 
O camimnho de Tifaret para Chesed corresponde ao décimo primeiro arcano, a Força.
 
 
A lâmina representa o ideal da "Virgem", abrindo, ou fechando, sem o menor esforço, a boca de um leão. Sem dúvida, o exercício espiritual é o do auto-controle, o do desperar das forças interiores. O auto-conhecimento quando colocado em prática  leva ao auto-controle. É o descobrimento interior, a capacidade de lidar consigo mesmo e com o mundo, o despertar das faculdades latentes.
Chesed é chamado também de Misericórdia. Ao passo que aquele que faz o mal e serve a involução paga caro por seus atos, aquele que se esforça, que pede, que bate à porta, recebe sua recompnsa. O princípio esforço - recompensa, obra - mérito, é a causa de toda disciplina exigida pelo exercício espiritual. O exercício espiritual, ou o esforço consciente e constante para despertar as camadas mais profundas da alma, é a prática efetiva que segue a fórmula: "Pedi e vos será dado, buscai e achareis, batei e vos será aberto."
Tanto no exercício, que tenta despertar a alma, quanto na oração que pede a bênção, a graça é que concede o dom segundo o esforço. Este é o apelo de todo aquele que busca o que está acima e além de si mesmo.
 
O caminho de Tifaret para Hockmah corresponde ao nono arcano do Tarô, O Eremita.
 
 
A lâmina representa um sábio que anda seguramente pelo caminho, com seu cajado, e o ilumina com seu lampião da sabedoria. O Eremita é um guia, é o superior que ajuda o inferior a chegar onde ele está. O exercício espiritual é a humildade. A humildade espiritual, é o reconhecimento voluntário do superior que leva à admiração e vontade, do inferior, de se tornar semelhante ao superior, onde o inferior se submete ( isto é obedece) à voz da experência do superior. É o arcano da obediência espiritual, é a disciplina de "ouvir" aquele que já chegou onde deseja ir. Assim, toda pessoa com humildade espiritual "obedece",  isto é reconhece a eficácia e a coloca em prática, do ensinamento de toda testemunha autêntica da experiência espiritual. A humildade implica em saber quem "sou", e o que "não sou". Quem "é", como fez para "ser", e depois, como eu devo fazer para "ser".
 
O caminho de Tifaret para Binah ( A Inteligência), corresponde ao sétimo arcano do Tarô, O Carro.
 
 
Trata-se do arcano que revela a lei da Magia Cerimonial. Na Magia Cerimonial, o magista manipula forças do Universo mais poderosas que ele próprio, a fim de atingir determinado efeito. Porém dirige tais forças devido ao seu cnhecimento e autoridade espiritual. O cetro é o símbolo da atitude moral ( a intenção e elevação espiritual do magista). Não há rédeas, os cavalos ( que são as forças do Universo) obedecem ao cocheiro apenas por causa da sua autoridade. A carroça simboliza o efeito desejado , a qual é carregada pelos cavalos, mas dirigida pelo cocheiro.
Papus, no " Tratado Elementar de Magia Prática", explica tal analogia:
 
" Observastes que o cavalo é mais forte que o cocheiro e que entretanto, por meio de suas rédeas, o cocheiro utiliza e domina a força bruta do animal que ele conduz? ..."
"O cocheiro representa a inteligência e sobretudo, a vontade, o que governa todo o sistema, ou em outras palavras , o espírito diretor."
" A carruagem representa a matéria, o que é inerte ao que suporta, ou por outra, o princípio movimentado."
" O cavalo representa a força. Obedecendo ao cocheiro e atuando sobre a carruagem, o cavalo move todo o sistema. É o princípio motor."
 
O Caminho de Tifaret para Keter corresponde ao arcano da Justiça.
 
 
A Justiça de Deus, em última análise se refere à atitude do buscador diante de Deus e vice-versa. É o elo que o buscador deve sempre manter entre ele e a divindade, e as conseqüências desse elo. Deve haver a tentativa de se assemelhar ao divino, que envolve o esforço de não "pecar", isto é, não cometer atos contra à bondade , à verdade, e à justiça. Porém quando cometidos, fazem o buscador persignar-se diante de Deus, reconhecer a própria falta, e pedir perdão. O "pedir perdão" envolve o arrependimento e o "acordo" de não mais cometer tal falta. Isto leva à fórmula: " Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido". Eis o exercício espiritual da Lâmina: O Perdão. Perdoar é amar e buscar o bom :
 
" O amor toca diretamente os corações por seu valor, por sua beleza e por sua verdade, ao passo que o temor da condenação eterna jamais fará brotar o amor no coração humano. Não é o rigor da estrita justiça que nos mostra o mor do pai pelo filho pródigo, mas o banqete com que o pai o acolheu".
 
Tal é o ideal da Justiça Divina do autor do livro "Meditações Sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô". E ele escreve a respeito do Perdão:
 
" Em seguida o Mestre acrescenta:
 
' Se perdoares aos homens os seus delitos, também o vosso pai celeste vos perdoará; mas se não perdoares os homens, o vosso Pai também não perdoará os vossos delitos." ( Mt 6,12. 14-15).
 
O mestre é formal quanto à balança que opera entre a Terra e o Céu: " Vosso Pai não vos perdoarás se não perdoares aos homens" - eis a lei, eis a operação infalível e implacável da Balança  terra-céu. Que essa balança rege não só o perdão, mas também o domínio inteiro dos dons do alto compreendidos no Espírito Santo é o que decorre com evidência das palavras do mestre referentes à oração dominical no Evangelho de Lucas:
 
' Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais ao Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem.'  "
 

 

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